Vaettir, Wihta, Wights: Espíritos

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Wihta

Traduzidos de Larhus Fyrnsida por A.H. Marques.

O conceito de wights (ser imaterial/espírito) na religião heathen é uma dessas coisas que tendem a confundir os novatos. Olhando a definição do inglês antigo faz pouco para esclarecer a confusão, considerando que o dicionário Bosworth and Toller lista a palavra como simplesmente significando uma “criatura, ser ou coisa criada”. Embora em muitos casos a palavra ‘wiht’ é usada em referência a seres sobrenaturais, a palavra também pode ser usada para qualquer ser vivo. Falando no sobrenatural, dweorg (anões), ylfe (elfos), eotenas (ettins), espíritos em geral e até mesmo deuses podem cair sob o nome ‘wihta’. Então realmente, a ideia de adoração de wights é algo abrangente que não tem características reais ou definidas.

A maior parte dos praticantes veem wights como seres conectados à natureza, um conceito baseado em grande parte nos landvættir escandinavos, ‘landwights’. Mas, a ideia que ‘wihta’ podem habitar locais geográficos relevantes não é um conceito especificamente nórdico. Pareceria que a adoração de wihta da natureza era tão prevalente na Inglaterra anglo-saxã, que leis específicas foram criadas para impedi-la.

Os três componentes seguintes aparecem no Law codes of King Ecgberht of Wessex, mostrando que a prática pagã ainda existia de certa forma no início do séc. IX.

Stānweorþung – adoração de pedras

Trēowweorþung– adoração de árvores

Willweorþung– adoração de nascentes

Assim, pareceria que, enquanto heathens, todos somos adoradores de wights de alguma forma. Wight parece ser, pelo menos no contexto anglo-saxão, um termo padrão para todo tipo de seres sobrenaturais, usado indistintamente para elfo, anão, deus, etc.. Referir-se a um elfo como wight é o equivalente de referir-se a um dinamarquês como simplesmente “europeu”, ou a um escondidinho como “jantar”.