Þórr (Thor)

Thor

Filho de Jord e de Odin e esposo de Sif, de quem teve Trudr. Deus dos relâmpagos e do trovão, entre os povos germânicos do Norte, é o mesmo que Donar entre os germanos do Sul.

Habita no palácio Bilskirne, e avança para o combate num carro puxado por bodes. O ruído do trovão era atribuído ao rodar desse carro, bem como à sua poderosa voz, da qual se originou sua denominação de Hlorridi (o rugidor).

Teve dois filhos: Modi (a coragem) e Magni (a força) com a giganta Járnsaxa.

Inimigo mortal dos gigantes, ameaça-os, sem cessar, com o seu martelo (Mjolnir) o qual além de ser uma arma potente também é um simbolo de benção e vitalidade exemplificado pela sua capacidade de trazer seus bodes de volta a vida depois de comidos… com tanto que não roam os ossos.

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Thor – O Campeão vermelho.
http://perturbardo.blogspot.com.br/2011/07/o-campeao-vermelho_27.html

Boa noite acompanhantes deste blog, nesta quarta-feira sempre dedicada aos deuses da mitologia nórdica irei discorrer sobre uma figura muito popular e venerada, talvez o primeiro Aesir com qual todos que buscam esse caminho têm contato, falo do deus-herói Þórr, ou se você ainda não entendeu Thor, o Vermelho.

Esta divindade tem sua origem em tempos muito remotos, assim como Týr, Loki e Óðinn, ainda datando do período migratório, ou como conhecemos das invasões bárbaras que derrubaram o outrora glorioso Império Romano (100 a 500 da era vulgar). Ele originalmente representava uma divindade ligada aos trovões e tempestades, posteriormente crescendo em aspectos e complexidade.

Seu nome no nórdico antigo Þórr, no inglês antigo Þunor, no alto alemão antigo Donar, todos descendentes do alemão comum Þonaroz ou Þunraz, simplesmente significando trovão. Passada essa parte de estratégia do Tropa de Elite, vamos a informações mais interessantes sobre Þórr. Ainda sobre nomes apenas para finalizar, existe uma divindade de um panteão gaulês, para quem não sabe os gauleses são uma tribo Celta, de nome Toran/Taran/Taranis que é um deus do trovão e também uma divindade no panteão Sami (os lapões) de nome Horagalles, Thora Galles, Thoragalles, ou Tiermes que é também um deus do trovão com martelo e tudo e punia os maus espíritos, mas deve ser apenas mera coincidência, antes que alguém me acuse de herege, mesmo sendo um pagão rs.

Þórr é o campeão dos Aesir, ao ser absorvido no panteão que se formava com a consolidação das tribos manteve lugar de destaque sendo filho do próprio Óðinn e uma giganta de nome Fjörgyn (terra) ou segundo alguns Jörð (também terra), uma giganta. Logo meus caros Þórr nessa interpretação é o sangue de duas tribos misturadas, em outras palavras, mestiço. Pode-se observar isso através da descrição dada a ele como sendo maior que todos os outros deuses, de traços muito mais rústicos e de olhar penetrante e cabelo ruivo. Então esqueça o Thor loiro da Marvel, garotas não chorem, ele continua sendo Þórr, o vermelho!

Ainda se tratando de aspectos familiares ele é marido de Sif a linda mulher de cabeleiras douradas, mas também pulava a cerca com Járnsaxa (face de ferro) uma giganta, talvez ele tenha herdado o gosto de Óðinn por pular a cerca em várias terras. Seus filhos com Járnsaxa são Magni (Forte) e Móði (Raiva) e ambos serão os herdeiros de seu famoso martelo Mjöllnir, irônico não? Com Síf ele também tem uma filha chamada Þrúðr (Força), que é o nome de uma das valquírias que serve hidromel aos Einherjar (tropa de elite de Óðinn) no Valhöll. Ele ainda tem dois servos e os servos eram tratados por muitos como membros da família, e não como coisas como os povos latinos faziam, e os nomes deles são Þjálfi e Röskva, dois irmãos mortais.

O grande Þórr também está ligado a muitos aspectos que adquiriu conforme foi reinterpretado pela passagem dos tempos nas inúmeras tribos germânicas e nas terras da Escandinávia e além, sendo os aspectos mais famosos trovões, raios, tempestades, carvalhos, força, destruição, fertilidade, cura e principalmente, protetor da espécie humana e seu principal símbolo além do Mjöllnir é a própria Suástica que o representa, muito anterior a utilização de forma profana pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial.

Ele era nos tempos antigos muito venerado pelas pessoas simples enquanto Óðinn era mais popular entre os nobres, este fato não é ilógico pois ele é uma divindade que controla o tempo e protege a humanidade dos gigantes além de ser um deus de poucas palavras e muita atitude. Ele era invocado nas guerras pelo seu potencial destrutivo e pela força que poderia dar aos guerreiros em combate, mas essencialmente não se trata de um Deus da Guerra. Quem melhor conseguiu elucidar esse aspecto duplo dele foi a Asatru-Vanatru ao falar sobre o martelo em descanso simbolizando a fertilidade, tempos de paz e prosperidade e o martelo em punho pronto ao combate.

Ele também é erroneamente encarado como um ser ignorante, sendo que muitas vezes provou sua esperteza ou sabedoria, sem contar sua capacidade de usar magia e manusear objetos mágicos como o seu lendário martelo Mjöllnir, as luvas de ferro Járngreipr/Járglófi, o cinturão da força Megingjörð e seu cajado Griðarvölr. Seu conhecimento magico é evidente na passagem mitológica em que revive um de seus bodes de sua carruagem e sua esperteza ao petrificar Alvíss o anão que desejava a mão da filha de Þórr. Tamanho conhecimento sempre foi usado para enfrentar os gigantes e manter a humanidade e Asgarðr a salvo dos Jötunn (gigantes), sendo sua maior rival a serpente Jörmungandr, cria do seu maior companheiro de aventuras, o sempre controverso Loki.

Þórr pode ser considerado um herói tanto entre os Asa (deuses) quanto entre a humanidade. Sua determinação de vencer obstáculos impostos em seu caminho, sua força de vontade em derrotar aqueles que vinham a desafia-lo e em nunca falhar em nos proteger contra as ameaças de Jötunheimr, merecidamente o campeão dos Aesir. Ele também representa o potencial que os povos do norte tinham de superar as dificuldades naturais que os cercavam, também foi conhecido como Thor o Vermelho guiando os pagãos contra os exércitos do Cristo o Branco, durante a “pacífica” conversão dos povos do Norte. E o mais importante, representa o infinito potencial do ser humano de se superar frente os maiores desafios impostos. Esta divindade longe da perfeição é o caminho claro para a eterna alma em busca de superação.

Um brinde a Þórr, o nosso eterno herói! Nosso Deus do Trovão!