Crer nos deuses certos ou agir corretamente?: Um dilema na Ásatrú

Por Sonne Heljarskinn

Tentarei, por vários motivos ser breve neste texto. Por isso alguns pontos serão aprofundados apenas futuramente.

Esse texto será apenas um amontoado rápido de questionamentos. Espero que sirva para causar reflexão tanto em pagãos recentes, ou mesmo naqueles que são filhos de pagãos. Continue reading “Crer nos deuses certos ou agir corretamente?: Um dilema na Ásatrú”

O meu caminho até o culto doméstico (hearth cult)

Por Sonne Heljarskinn

Sunnôniz Fulka Herthaz

Geralmente faço textos bem objetivos, sobre aspectos generalistas da visão de mundo dos antigos povos germânicos, mas hoje a conversa é mais pessoal. Tenho estado um pouco afastado da escrita pois estou sem PC. Isso me deu a oportunidade de ler e viver muitas coisas, as quais eu gostaria de compartilhar com você. Continue reading “O meu caminho até o culto doméstico (hearth cult)”

Ēostre, Ostara, Páscoa

Escrito por Andreia Marques
Publicado originalmente em Heathen Brasil

Todo ano, mais ou menos nessa época, inevitavelmente aparece alguém do meio pagão associando a celebração da Páscoa com a deusa saxônica Ēostre (e agora, mais ou menos frequentemente, à deusa Ishtar). Daí surgiu a ideia desse post, para esclarecer algumas coisas.

Primeiramente, é fato que na língua inglesa o que chamamos “Páscoa” se chama “Easter”, e é quase certo que “Easter” vem de Ēostre, significando “aurora”. É fato que havia um mês do ano, Ēosturmōnaþ, que supostamente seria dedicado a esse deusa. Sabemos disso única e exclusivamente através do relato do Venerável Bede, do século VIII, em seu De temporum ratione. Neste relato, Bede diz que os pagãos anglo-saxões celebravam a deusa no mês de Ēosturmōnaþ: Continue reading “Ēostre, Ostara, Páscoa”

Irmandade e Visão de Mundo

Escrito por Andreia Marques e publicado originalmente em Heathen Brasil.

É bastante comum ver novos heathens (ou ásatruár, ou até mesmo pagãos em geral), empolgados com a descoberta de outros heathens ou pagãos, cumprimentá-los da maneira: “Hail, irmãos!”

Irmandade é uma coisa interessante. A visão de mundo dos povos germânicos pré-cristão é bastante fundamentada em irmandade, e nos laços familiares. Não é à toa que honramos nossos ancestrais e que quebrar um juramento é uma das piores coisas que se pode fazer. A visão de mundo desses povos era profundamente enraizada na comunidade e na solidariedade mútua intra-tribo, intra-clã, intra-família. Continue reading “Irmandade e Visão de Mundo”

Pequenas reflexões sobre a Völva, o conhecimento, e o papel da mulher no heathenismo

14695302_554476844747559_5818401500287770855_n

Texto por Sonne Heljarskinn
Postado originalmente em facebook

As völvas são mulheres que nas tribos nórdicas desenvolviam funções *semelhantes* mas não idênticas às dos xamãs. Elas tinham a liberdade de viajar e fazer oráculos, sendo bem recebidas e gratificadas por seu saber. Ainda assim, não nos interessa falar das völvas em geral aqui, mas de uma em particular, tamanha a sua importância: aquela que Óðinn foi buscar no mundo dos mortos, em sua sede de conhecimento. Continue reading “Pequenas reflexões sobre a Völva, o conhecimento, e o papel da mulher no heathenismo”

O que caracteriza o Paganismo Germânico?

Muitas pessoas procuram as diretrizes que compõem o paganismo germânico (ou “Ásatrú”, “Forn Sed”, entre muitos outros nomes), aquilo que o estrutura e guia, e assim se voltam para as Nove Nobre Virtudes. Cunhadas na década de 1970 pelo grupo Odinic Rite a partir do Hávamál, considero-as muito gerais e universais para serem tomadas como autenticamente pagãs. Por isso, discutirei aqui o que para mim são as características principais do paganismo germânico, que o diferenciam não apenas de outras religiões como também de outras manifestações pagãs. Continue reading “O que caracteriza o Paganismo Germânico?”

Sunnôniz Fulka Herþaz: Um lar Heathen

Já faz pelo menos seis anos que iniciei minha caminhada através do paganismo. Nessa jornada, sempre habitando fora dos grandes centros de convergência de pessoas que se autodenominam pagãs, fui obrigado a seguir um caminho solitário, e , não importa quão paradoxal isso que seja, extremamente dependente da internet.

A grande verdade é que durante a maior parte da minha curta caminhada no paganismo eu entendia muito pouco do que era ele à exceção de mitologia. Deus disso, deus daquilo. Isso se devia principalmente a um grave problema: minha dependência praticamente exclusiva do português como fonte de informação. Continue reading “Sunnôniz Fulka Herþaz: Um lar Heathen”