O sidus e visão de mundo do Sauila Þiuda Gards

An English translation will come soon!

Esta seção é apenas uma formulação inicial das minhas ideias no culto doméstico conforme o Sauila Þiuda Gards (antes Sunnôniz Fulka Herþaz ou Lar(eira) do Povo da/de Sól) o pratica.

1. Nossa Heathenry

Basicamente a Heathenry, conforme o nosso hearth a pratica é baseada no que nos foi transmitido através de vários documentos históricos de vários povos germânicos. Optei por essa abordagem ampla, mas não tão ampla, para termos uma prática mais viva. Percebi com o tempo que muitos costumes eram mais comuns que peculiares de cada tribo, muito embora elas fossem citadas em relatos de francos, saxões, anglo-saxões ou nórdicos. Percebi assim que, com muito cuidado e discernimento, eu poderia adotar boa parte dos relatos sobre esses povos, e mesmo me inspirar no Aldsido dos francos, e no Fyrnsidu dos anglo-saxões, ou Firne Sitte, dos germânicos ocidentais. Todavia, descobri que era possível algo realmente voltado para os meus ancestrais, senão diretamente sanguíneos, mas culturais. Entre esses, os seguintes povos germânicos possibilitam um enfoque  ancestral para aqueles que habitam países de cultura portuguesa e espanhola: Suevos, Vândalos e Visigodos. Desta forma Alþeis Sidus (Do gótico “Costumes Antigos”) é a forma como denomino a forma de Heathenry que o Sunnôniz Fulka Herþaz pratica.

2. Que Sidus (costumes) recriamos?

Uma rápida discussão precisa ser feita sobre esses povos. Os Suevos (Suebi) muitas vezes são confundidos com os Alamanos, e com várias outras tribos germânicas ocidentais. Apesar de haver uma região na Alemanha que até hoje é chamada de “Suábia” que fala o dialeto alemão Schwäbisch, creio que o nome “Suevo” foi usado por várias tribos diferentes, e não necessariamente se refere ao mesmo grupo étnico: parece que entre os próprios tribais já havia esse sentimento de retorno ao antigo, e que várias tribos assumiram denominações “mortas”, como “Suevos”, para reviver uma espécie de identidade tribal. Os suevos então eram um povo ou confederação de tribos germânicas ocidentais (West Germanic), e parece que um dos últimos povos a assumir a denominação atravessou com os Vândalos e os não germânicos Alanos pelo Rio Reno, atravessando a Gália (atual França), Hispânia, se fixando principalmente na parte mais ocidental da Península Ibérica, entre a Hispânia, Galícia e Lusitânia. No Noroeste durou por aproximadamente 200 anos o Reino dos Suevos, criado em 409 da Era Comum, e nosso interesse inicial, era uma Heathenry puramente Sueva, principalmente pelo fato de que Hermerico ao estabelecê-lo ainda era heathen. Todavia, registros linguísticos, religiosos e culturais dos suevos praticamente se perderam, e não sobrou muito mais que poucos farrapos da presença dos Suevos na região.

Com o tempo os Suevos se expandiram e dominaram povos vizinhos, possuindo grande parte da Península Ibérica. Após a saída de Alamanos e Vândalos para a África, acreditamos que o segundo grupo (que possui fortes ligações com Anglo-saxões), não foi completamente extinto, e por isso acreditamos seja importante também lembramo-nos deles. Se os Suevos dominaram o Noroeste da Península (Galícia), os Vândalos ficaram principalmente na parte Sudoeste (Lusitânia, que compreende a maior parte do atual Portugal)

Todavia, o Reino Suevo foi conquistado em 585 da Era Comum por outro povo germânico: os Visigodos. Estes, que desde 376 iniciaram o processo de conversão  ao cristianismo ao cruzar o Rio Danúbio e serem admitidos como refugiados no Império Romano expulsos de suas terras Pelos hunos. Embora possamos traçar (com algumas incertezas) uma gênese comum a Godos (que depois se dividiram em Visigodos e Ostrogodos), Jutos e Getas (todos os nomes possuem forte ligação etimológica além da proximidade geográfica) para a ilha de Gotlândia na Escandinávia, vestígios de sua tradição pagã também estão vastamente perdidas, com exceção da menção ao deus Gaut, o deus tribal dos Godos, do qual pode-se traçar uma ligação com o *Wôdanaz Proto-germânico, que deu origem às diversas variantes do deus Odin entre as várias tribos germânicas. Todavia, aos Visigodos podemos recorrer à Origem e Feitos dos Godos de Jordannes, que, embora tardia, e carente de muito cuidado em seu uso, pode nos servir como uma base cultural.

Assim, o que é o atual Portugal possui essa tríplice influência germânica: Sueva, Vândala e Visigótica; presentes então membros dos três troncos linguísticos dos germânicos: Ocidentais (West Germanic), Orientais (East Germanic) e Nórdicos (North Germanic). Como nenhum dos povos que buscamos tem sua identidade preservada, o Sunnôniz Fulka Herthaz julgou ser mais interessante recorrer à Idade do Bronze e Idade do Ferro Nórdica, além dos estudos comparados com os registros das demais tribos germânicas. Nosso objetivo pode mudar com o tempo; todavia, intento a recriação de partes do culto destes três povos para que consigamos criar uma tradição que, embora hipotética, cumpra as necessidades de busca ancestral das origens germânicas dos pagãos brasileiros (e portugueses/galegos).

À primeira vista isso parece um tanto paradoxal. Todavia, consideramos alguns fatores para chegar a tais decisões: (1) Os Suevos possuíram dois reis pagãos que fundaram um dos primeiros reinos germânicos no Ocidente romanizado; (2) Os Vândalos provavelmente se dissolveram tanto entre os Suevos quanto entre os Alanos; (2) Os Visigodos, apesar de serem os últimos germânicos a se estabelecerem na Península Ibérica, já o fazem após séculos de cristianismo, tanto Ariano quanto Católico-Romano. Assim, não acreditamos que haja uma “identidade única” germânica à qual se recorrer — principalmente porque é impossível determinar, para nós, brasileiros mais antigos, e portanto, colonizados, de qual desses povos provém o “quantum” maior de influência, seja cultural, seja biológica. E, na verdade, descobrimos mesmo que isso é pouco relevante. Não possuímos registros suficientes de nenhum desses povos para reconstruir um de maneira peculiarmente diferente do outro no que se refere à sua cultura/costumes (sidus).

3. Fundamentos e Nossa Visão de Mundo

Nossa ideia, todavia, é recuperar, reconstruir as identidades de Suevos, Vândalos e Visigodos tanto quanto isso seja possível. Das informações que a nós sejam relevantes dos Proto-Indo-Europeus e Proto-Germânicos retiramos nossas bases. Todavia, mais que reconstrução, reviver o paganismo de tais povos é uma recriação, na medida que é a fusão de uma identidade tríplice.

Animismo — Assumimos o animismo como premissa básica e inicial de nosso culto. Na base de nossa visão de mundo está a ideia de que todos os seres materiais (pedras, árvores, eventos naturais, nuvens, etc.) possuem um vættr, que mais que dar-lhe vida, lhes dá personalidade (eu hesito, mas talvez pudesse usar a palavra “subjetividade”),  e causa a necessidade de nos relacionarmos com eles em seus termos, através de ofertas. Acreditamos que o próprio Sunnôniz Fulka Herthaz possui um espírito, enquanto lar/casa, nosso húsvættr ou genius loci.

Culto Ancestral — A própria importância que Suevos, Vândalos e Visigodos têm em nosso hearth se deve justamente ao fato de que também colocamos como um ponto essencial de nosso conjunto de costumes o culto ancestral, tanto o de ancestrais mais próximos (nosso ætt, avós, tios, dísir, álfar de nossa família), quanto de tribos antigas germânicas que influíram na cultura portuguesa, e, consequentemente, brasileira, quanto o de (semi-)lendários heróis (Mannus, Hermeneric, Alaric, etc.).

Innangard e Útangard —  consideramos nossa família (tanto membros heathens como não) como a parte principal de nosso innangard. Somado a ela, todos os que nos auxiliam, os quais são principalmente pagãos. No útangard entendemos que estão todos aqueles que ou se opõem a nós quanto aos que não desempenham nenhum papel positivo conosco. Os primeiros honramos e protegemos como nossos, os segundos não fazem parte de nosso âmbito de preocupações.

Círculo de presentes — tanto para deuses quanto para vættir (da casa ou da Terra), quanto para Ancestrais, quanto para os vivos, tentamos manter um círculo de ajuda-mútua e reciprocidade em vista de proteger o espírito de nosso kin.

Sidus — nossos costumes pagãos, que estão sendo desenvolvidos, que englobam tudo o que citamos acima, quanto nosso culto a divindades, ética/lei (thēaw). Separamos o sidus da thēaw por entender o primeiro como algo prático e o segundo como conjunto de valores e ideias que direcionam o sidus.

4. Divindades

Na ausência quase total de um panteão para recriarmos, procedemos da seguinte maneira, até então:

(1) recorremos às divindades mais antigas dos germânicos na Idade de Bronze (o Deus Lança (*Wodanaz?), o Deus Martelo/Machado (*Þunraz?), o Deus Espada/Suíno (*Ingwaz?), a/o Deus/a Sol (*Sunnǭ?)) e observamos quais delas poderiam aparecer, adaptadas ou modificadas, com mais frequência nas tribos atestadas;

(2) recorremos às principais formas reconstruídas proto-germânicas observando a frequência com que apareciam por diversos povos e tribos;

(3) assumimos o deus tribal dos Godos, Gaut (versão gótica de *Wôdanaz?);

(4) assumimos o deus tribal dos saxões, Seaxnēat, entendendo que ele possivelmente também era adotado por Vândalos;

(5) Assumimos Ēostre/Ostara como uma deusa possivelmente cultuada pelos Suevos;

(6) Assumimos que *Tiwaz é a transição do *Dyḗus Ptḗr Proto-Indo-Europeu, como “Pai do Céu” (Sky Father),o Deus Celeste, que seria cultuada possivelmente pelos três grupos;

(7) Assumimos Nerthus como uma deusa da Terra germânica ocidental, que era possivelmente adotada pelos Suevos;

(8) Assumimos a ideia de que *Wurdiz (wyrd) era tecida pelas Nornir da maneira que o *uzlaga (örlög) lhes determinava.

5. Sidus

Sacrifícios a divindades em ritos sazonais (aprofundar).

Ofertas ao húsvætt (aprofundar).

Ofertas aos landvættir (aprofundar).

Ofertas e festividades aos ancestrais (aprofundar).

Blót e Sumbl (aprofundar).

Desenvolver, criar e transmitir mitos e histórias de nosso hearth e tribo.

6. Thēaw

O seu innargard é Sagrado. Viva por ele ou morra por ele.

Reconstruir e aplicar, tanto quanto possível, a visão de mundo dos antigos.

Se preocupe com seu kin e tribo. O útangard é de responsabilidade dele mesmo.

Sua reputação é a reputação de seu kin e de sua tribo. Zele por ela.

Informar todos os que venham a se interessar pelo heathenismo, paganismo germânico, nórdico ou ásatrú e entrarem em contato conosco.

(Desenvolver)

7. Lore 

Reconstruir e transmitir as histórias de origem, desenvolvimento, feitos e conquistas pertinentes aos Suevos, Vândalos e Visigodos (desenvolver).

Reconstruir e transmitir a história familiar (desenvolver).

[Sessão em construção, mais informações futuramente]

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A new Seed is growing. Uma nova semente está crescendo.