Runas, Religião e Sociedade Viking

Por: Godhi Meðal Mikit Stór-ljon Oddhinsson
(Octavio Augusto Okimoto Alves de Carvalho)
In Memoriam
Editado por Sonne Heljarskinn

Nota inicial do Editor: Tomei o cuidado de normatizar a grafia dos nomes das divindades conforme o padrão no caso nominativo singular em Islandês Antigo como encontramos nas Eddas. Fora isso, apenas acrescentei em colchetes revisões de ideias que, após cerca de vinte anos de estudos adiante, a comunidade Ásatrú pode tomar de maneira diferente — e mais fiel aos antigos — na atualidade. Todavia, por questão de registro histórico, a Ásatrú & Liberdade achou importante republicar os textos ainda disponíveis e localizáveis da antiga AVAB-FS.

Uma das tristes realidades de nossa moderna formação educacional e cultural é ser concebida, como tem sido, por gerações que continuam acreditando que o Norte tem pouco a oferecer além da barbárie. Para a grande maioria, a palavra mitologia evoca imagens de heróis e divindades gregas e romanas. Os trabalhos de Hércules; as viagens de Jasão ou Ulisses; Jove e Zeus assumindo a forma animal para um rápido encontro amoroso com uma donzela almejada – são os mitos favoritos de um público atual que não possui em relação a eles quaisquer vínculos manifestos. Teria Odin passado sorrateiramente por nossos caminhos históricos secundários e cavalgado com a Presa Selvagem através dos céus sobre… Peterborough? Sim, de fato ele o fez e existe até uma crônica monástica registrando. Por muitos anos, as divindades nórdicas estiveram à vontade em uma área geográfica que abrangia mais da metade da Inglaterra e há crescentes indícios de que, mais uma vez, uma boa acolhida está sendo preparada para elas. Locais como a Ferraria de Wayland em Oxfordshire, nome dado em homenagem a Volund, o herói/deus/ferreiro, não são mais meras curiosidades. Estão começando a ser utilizados como pontos de encontro para pessoas cada vez mais em contato com os antigos costumes e divindades.

A Mitologia do Norte

A mitologia do Norte é rica e pitoresca. Seus personagens são tão nitidamente definidos, muitas vezes até mais, quanto qualquer um que seja encontrado no suposto mito clássico. Também tem grande relevância para qualquer pessoa que deseje compreender suas crenças e as tradições da região que eles habitam ou a origem étnica à qual pertencem. Possuem histórias para contar que se nivelam a qualquer uma da mitologia universal, tais como a de Thor enfeitando-se como uma deusa para recuperar o seu martelo roubado, a do confinamento do lobo Fenrir ou a das alarmantes imagens da última terrível batalha no Ragnarök. São contos sobre divindades e heróis com mais sarcasmo e malícia do que as lendas dos santos da Igreja Cristã e são uma parte importante do patrimônio inalienável, por muito tempo rejeitado, dos povos setentrionais. Sua redescoberta se torna um motivo de grande satisfação pessoal em uma fonte de genuíno prazer.

Na verdade, os panteões da mitologia nórdica são dois, constituídos pelos Æsir e pelos Vanir, que se mesclaram em um. Em geral, o panteão dos Æsir tende a ser relacionado a Óðinn, como no caso de Þórr, Baldr e Frigg.

Os Vanir concentra-se em Njörðr e seus dois filhos mais conhecidos, Freyr e Freyja, cujos os nomes significam “Senhor” e “Senhora”. Abaixo, são fornecidas informações básicas sobre alguns deuses e deusas.

Baldr —  é o belo deus filho de Óðinn e Frigg. Foi morto por uma flecha de visco — todas as outras coisas criadas haviam jurado não lhe fazer mal — e desceu ao Hel (inferno) [Nota do Editor: discordo de Octavio Augusto aqui, o Hel não é inferno!] junto com sua esposa Nanna. Após o Ragnarok, ressurgiu novamente. Na verdade a sua função no panteão é mínima, apesar do poder que gerações mais recentes lhe atribuíram através de comparações com Cristo.

Freyr — filho de Njörðr, é o patrono da fertilidade, o soberano do reino dos ágeis duendes responsáveis pelo crescimento da vegetação. É o mais nobre dos corajosos deuses e o patrono do sol de verão. A sua principal característica é o seu pênis ereto. Freyr era cultuado extensamente por campesinos e a ele eram feitos pedidos de fertilidade a terra, prosperidade e principalmente paz. Como filho de Nerthus e Njörðr, ele era também conhecido como Príncipe da Paz! Seu nome significa Lorde e a Suécia é considerada sua Terra Sagrada, conforme descrito na Ynglinga Saga!

Freyja — irmã de Frey, é a mais famosa das deusas e a protetora da guerra do amor e da feitiçaria. Embora Frigg seja a esposa de Óðinn (uma entre, pelo menos, três), Freyja é tanto a polaridade oposta de Óðinn quanto a sua parceira mais complementar, embora isto não deva aqui neste caso ser aplicado no contexto sexual. Compartilhou com Óðinn a morte em batalha, recebendo o primeiro golpe. Há insinuações de que a mais bela das deusas exercia uma ligeira prostituição pragmática, como quando passou a noite com quatro anões, em uma única noite, para pagar pelo colar Brisingamen que eles haviam feito para ela e por causa disto, tendo sofrido acusações de adultério por Loki. O fato é que nos nossos mitos, isto é descrito com linguagem sutil e é dito apenas que ela passou as quatro noites com eles. Pode ter acontecido de tudo na caverna, desde sexo (o que é o mais improvável devido a seu intenso pesar amoroso pela perda da companhia de seu amado marido citado como Óðr), jogo de Xadrez ou até mesmo ter trocado o Brisingamen por conhecimento de Magia Seiðr.

Frigg — é a esposa de Óðinn e a representação da mãe na mitologia nórdica. Conhecida por sua sabedoria, também é famosa por nunca revelar nada a ninguém, nem mesmo ao seu marido. Ela conhecia até mesmo o destino final de seu filho Baldr e tentou heroica e inutilmente impedi-lo. Normalmente Frigg é descrita como uma mulher alta e majestosa, bela em sua veste branca e em suas plumas de garça. Como protetora das mães e das donas de casa do Norte, carregava um molho de chaves no seu cinturão. Abrangendo aspectos complementares da mulher arquetípica, Frigg e Freya tendem a se tornar indistintas em alguns aspectos dos mitos, principalmente para a maioria dos mitógrafos que são do sexo masculino.

Heimdallr —  é o deus brilhante, guardião da ponte do arco-íris que conduz a Ásgarðr e, como um vigia, possuidor do Gjallarhorn que ele sopra na batalha de Ragnarök. Sua audição é tão sensível que pode ouvir a grama brotando e até mesmo a lã crescendo no dorso de uma ovelha.

Idunn — é casada com Bragi, o deus da poesia. É responsável pela saúde dos deuses, que precisam comer uma maçã por dia, vinda do seu cofre de madeira de freixo, para manterem sua juventude e sua força.

Jorð — é a Deusa da Terra. Mãe de Þórr.

Loki — necessitaria de diversos livros para examiná-lo completamente. Irmão de sangue de Óðinn, embora na verdade não muito intimamente relacionado, Loki é o trapaceiro do panteão, é o bom e o mau rapaz em uma só pessoa. Ele tanto é um socorro quanto uma ameaça. Em muito dos mitos, aparece como o deus que coloca em apuros as pessoas más, se bem que, relutantemente, também as auxilia. Uma figura belicosa e, como o próprio Óðinn, tem algum gigante em sua linhagem.

Kvasir — Sua função depende de que fonte você tenha lido, como muitos dos Deuses e Deusas Nórdicos. Em um mito, ele é o mais sábio dos Vanir e foi mandado para os Æsir como um refém em um processo de pacificação. Em outra tradição, ele é criado quando os Æsir e os Vanir misturaram seus cuspes em um ritual de pacificação. Ele é o mais sábio dos seres. Mais tarde, ele foi morto por anões que transformaram seu sangue em hidromel, o hidromel da poesia.

Njörðr — é o deus do mar e o protetor dos marinheiros e dos pescadores. Representação paterna do Vanir, ele é o concessor das riquezas, bem como um corajoso e moderado guerreiro. Casou-se com a deusa Skaði, que o escolheu em um concurso, confundindo-o com Baldr, porque tinha os pés igualmente bonitos.

Óðinn — é o Pai de todos; o protetor dos poetas, dos guerreiros e dos estadistas e o deus da morte,da vitória, da cura, da guerra e da magia. Seu pragmatismo é lendário e tem dado origem a falsas acusações de traição. Carrega a lança Gungnir que nunca erra o alvo e que, no cabo, tem runas que preservam a lei. Cavalga o garanhão de oito patas Sleipnir e reúne guerreiros para lutarem junto com ele no Ragnarök e festejarem em Valhöll (literalmente Valhall, o “salão dos escolhidos”, [Nota do Editor: val significa “morto” não “escolhido”] onde donzelas protegidas serviam hidromel (aguardente de mel) e carne de javali aos guerreiros) até que chegue o momento. Conquistou as runas para a humanidade e os Deuses através de um ato de sacrifício pessoal e trocou o seu olho direito por sabedoria [N.d.E: Na verdade, não afirma-se positivamente nas fontes qual foi dos olhos]. Tem vários títulos como Allföðr (Pai de tudo, de todos), Valföðr (pai dos escolhidos), Deus encapuzado, Deus Mascarado (Grimlord), Deus caolho, Mestre dos disfarces, Master of Riddles (Mestre dos enigmas), para dar apenas alguns de seus nomes. Não era o mais popular dos Deuses, pois ele era cultuado mais por estadistas, reis, príncipes e eleitos por ele do que pela população comum. Lorde Óðinn é um Deus que escolhe seus protegidos.

Saga — Deusa que bebe com Óðinn no seu salão Sokkvabekkr. Seu nome significa “vidente” e esta conectado com a palavra nórdica para história — além disso, muitos a chamam de Deusa da História. Alguns consideram ela apenas um aspecto de Lady Frigg.

Snotra — Deusa sabia e gentil. Guerber a chama de deusa da virtude e mestra de todo conhecimento. Ela conhece o valor da autodisciplina

Syn — Deusa invocada pelos defensores em um julgamento. Ela é outra atendente de Frigg e guarda o portal do palácio de Frigg.

Þórr — é o filho mais conhecido de Óðinn. Sua Mãe era Jörð, a Deusa da Terra (o equivalente nórdico mais próximo da Deusa Gaya dos gregos). Matar gigantes parece ser mais um passatempo do que uma ocupação para ele, um gigante golpeador de barba ruiva que empunha o martelo mágico Mjöllnir. Pouco inteligente, mas com o trovão e o relâmpago em seu arsenal, tem um bom coração e consegue ser popular e talentoso quando necessário. Pela quantidade de tempo que gastou repreendendo seu filho, Óðinn devia gostar imensamente de Þórr. Casou-se com Sif, a deusa do trigo. Quando Loki corta o maravilhoso cabelo de Sif, uma peruca de fios de ouro é providenciada até que o cabelo da deusa cresça novamente. Apesar de ser um Deus Áss [singular de Æsir], ele também tem muitas conotações dos Vanir. Seu martelo é também um simbolo fálico de fertilidade, e juntamente com os Vanir, Þórr era e é cultuado por fazendeiros como responsável pela colheita sendo este Deus das Chuvas, do Trovão e das Tempestades. Þórr foi um Deus mais popular do que Óðinn. Ele era conhecido como protetor da humanidade das forças da destruição ou os þursar que eram personificados nos mitos como os gigantes que vivem depois da barreira protetora que separa a Terra (Miðgarðr) da terra deles. Neste aspecto, Þórr foi e é muito invocado como protetor do heathenismo contra as perseguições sangrentas do Cristianismo. A batalha entre o Þórr Vermelho (Red THOR) e o Cristo Branco (White Krist ou Hvitakrist) chegou a ser épica nos nossos corações. Muitos herois teutônicos como Beowulf foram comparados com Þórr. O animal sagrado de Þórr é o bode. Como Veurr Þórr, ele é o sacralizador. Seu martelo era considerado um símbolo de sagração de acordos, ou para tornar sagrado um objeto, um lugar ou até mesmo um juramento. Neste sentido, Þórr é chamado para limpar o local, objeto ou pessoa de influências maléficas ou danosas.

Þrud — Filha de Þórr. O anão Álviss quis se casar com ela mas Þórr o persuadiu a estar acima do solo quando do momento que o sol subisse a tona, tornando este em pedra.

Týr — é o deus do combate, o general do panteão, ao passo que Þórr é mais o soldado e Óðinn, o estadista. Apesar de sua nobreza e da reputação de sua conduta honesta, Týr é forçado a prestar um falso juramento quando o lobo Fenrir é preso e, como penalidade, perde para a fera a sua mão direita.

Ullr — Deus do arqueirismo e da caça, de acordo com muitos, ele foi um deus dos esquiadores de dos sapatos de neve. Sua arma é um Arco Longo feito de madeira de Teixo e ele viveu em Ydal [Yew Dales]. Ele foi chamado para ajudar em duelos. Ele foi o filho (ou meio filho) de Þórr e Sif (ou Ovandrill, dependendo da fonte). Seu nome, que significa glorioso, é parte de nomes de muitos lugares, e além disto, ele é considerado um deus antigo que foi amplamente cultuado. Acredita-se que em uma certa época, ele foi um dos mais altos deuses. É a unica divindade cuja destreza no arco e flecha supera a de Vali, o sagrado vingador!

Vali — Segundo algumas fontes, é o irmão gêmeo de Vidarr. Em outras fontes, ele é o mais jovem dos filhos de Óðinn. Sua mãe é a giganta Rind e ele nasceu com o propósito expresso de vingar a morte de Baldr já que os deuses foram incapazes de matar um de sua própria gente. Quanto ele tinha apenas um dia de idade, ele matou Hod. Ele será um dos sete Æsir a sobreviver ao Ragnarök. Por isso ele se tornou o Deus da Vingança, mas não a vingança vulgar contra qualquer desafeto, e sim a vingança justa. Normalmente quando um de nós é vitima de uma ação danosa feita de forma desonrada e injusta, a ele que nós invocamos para lançar suas terríveis flechas no coração do desgraçado ser que irá enfrentar sua ira.

Vidarr — Ele é filho de Óðinn e Grid (uma giganta),e tem um irmão gêmeo chamado Vali. Ele mora em Vidi. Ele foi um dos deuses mais fortes e também pode ser considerado um deus de vingança. No ragnarok ele vingará seu pai matando Fenrir. Ele é um dos Æsir que sobreviverá à batalha final.

Esta é uma rápida visão, nem sempre reverente, sobre alguns dos mais notáveis membros do panteão nórdico. Qualquer pessoa que tenha lido até aqui já deve ter decidido ou explorar por si mesma esta mitologia rica e poderosa ou jogar esta cultura fora de sua vida.

Os Povos Setentrionais

A história inglesa, como todo mundo deve saber após anos dela ser contada desta maneira, começou com os romanos; continuou com Guilherme o Conquistador; prosseguiu com as Guerras das Rosas e só dá importância realmente aos fatos posteriores a Henrique VIII. Se você acredita nisso, irá acreditar em qualquer coisa.

Na realidade, esse breve sumário da primitiva história inglesa não poderia estar mais longe da verdade. Havia povos estabelecidos aqui muito antes dos romanos. Com o colapso do Império Romano, por volta de 440, e a conseqúente retirada de suas forças de ocupação, o país ficou exposto a sucessivas ondas de invasores. A maioria deles certamente poderia ser descrita como escandinava ou viking e tinham muito em comum uns com os outros. Esses invasores incluíam anglos, saxões, jutos, dinamarqueses e noruegueses, que compartilhavam a mesma cultura e, onde quer que o cristianismo não se houvesse intrometido, religiões e valores sociais semelhantes. Knut (Canute), o mais conhecido rei dinamarquês da Inglaterra, embora vivenciando grandes dificuldades com a igreja inglesa, empenhou-se ativamente na campanha para que o Rei Olaf da Noruega fosse instituído como o primeiro santo e mártir nativo. Knut era ocupado demais mantendo unido um império composto pela Inglaterra, Dinamarca e Noruega para ficar sentado nas praias dominando algo tão recalcitrante como a água. O fato de que essa lenda seja o legado mais conhecido do seu reinado é prova da difamação à qual o período foi previamente submetido pelos historiadores. Sem falar que este “santo” Olaf foi um genocida, um Hitler em seu próprio tempo. É de se admirar que qualquer religião capaz de considerar tal ser um santo tenha a ousadia de se declarar como uma religião de amor, paz e fraternidade entre a humanidade…

O próprio Guilherme, o Conquistador, estava distante apenas cerca de uns cem anos de suas raízes norueguesas. Quando, por volta de 930, a Noruega estava sendo unificada sob o domínio do rei Harald Fairhair, muitos chefes de clã opunham-se à sua política. Infelizmente para eles, Harald contava com grande número de soldados, deixando-os com a escolha entre uma oposição suicida ou um exilio voluntário. Essa é uma das principais razões para a colonização da Islândia, descoberta pelos escandinavos em torno de 870, embora anteriormente conhecida tanto pelos irlandeses quanto pelos romanos, e ajuda a explicar por que tantas tradições nórdicas têm sido preservadas como uma parte da cultura islandesa. De fato, o moderno idioma islandês é virtualmente idêntico ao nórdico antigo, o que auxiliou imensuravelmente a tradução e a interpretação das inscriçõcs rúnicas e dos antigos textos nórdicos sobreviventes.

Um dos chefes de clã que se exilou da Noruega junto a seus seguidores para escapar do domínio de Harald Fairhair era conhecido como Hrolf, o Ganger. Ele e seu povo pegaram um navio e elegeram uma parte da França setentrional como a sua nova terra, que, subsequentemente, foi denominada Normandia, o que etimologicamente quer dizer: nem um milhão de milhas longe do “Reino dos Homens do Norte”. O seu mais famoso habitante invadiu a Inglaterra em 1066.

Essa é uma breve visão geral da conexão inglesa. Não podemos esquecer que a lei dinamarquesa abrangia metade do país e que o reino viking da Northumbria, com sua capital em Jorvik (York), só foi finalmente eliminado através de uma coalizão das forças inglesas e escocesas que atuaram juntas durante os anos 950, o que era incomum para a época. Também havia presença viking na Irlanda. As ilhas Órcadas, as Shetlands, as Faeroes, a Ilha de Man, a Lancashire e muitas outras partes destas ilhas, todas dão uma contribuição à cultura existente durante um período de mais de 600 anos entre a retirada romana e a invasão normanda. Nem após Guilherme a atividade viking cessou, tendo ocorrido por volta de 1700(C.E.) último ataque registrado nessas praias.

A atividade viking nas praias inglesas foi equivalente à atividade em várias outras partes do hemisfério norte. A Islândia foi colonizada, assim como a Groenlândia. Expedições alcançaram a América do Norte 500 anos antes de Colombo e as americas, incluind a America do Sul ja constavam nos mapas vikings e eram considerado territorio dinamarques denominado de Kondanesmarka muito antes de Pedro Alvares Cabral sequer ter nascido. Inclusive, o próprio Brasil ja era citado em um mapa italiano do ano de 1360 como La Isola de Brasil! Não foi em 155 que o Brasil foi “descoberto”? Assim como a Noruega, a Suécia e a Dinamarca, atualmente consideradas como as terras natais dos vikings, parte da Rússia e outros estados bálticos foram ocupados pela mesma cultura. Isso também é verdade para a Alemanha e a Holanda. No lado oriental, a famosa escolta do Imperador Bizâncio, a Guarda Varangiana, era inteiramente constituída por mercenários vikings.

Tudo isso serve para demonstrar o quanto era difundida a cultura dos povos setentrionais. Ao mesmo tempo em que eram os guerreiros bárbaros da lenda e da realidade (“Livrai-nos, Senhor, da fúria dos homens do Norte…” dizia o missal inglês), estabeleceram muitas características que ainda têm grande importância. Uma delas era a tolerância religiosa que, hoje em dia, com proveito, poderia ser adotada tanto pelo cristianismo quanto pelo islamismo. Apesar da amplitude de suas viagens, não existe nenhum exemplo registrado ou mesmo lendário de tentativas de conversão para a sua própria religião de qualquer um dos povos com os quais entraram em contato. Até entre eles próprios havia grande diversidade, tanto dentro quanto fora do panteão nórdico. Freyr e Þórr provavelmente eram as divindades mais populares, cada um com o seu próprio culto e seus rituais, e não havia nenhuma rivalidade manifesta entre os adoradores. Normalmente considerado como um deus guerreiro, Odin também detinha o título de Pai de Todos ou Pai Excelso e comandava o panteão com uma simpatia e uma benevolência muito maiores do que as que lhe são atribuídas pelas maiorias das representações ficcionais hollywoodianas. Alguém poderia escolher não adorar a nenhuma divindade ou mesmo professar opiniões ateias. Isto dependia inteiramente da pessoa, sem nenhuma pressão ou estigma social associados à decisão. Na sociedade Viking, pessoas, famílias e grupos a quem estas são filiadas são julgadas pelos seus atos, e não apenas pelas crenças que professam.

Vida e Após Vida

[N.d.E. esta seção está amplamente desatualizada e incongruente com as visões mais recentes sobre o que os antigos germânicos pensavam do pós-vida. Consulte aqui]

Para os nórdicos, o aqui e agora era tão importante quanto a vida após a morte, contrastando com a atitude de muitos cristãos que regem suas vidas aqui de acordo com o conceito recebido sobre o além-mundo. O homem e a mulher nórdicos tinham consciência sobre a vida futura e consideravam favorável a sua perspectiva; certamente mais favorável do que a da desonra na forma mortal. Correndo o risco de parecer repetitivo, devo dizer que eram pessoas pragmáticas, prontas e dispostas a agirem da melhor maneira possível em qualquer situação, natural ou sobrenatural.

Se você fez o melhor aqui, então haveria um lugar para você no Valhalla no futuro, comendo carne de javali (singular porcus, especie de porco selvagem) e bebendo hidromel e à vontade. A posição da mulher neste céu dos guerreiros nunca ficou clara nos textos sobreviventes, mas não há nenhuma razão para pensar que às mulheres Vikings, tão próximas aos seus homens até mesmo em combates, fosse negada uma participação equivalente na vida após a morte. Se as duas obras fossem insignificantes ou sem valor, então você poderia terminar no Hel. Mas isso não era uma punição em si; até mesmo o deus Baldr, o Puro, o Brilhante e mais justo dos Deuses, acabou no Hel antes do Ragnarok, o Juízo final dos deuses. Significava simplesmente que você precisaria esforçar-se por encontrar um lugar na Valhöll, realizando na vida após a morte o que não havia feito enquanto estava em uma encarnação corpórea. Hel nem sempre era um lugar de punição. Nos textos relacionados a Baldr, ele e descrito como lugar tranquilo e de descanso. Muito embora após a invasão da cultura cristã em terras nórdicas, Hel passou a ser comparado com o inferno cristão e foi precursor da palavra inglesa Hell que quer dizer inferno. Em Ásgarðr há doze casas de doze divindades, nestas se incluem o Salão de Lorde Odin e o Salão de Lady Freyja. Ambas as duas tem recebido herois mortos em batalha pois Odin reparte com Lady Freyja sua cota dos Einhejar (Lit. Herois, mas aqui é referente aos Herois mortos). É dito nos mitos nórdicos que uma pessoa que teve uma vida mais caracterizada pelo vicio do que pela virtude, esta condenada a passar sua vida seguinte em um lugar depressivo e tedioso em Hel enquanto que uma pessoa virtuosa poderia ficar em um lugar melhor em Hel e se seus feitos fossem notáveis, ficaria em uma das doze casas de Ásgarðr.

O Efeito do Cristianismo

A chegada do cristianismo ao Norte foi um processo lento. A primeira a ser cristianizada foi a Inglaterra. Após a retirada romana, o pragmatismo dos invasores, aliado à sua natural tolerância, permitiu sua permanência e seu crescimento. Estabelecida a condição de aceitarem o primsigning, que pode ser descrito como a promessa de pensar a respeito de eventualmente se tornarem cristãos, os comerciantes vikings estavam aptos a negociar com os cristãos. Esta foi uma prática amplamente adotada para o comércio com os ingleses que, apesar de conviverem há mais tempo com a nova fé, retinham o suficiente do seu pragmatismo nórdico original para considerar a flexibilidade como uma virtude, quando havia benefícios que dela poderiam resultar, não hesitando em empregar qualquer coisa que pudesse trazer vantagens mútuas. Como na Inglaterra de hoje, onde existe uma religião estatal e uma variedade de crenças particulares, séculos após a conquista normanda, o pragmatismo nórdico ainda estava, na surdina, muito vivo.

Na Escandinávia, entretanto, as coisas demoraram muito mais, com a posição do hvitakrist, o Cristo Branco, só se fixando realmente após a Batalha de Stildestad, em 1030, quando a morte do rei Olaf e sua subsequente canonização deram às terras nórdicas o seu primeiro santo nativo. Em essência, o próprio advento do cristianismo era fortemente fundamentalista, com personalidades como o rei Olaf Trygvarsson da Noruega exigindo literalmente à ponta de espada a conversão de seus contemporâneos, chegando a matar mais de 4000 noruegueses em seu próprio pais, isto sem falar nos mortos devido a diversos acordos de paz que foram traidos pelo próprio Olaf. Em 995, Olaf converteu os habitantes das ilhas Órcadas convidando Earl Sigurd e o seu jovem filho Hindius para encontrá-lo a bordo de seu navio, ancorado perto de South Ronaldsay. Uma vez a bordo, Sigurd só concordou em aceitar a nova crença após Olaf ameaçar matar o seu filho. Posteriormente, a técnica da conversão favorita de Olaf, ameaçando as vidas de seus reféns, desempenhou um intenso papel na conversão da Islândia, em 4 de junho de 1000. Mesmo aí o pragmatismo nórdico exerceu a sua função, sendo permitido que, privadamente, a antiga religião tivesse continuidade e que muitos dos chefes de clã presentes à conversão adiassem o batismo com água fria, preferindo recorrer às normas nascentes no caminho de casa. Desse modo, os antigos deuses renderam-se ao sono e não à exterminação, como o seu atual redespertar tem comprovado pois, a Islândia foi um pais tolerante e os mitos e estorias, e lendas das épocas pagãs foram deixadas isentas da queima e destruição para acender as chamas da crença nas gerações seguintes. A Islândia uma vez mais reconheceu o Paganismo Nórdico como uma religião legitima e legal e adotou oficialmente o paganismo nórdico (Ásatrú) como uma segunda religião estatal em 1972 sob pressão do famoso poeta e Goði Islandês, Sveinbjörn Beinteinsson, e os outros países do norte estão começando a seguir o exemplo pois, desde meados de 1970, a religião tem estado sob um período de rápido crescimento nos países formalmente Nórdicos, na Europa e América do Norte. Uma restauração de nossa antiga fé é como um total florescer na America e com uma poderosa semente plantada no Brasil e América do Sul. Esta antiga religião Pagã foi conhecida como Ásatrú, uma palavra do Nórdico Clássico que significa Troth (lealdade) para com os Deuses, e a Ásatrú moderna é nada menos que o completo reavivamento da antiga religião Pagã Nórdica.

No que diz respeito a qualquer pessoa que esteja tentando reconstituir o período, o cristianismo trouxe para o norte tanto uma bênção quanto uma maldição. Antes de sua chegada, a capacidade de escrever estava reservada àqueles que tinham competência para ler e escrever as runas. Entretanto, com o seu advento, chegou o monkalpha ou alfabeto latino e, pela primeira vez desde que Tacitus escrevera a Germania nos últimos anos do primeiro século da Era Comum, foram feitos relatos escritos. Dessa forma, garantiu-se a sobrevivência de uma grande quantidade de informação e de literatura, mas, em muitos casos, o material foi preservado duzentos ou trezentos anos após a sua composição original e com uma nódoa cristã permeando a sua essência setentrional. Isto precisa ser identificado, ou mesmo erradicado, antes que determinadas informações práticas sobre religiões e costumes mágicos possam ser reconstituidas com exatidão, ao invés de se tentar utilizá-las diretamente. Um bom exemplo é a humanização dos deuses e deusas nos capítulos iniciais da Ynglinga Saga de Snorri Sturluson, onde os mitos se transformaram em pseudo-história para a edificação dos leitores cristãos e onde Odin, Frigg e outros aparecem como mortais.

As Mulheres na Sociedade Setentrional

[N.d.E.: infelizmente, as informações aqui sobre o papel da mulher necessitam de ampla revisão, por mais que eu mesmo quisesse que fosse verdade]

Ao lidarmos com dados históricos, pode parecer que um mito moderno está sendo perpetuado, já que até o momento não se tem mencionado o papel das mulheres na sociedade setentrional. Porém, assumir que elas eram insignificantes ou sem importância seria um terrível equívoco. Atrás de todo grande homem, de fato havia uma grande mulher, fosse ela mãe, amante, irmã, esposa ou mesmo mãe adotiva. As mulheres não eram apenas as pequenas donas de casa nas quais o mito as transformou. Da mesma maneira que deusas como Freyja, Frigg, Idunn, Sif e muitas outras exerceram funções importantes na mitologia e na religião do norte, as mulheres constituíram um aspecto vital da sociedade e da história setentrionais.

Desde a época de Tacitus até a de Snorri Sturluson, um período de mais de 1.100 anos, a mulher teve um papel influente que era bem recebido e respeitado pelos homens. A razão deste fato não ser muito conhecido nos dias de hoje é, basicamente, a de que a história registrada que trata desta época é proveniente das penas dos historiadores monásticos e o cristianismo sempre teve uma relação de amor e ódio com as mulheres, transformando-as ou em santas de gesso sem emoção ou em objetos de escárnio definitivamente amaldiçoados. Com certeza, para esses comentaristas, as mulheres nunca teriam permissão de ser influentes. Porém, apesar desse viés e do efeito obscurecedor através dos séculos, existe suficiente evidência sobrevivente para demonstrar que, no Norte, as mulheres tinham a devoção de seus homens e a consideração atingia o limite idealizado do cavalheirismo da Idade Média.

Se extirparmos as implicações históricas e sexistas às quais a mulher tem sido submetida, descobriremos uma cultura onde ela era completamente igual ao homem, possuindo bens por sua própria conta e sendo tratada com amor e respeito. O dote, hoje geralmente considerado como sendo trazido pela esposa para o marido, era dado pelo marido à esposa. A deusa Freya era a principal representante e mestra do Seiðr (xamanismo nordico), um dos ramos mais importantes e menos compreendidos da magia setentrional, sendo o próprio Odin o seu aluno mais conhecido. A total igualdade da mulher abrangia todos os níveis sociais e religiosos e, desde Tacitus, encontramos mulheres consideradas como possuidoras de um elemento de santidade e de um dom para profecia. O homem não só pedia o conselho da mulher como nem de longe menosprezava as suas respostas.

Infelizmente, até mesmo modernos representantes dos Mistérios do Norte podem ser encontrados propagando o papel inferior das mulheres, denegrindo assim suas substanciais realizações em outras áreas. Entretanto, com o objetivo de criar uma reconstituição equilibrada das práticas nórdicas, temos que reentrar em sua sociedade o máximo que nos for possível. A cultura da época estava baseada em um forte senso de liberdade, mas com a liberdade pessoal sendo equilibrada através de uma meticulosa avaliação da necessidade de responsabilidade e de auto-regulamento. A igualdade baseava-se no mérito, com os escravos tendo os seus direitos tanto quanto as suas obrigações e sendo permitido que possuíssem seus próprios bens. A única obrigação era oferecer uma parte da colheita para o patrão, o que os transformava em arrendatários e não em pessoas oprimidas e, muitas vezes, esmagadas, como os construtores de pirâmides do Egito.

A Imagem do Homem Nórdico

A imagem viking, tão apreciada pelos escritores de ficção, está baseada em três fatores importantes. Um é a terra habitada pelo povo: de invernos rigorosos, fiordes rochosos e águas geladas, que os impelia para o exterior à procura de aquisições territoriais. Outro é o viés cristão anteriormente mencionado, com a natureza pragmática dos povos setentrionais sendo lamentavelmente e, algumas vezes, deliberadamente mal-compreendida. A maioria dos ataques vikings começou como viagens de negócio, mas, se encontrassem covardes, podiam arrasá-los, embora fossem severamente contrários a fazê-lo. Afinal, esses miseráveis não pertenciam à mesma sociedade e cultura dos povos nórdicos.

Em especial, os vikings tinham, e ainda têm, a reputação de estupradores e saqueadores. Muito provavelmente, os estupros aconteceram como uma primitiva versão do marinheiro que tem uma mulher em cada porto, e não podemos esquecer que esses povos estavam entre os maiores navegantes da Idade Média. Ocasionalmente, o estupro homossexual era usado para envergonhar os inimigos. O saque era simplesmente o resultado da percepção de que as pessoas com as quais haviam planejado negociar eram fracas e poderiam ser roubadas impunemente. Mais uma vez, suas ações eram ditadas por simples pragmatismo. Como acontecia com todos os outros povos do mundo antigo, incluindo os altamente civilizados egípcios que sacrificavam os ruivos indisciplinados, qualquer coisa que se fizesse para as pessoas que não pertencessem à sua sociedade era aceitável e apropriada. Em consequência, não haveria nenhum débito cármico ou Jeová vingativo para apaziguar. Comportar-se do modo aceito pelos seus pares e não sentir nenhuma culpa, era exatamente como o domínio britânico fazia de vez em quando na índia.

Isso nos leva ao terceiro fator, a cultura em si. Ela era baseada na força. Pessoas de fora que se intrometiam eram tratadas com severidade e, muitas vezes, eficientemente, como até mesmo os romanos descobriram. Mesmo assim, como já sabe qualquer pessoa que a tenha estudado, também era uma cultura rica em arte e poesia, com ótima literatura e belos objetos que sobrevivem até hoje, muitos deles intimamente relacionados às runas. A escrita rúnica era muito mais do que um simples alfabeto. Denominá-la de uma Cabala do Norte é tanto um elogio quanto um desserviço, já que as diferenças superam as similaridades e que as culturas que geraram cada uma delas diferem enormemente. As runas são o âmago dos Mistérios do Norte.

Os Mistérios das Runas

Por: Godhi Meðal Mikit Stór-ljon Oddhinsson

[N.d.E.: Importantíssima observação: a parte abaixo possui várias incongruências históricas e não é exatamente confiável]

A palavra runa em si quer dizer mistério, segredo. Pode se referir aos caracteres magico-religiosos conquistados por Lorde Óðinn em seu autossacrifício na árvore axis-mundo Yggdrasil, como a um tipo especifico de canção ou poesia. A poesia rúnica predispõe não só de varias palavras de um jargão próprio, como também de uma métrica própria a tornando unica e notadamente individual. Na magia runica (gald magick), existe todo um sistema respiratório, físico e mental bastante semelhante a yoga, denominado de galdstâða. Existem muitos elementos em comum entre os altos misterios do tantrismo shivaista do hindusmo e a magia rúnica. Para compreender isto, é nescessario entender não apenas o povo nordico, mas toda a sua Antiga Religião como uma religião de natureza Indo-Europeia, gozando de raizes comuns com o Buddhismo, Hinduismo e o Druidismo dos Celtas. Seu uso é inclusive bastante semelhante aos caracteres do sânscrito. Uma linguagem sacra em que um texto sagrado, não apenas deve ser compreendido seu conteudo, mas meditado sobre a forma das letras compreendidas no texto e a inter-relação destas. A palavra gald é frequentemente associada a magia e consequentemente a Yoga runica. Semelhante ao sanscrito, que seu silabario pode ser usado na pratica de bija-mantram, é executado a pratica do gald. Gald quer dizer literalmente “O canto do Corvo”, e o corvo é também um animal associado a Oddhinn como um Sieg-ase ou uma divindade que concede a vitoria. Os antigos povos vikings viam o corvo sobrevoando os seus exércitos como um sinal auspicioso de vitoria, pois isto significava que os corvos sabiam que este exercito os alimentariam bem…


Texto Original: Bernard King (sujeito a muitas alterações devido a imprecisões historicas no texto original)
Correção ortográfica, de conteúdo, edição, adição e adaptação: Godhi Meðal Mikit Stór-Ljon Odðinnsson
Nota: Alguns comentários de certas divindades não estavam no texto original e foram acrescentadas. Dados incorretos ou imprecisos no texto original foram corrigidos e adaptados.
O comentário sobre as runas é do Godhi Meðal Mikit Stór-Ljon Odðinnsson.

Salve o Pai Excelso e Todos do Povo Sagrado
Salve os Aesires e Vanires
Salve os Elfos e Espiritos da Terra
Salve Sveinbjorñ Betteinsson e Godhi Medhal
Mikit Stór-Ljon Oddhinsson (In Memorian)
Salve a Todos da gente de nossa fé que são realmente VERDADEIROS e na Clássica
TRADIÇÃO (FORN SED)