Rán

Ran

Origem do nome

O nome da deusa tem como fonte mais provável o Nórdico Antigo rán ‎(“roubo, furto”), do Proto-Germânico *rahna-. Cognatos incluem o Sueco rån e Dinamarquês ran, ambos com o mesmo significado [1].

Parentesco

Rán é referida como esposa de Ægir, e mãe das nove ondinas. É considerada em geral como uma deusa Vanir, assim como seu esposo. Todavia, há quem considere ou um ou ambos como jötnar (gigantes) marinhos.

“Ran” (1901) por Johannes Gehrts.

Atributos

À primeira vista a etimologia do nome de Rán parece contraditório para uma deusa marítima. Mas os Vanires marinhos e suas filhas estavam, a exceção de Njord, ligados às tragédias, como nos diz Snorri Sturluson no Skáldskaparmál: “Então os Æsir se tornaram cientes disso, que Rán possuía uma rede, que ela apanhava todos os homens, quando viessem ao mar”. Logo, a relação se demonstra: Rán e sua família puxavam as embarcações para o fundo do oceano, onde retinham o ouro dos viajantes (usados como decoração/fonte de luz em festas com os Aesir, por exemplo), e possivelmente empregavam os navegantes a seus serviços, uma vez que era comum aos marinheiros levarem ouro aos mares para, caso morressem, conseguir vantagens com esses deuses. Assim, Rán e seus próximos eram deuses temidos por compartilhar aspectos com deuses da morte (psychopomps), refletindo a pequenez que o humano do norte sentia perante à natureza ao se entregar às aventuras marinhas. O mar, por sua vez, também poderia ser chamado de “O caminho de Ran”. Também era conhecida como de Deusa Marinha das Tempestades pois descarregava sua fúria nas águas quando algum marinheiro não tratava bem seu marido ou filhas.

Segundo outras fontes incertas, ainda era considerada a deusa do submundo e dos elfos escuros, sendo essa última opção possível se por “svartálfar” ou “dókkalfar” identificarmos os anões, criaturas ávidas por ouro.

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História

De extrema beleza e talento musical, ela tem o dom da sedução, da magia e da transmutação. Rán poderia ser figurada como uma mulher forte, com cabelos de algas marinhas e colares de ouro e que segurava, com uma das mãos, o leme do barco, pois com a outra, recolhia, em sua rede, os afogados, levando-os depois para seu reino no fundo do oceano, para além do redemoinho do Mar do Norte.

Alguns a retratam como metade peixe, metade humanóide [2].

Mas a boa acolhida (ou não) nos salões submarinos, como vimos, dependia do ouro que você levava para o fundo do mar junto com sua vida. Como havia a crença de que os afogados recebiam de Ran a permissão para assistir seus enterros, as famílias acreditavam que, se vissem seus fantasmas no sepultamento, isso significava que eles estavam bem, sob os cuidados da deusa em seu palácio (assim, consequentemente não vão para o Valhalla ou Hel).

Rán esculpida na fragata Jylland (cerca de 1858)

Rán esculpida na fragata Jylland (cerca de 1858)

Muito pouco restou em fontes contemporâneas sobre Rán. Ela é apenas ligeiramente mencionada em alguns poucos poemas skáldicos, como no Skáldskaparmál, sempre de maneira breve e pouco clarificadora. É inexistente na poesia eddaica.

Mas aparece, por exemplo, na literatura, no primeiro livro das Crônicas Saxônicas, de Bernard Cornwell, de maneira mais ou menos alterada, apesar de preservar a essência da natureza da deusa:

“A frota de Guthrum se foi. Njord veio das profundezas, Ubba Lothbrokson, e arrastou a frota de Guthrum para o leito do mar. Todos aqueles homens corajosos se foram para Ran e Aegir. — Ran era a esposa de Njord, e Aegir o gigante que guardava as almas dos homens afogados. Peguei meu amuleto de martelo e o segurei. — Falo a verdade, senhor Ubba. Eu vi aquela frota morrer e vi os homens afundando sob as ondas.”

Na mesma série de Bernard Cornwell (romance, não deve ser usado como fonte histórica, embora reflita um pouco a origem do mito) descreve-se que Rán é muito vaidosa e quando os personagens atravessam um mar em tempestade, rezam a ela dizendo-a que é linda e que todos os deuses e homens a desejam, e então ela ouvindo, para pra se olhar no espelho, e assim o mar diminui sua fúria e a tempestade se acalma [3].

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Ran costuma afogar os marinheiros que não aceitam ser maridos de suas filhas.


Fontes:
[1] https://en.wiktionary.org/wiki/r%C3%A1n#Old_Norse
[2] http://www.lokis-mythologie.de/ran.html
[3] https://www.facebook.com/AsatruML/photos/a.312043708990875.1073741827.312041368991109/398521043676474/