Nerthus



Nerthus

Seu nome, segundo alguns, vem da tradução ao latim de Njörðr por Tácito, em sua obra “De origine et situ Germanorum”. De acordo com outros tem raiz proto-indo-germânica (*Nerþus), sendo relacionada à virilidade (o que responderia sobre equívocos históricos relacionados ao seu gênero).

Outros nomes que Nerthus recebe são Hlodin, Eartha e Hertha. Ela é a mãe terra, representando a fertilidade da terra cultivada. Possuía um carro que era puxado por duas vacas, o qual alguns tendem a relacionar com a vaca primogênita da criação, Audumbla. Nerthus é uma das primeiras deusas dos povos germânicos, e segundo outros estudiosos é a esposa de Njordr.

“Nerthus, principal deusa dos Anglos, é identificada com Niærth ou Niorðr, principal deus de algumas tribos escandinavas. O primeiro nome é o exato estágio linguístico mais antigo do último.

Niorðr é casado com sua própria irmã; eles têm um filho Freyr e uma filha Freyja, que em tempos posteriores herdam o lugar dos pais. Este par secundário de divindades é como uma ”emanação” do primeiro”[1].
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Sua festividade se realizava na primavera na qual se fazia uma procissão com um carro, ao qual só tinha acesso o sacerdote principal do culto. Deve-se destacar que este culto pode ser originado na idade da pedra.

Nas localidades saxãs também era adorada como mãe terra, mas na realidade não era uma deusa saxã, pela qual se relacionaria com Tuisto (deus nascido da terra).

Na obra de Tácito, Gemânia C. 40, conseguimos as seguintes informações:

Quanto aos Lombardos pouco são encarecidos: cercados de numerosas e valorosas nações, eles se mantêm em meio de combates e quase periclitam. Os Reudignos em seguida e os Avinhões os Anglos e os Varinos e os Eudósos e os Suardões e os Nuitões são defendidos pelos rios ou florestas. Nada de notável possuem em particular, ainda que em geral adorem Herta, que significa a mãe Terra, que intervém segundo acreditam nas coisas humanas e visita os povos.

Em uma ilha do Oceano há um bosque chamado Casto e há nele consagrada à deusa um carro coberto com um véu; apenas a um certo sacerdote é permitido tocá-lo. Ele sabe quando a deusa está em seu santuário e com profunda veneração (unção) a acompanha quando ela vai puxada por novilhos. Aqueles dias então são de alegria, estão em festas os lugares, quaisquer que a deusa considere dignos de sua vinda e visita( hospedagem).

Não vão à guerra, não pegam em armas; todo o ferro fica guardado (fechado); a paz e o repouso apenas são observados, então somente são amados, até que o mesmo sacerdote retorne ao santuário com a deusa, saciada da companhia dos mortais (homens).

Depois o veículo (carro), o véu e se quereis crer, a própria deusa, são lavados em um lago secreto; servem ao cerimonial escravos que ao depois o próprio lago consome (absorve). Do que um terror secreto e uma santa ignorância acerca da natureza do mistério que somente é desvendado aos que vão perecer (morrer)[2].

Nerthus-Polly

O papel atual de Nerthus na mitologia nórdica tem sido muito limitado, pois como deusa pertence aos Vanir e de forma paradoxal toma o papel de mãe, irmã e amante de Njord, o qual tem muitas características dela, sendo então substituída por ele como deusa da terra fértil em muitas ocasiões. Seu cargo de Mãe Terra é ocupado pela giganta Jord, mãe de Thor (este, por sua vez, associado às chuvas).


~Black Berserker