Introdução ao Paganismo Nórdico

Introdução

Heathenry (Paganismo Germânico)

Heathenry, que pode ser traduzido em português como “paganismo germânico” é um termo usado para descrever as práticas religiosas de dois grupos principais de pessoas, um histórico e um moderno.

Os pagãos germânicos originais eram os povos pré-cristãos do norte europeu que viveram há mil ou mais anos nas terras em torno do que agora é chamado Mar do Norte. Estes incluíram os povos da Inglaterra anglo-saxã, da Escandinávia, da Alemanha, da Frisia (Friesland), e tardiamente também da Islândia.

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Áreas principais que historicamente abrigaram populações de cultura, idioma e religião germânicas.

Os grupos pagãos germânicos modernos, também chamados de heathens, em todo o mundo estão revivendo essas velhas práticas e chamam suas religiões por vários nomes, incluindo Ásatrú, Tradição do Norte, Odinismo, Forn Sed, Reconstrucionismo Pagão Germânico ou, simplesmente, Heathenry. É válido destacar que esses termos não são aleatórios e intercambiáveis, representando na verdade diversos movimentos com ideias e propósitos diferentes, que têm em comum o antigo paganismo dos povos germânicos como fonte, e dificilmente muito mais do que isso. Na Islândia, que não se converteu ao cristianismo até o século XI, o Heathenry voltou a se tornar uma religião oficial (nacionalmente reconhecida), bem como na Suécia e Dinamarca.

Os heathens trabalham para construir relacionamentos saudáveis com deuses e deusas, antepassados, espíritos da terra e outros em suas comunidades, tanto por meio de ritos sagrados como por meio de suas ações diárias.

Fontes

Existem fontes literárias que nos dizem como o Heathenry foi praticado antes do advento do cristianismo. As principais fontes incluem as Eddas e Sagas da Islândia medieval, a poesia anglo-saxônica, as obras do monge inglês do século VIII, São Beda, e a “Germânia” pelo historiador romano Tácito. Nenhuma delas possui caráter autoritativo, como uma Bíblia ou texto canônico, todavia.

Embora a maioria delas tenha sido escrita nos tempos cristãos, essas fontes registram as crenças e práticas religiosas de uma cultura que existia antes do cristianismo chegar ao norte da Europa. A evidência arqueológica continua a ser descoberta que apoia esta imagem da religião pagã obtida a partir de literatura clássica e medieval.

Existem ainda diversos estudiosos contemporâneos que analisam esses textos antigos e ajudam a clarificar o que de fato era essa religião, até quanto possível, fazendo crítica das fontes, destacando o que pode ser influência cristã e tardia, tais como Hilda Roderick Ellis, Gabriel Turville-Petre, Terry Gunnell, John Lindow, dentre vários outros, além do brasileiro Johnni Langer e seu núcleo de estudos (NEVE).

Outros autores, restritos à religião e com menos reconhecimento acadêmico são bastante influentes, embora suas obras nem sempre possam ser verificadas historicamente.

Paralelamente às fontes históricas, os modernos Heathens experimentam a sua própria experiência pessoal, a compreensão de sua religião vivida hoje, e seu próprio relacionamento com seus ancestrais, deuses e vaetts da casa e da terra.

Deuses e outros seres

O Heathenry, como todas as antigas religiões pagãs europeias, é politeísta e reconhece um grande número de deuses e outras entidades espirituais. Embora os deuses pagãos sejam mais conhecidos pela mitologia nórdica (e muitas vezes chamados por versões anglicizadas de seus nomes em nórdico antigo), eles foram homenageados por muitos povos fora da Escandinávia. Por exemplo, o deus conhecido pelas primeiras tribos germânicas como *Wodanaz (o asterisco indica que o nome foi reconstruído por comparação, e não atestado em forma escrita) tornou-se Óðinn no nórdico antigo, Wóden em inglês antigo (anglo-saxão) e em saxão antigo, Wuotan no alto-alemão antigo, o qual é divindade chamada de Odin na atualidade. Alguns dos mais conhecidos deuses heathens estão consagrados nos dias da semana em países que falam idiomas germânicos. Tuesday (terça-feira) é nomeado após Tiw (Týr), Wednesday (quarta-feira) após Wóden (Odin), Thursday (quinta-feira) após Thunor (Thor) e Friday (sexta-feira) após a deusa Frige (Frigg-Freyja).

Além dos “deuses maiores” mais conhecidos, os nomes de vários deuses locais ou tribais são conhecidos através da literatura medieval, genealogias, inscrições rúnicas e pedras votivas, tais como Seaxnéat, Gautr, Francus, Baduhenna e o culto celto-germânico das matronae. A maioria dos heathens escolheu honrar ativamente um subconjunto de deuses com quem desenvolveram relacionamentos pessoais, embora as oferendas também sejam muitas vezes feitas “a todos os deuses e deusas”. Os pagãos se relacionam com seus deuses como personalidades complexas as quais cada uma tem muitos atributos e talentos diferentes. Por exemplo, enquanto que Thor é popularmente conhecido fora dos círculos pagãos como o poderoso Deus do Trovão, na poesia das Eddas, ele é chamado por nomes como Pensador Profundo, Aquele que Deseja Bem aos Homens e Thor Consagrador, revelando um lado mais gentil para sua natureza.

Além dos deuses, os heathens reconhecem e se relacionam com uma grande variedade de seres espirituais ou ‘vaetts’. Estes incluem as Norns – que são três entidades femininas que tecem a teia da wyrd – e as Dísir – que são espíritos ancestrais femininos ligados a uma tribo, família ou indivíduo. Heathens também relacioname-se com o “povo escondido”, como elfos, brownies, anões e etins (gigantes e outras pessoas não tão agradáveis). Eles interagem com os vaetts da casa que vivem em seus lares e os vaettir da terra que ocupam características da paisagem, como árvores, pedras, córregos, montanhas, florestas ou campos. Ter um relacionamento com os vaetts da terra é uma característica importante da religião heathen, e os rituais pagãos ao ar livre não serão realizados até que a permissão desses vaetts da terra seja procurada e obtida.

Outra característica da religião heathen é o respeito dado aos antepassados em geral. Estes podem ser os antepassados literais de uma pessoa, seus avós, tios, pais, etc., ou podem ser pessoas agora mortas que as inspiraram de alguma maneira, tais como heróis lendários ou pessoas que fizeram feitos admirados durante a vida. A esses antepassados podem ser feitos altares no lar com suas fotos e pertences, deixadas oferendas do que eles gostavam em vida, seus atos podem ser cantados em reuniões e outras mídias atuais, e seu culto não tem menos importância que o dos deuses ou vaetts.

Os deuses nórdicos na história

Carolyne Larrington, tutora em inglês medieval no St. John’s College, Oxford; Heather O’Donoghue, Vigfusson Rausing, leitor de literatura islandesa antiga no Departamento de inglês da Universidade de Oxford e John Hines, professor de arqueologia da Universidade de Cardiff, discutem o papel da teologia e dos deuses na vida cotidiana dos nórdicos da era viking.

Estrutura

Não existem autoridades centrais no Heathenry e nenhuma organização única à qual todos os heathens pertencem, embora existam organizações nacionais e internacionais criadas para facilitar a ligação em rede entre Heathens. Não há um sacerdócio amplamente reconhecido, embora às vezes os indivíduos possam ser reconhecidos como godhis e gydhjas (sacerdotes e sacerdotisas) dentro de suas próprias comunidades.

Muitos heathens pertencem a pequenos grupos constituídos por amigos e membros da família Heathen. Esses grupos às vezes são chamados de “lares” (hearths) ou “kindreds” e se reúnem para rituais religiosos nas casas dos membros ou em espaços ao ar livre. Alguns hearths e famílias têm líderes reconhecidos. Outros são inteiramente igualitários.

Ritos, festivais e práticas

Ritos e celebrações caseiros

A base da religião pagã é o culto do lar ou hearth. Em torno do fogo os humanos viveram a maior parte da sua história e ainda hoje ele é de função essencial na vida cotidiana. A lareira era um espaço sagrado, por propiciar a preparação da alimentação, proteção do frio, e espaço para reunião social. Em torno da lareira também ocorriam diversos ritos do lar, centrados nos deuses cultuados internamente pela família. Hoje muitas casas não possuem lareira, mas os heathens sempre que possível valorizam a manutenção de uma chama acesa ritualmente junto ao fogão onde ela foi acesa, onde podem deixar as ofertas para o vaett da casa e vaetts bem-vindos.

As ofertas também podem ser deixadas em um espaço no quintal ou terreiro ou ainda em locais com árvores como parques, e em geral consistem alimentos e bebidas, algo que se desfaça facilmente e não gere poluição.

As ofertas são uma forma de agradecer cotidianamente ao vaett do lar, deuses familiares, ancestrais, vaetts da terra que rodeiam a comunidade humana, pelo auxílio que eles dão ou uma forma de evitar problemas com esses seres. Consiste na forma mais básica de engajamento espiritual de um heathen ou hearth com esses seres que os heathens acreditam influenciar a vida humana cotidianamente, pra bem ou pro mal, a depender da forma como são tratados.

Ritos e celebrações públicos

Os principais ritos celebrados publicamente no Heathenry são chamados de blot e symbel. Grupos e indivíduos pagãos realizam festas e celebrações baseadas em torno do blot e symbel em ritos de passagem (como casamentos ou nomes de bebês), festivais sazonais, juramentos, ritos em homenagem a um deus ou deuses em particular e ritos de necessidade (em que deuses são solicitados para ajuda).

Um blot foi originalmente o sacrifício ritual de um animal para um ou mais deuses, elfos ou ancestrais. Uma festa seguiu depois em que a carne foi compartilhada entre os participantes. Blots foram realizados para honrar os deuses ou para ganhar seu favor para fins específicos como paz, vitória ou bom tempo de navegação.

Um blot moderno geralmente centra-se na oferta de comida ou bebida (comumente hidromel) aos ancestrais, vaetts ou deuses e tende a ser seguido por uma festa. Pode ser um rito simples ou um mais elaborado dependendo da finalidade do blot e do número de participantes. Em um blot interno onde a comida é oferecida, é comum colocar um lugar para o deus, ancestral ou elfo na mesa. Em um blot externo, as ofertas são muitas vezes jogadas no fogo. Sacríficios animais podem ocorrer dependendo da comunidade, mas a maioria dos grupos baniu essas práticas.

Symbel é uma cerimônia ritual de beber em que um ou mais chifres de beber ou outro tipo de copo ou taça são preenchidos com hidromel (ou outra bebida apropriada) e usados para brindar, fazer discursos ou juramentos. É comum que os Heathens modernos passem o(s) chifre(s) adiante para todos os que participam depois que o líquido é abençoado. A primeira rodada de bebida pode ser para os deuses, a segunda rodada para vaetts ou antepassados, e a terceira rodada pode ser para qualquer outra coisa que os Heathens reunidos desejem brindar. Pode haver muitas rodadas mais, ou o symbel pode parar depois de um número designado. Uma libação separada (oferta de bebida) pode ser dada aos deuses, aos vaetts da terra ou ao vaett do lar, ou alguns dos conteúdos do chifre podem ser derramados como uma oferta para eles.

Além de grandes ofertas aos deuses ou elfos, os heathens gostam de deixar presentes para seu povo escondido doméstico: os vaetts que vivem em seu jardim e casa. Para este propósito, muitos heathens mantêm uma tigela especial para deixar ofertas na casa de bolos e cerveja, ou podem deixar comida ou bebida em um pequeno altar de jardim ou perto dele.

Festivais

Diferentes comunidades e indivíduos heathens celebram diferentes ciclos de festivais sazonais com base em suas afiliações culturais, tradições locais e relacionamentos com deuses particulares. Não existe um calendário fixo das datas dos festivais heathens. Os três festivais heathens mais comumente celebrados são Noites de Inverno – geralmente celebrado em abril, Yule – um festival de doze dias que começa em torno do tempo do solstício de inverno e um festival para a deusa anglo-saxônica Eostre na primavera. As datas das comemorações são diferentes no hemisfério sul e no norte, uma vez que os eventos astronômicos e sazonais acontecem de maneira invertida.

Magia e visão do futuro

A magia e a vidência do futuro foram praticadas por alguns indivíduos dentro das antigas culturas heathens, e este também é o caso da comunidade heathen de hoje.

Algumas práticas mágicas do norte da Europa, revividas por Heathens, incluem a gravação de runas em talismãs e o canto de feitiços chamado galdor. Alguns Heathens também estão redescobrindo as práticas similares ao xamanismo do norte da Europa conhecidas como seidh. Em um ritual chamado ‘seidh oracular’, uma vidente ou adivinhadora responde perguntas ou dá conselhos aos participantes. Muitos Heathens modernos também praticam adivinhação rúnica, embora ela seja algo inventado na década de 80.

Embora a magia fosse parte da antiga cultura pagã, não fazia parte dos rituais religiosos do blot e do symbel. Portanto, não é visto como uma parte intrínseca da religião. Embora todos os heathens compartilhem uma crença na capacidade dos deuses de promulgar mudanças no mundo, nem todos acreditam na habilidade dos magos de fazê-lo. Em todo o caso, mesmo as divindades não são onipotentes e oniscientes, estando submetidas aos desígnios da wyrd.

Ética, crenças e outros caminhos

Wyrd

Um dos conceitos centrais no Heathenry é a wyrd, a teia que conecta tudo no universo ao longo do espaço e do tempo. Os heathens acreditam que todas as suas ações podem ter consequências de longo alcance através da teia da wyrd. Eles entendem quem eles são, onde estão e o que estão fazendo hoje é dependente das ações que eles e outros tomaram no passado, e que todas as escolhas que eles fazem no presente se baseiam nas que eles fizeram anteriormente.

Com uma compreensão de wyrd vem uma grande responsabilidade. Se sabemos que todas as ações que tomamos (ou não conseguimos tomar) terão implicações para nossas próprias escolhas futuras e para as futuras escolhas dos outros, temos a obrigação ética de pensar cuidadosamente sobre as possíveis consequências de tudo o que fazemos. Assim, uma das principais éticas do Heathenry é a de assumir a responsabilidade pelas próprias ações, sumarizada no ditado “nós somos os nossos atos”.

Fridh, valores e círculos tribais

Outra ideia central do Heathenry é a fridh, a manutenção da paz e da amizade dentro de um grupo social. Fridh é um laço que existe entre parentes de sangue ou juramentados, como um acordo de mútua proteção, irmandade sob toda e qualquer condição. As obrigações para com amigos, parentes e comunidades são levadas a sério pelos heathens.

A fridh cria dois grupos distintos: um, o innangardh, “círculo interno”, que compreende as pessoas com as quais um heathen tem laços de fridh, e o útangardh, o mundo externo que não está sob o laço de fridh e portanto não compartilha mesmos ritos, valores e costumes que o innangardh, e portanto não pertence às preocupações imediatas do heathen. Assim, uma fraternidade universal baseada na religião, como vista no cristianismo, não é uma ideia heathen.

Como muitos povos que vivem distantes em um clima severo, os heathens pré-cristãos colocam grande ênfase na hospitalidade, e isso ainda é valorizado pelos modernos Heathens. Um conceito relacionado é o ciclo de presentes, embora tanto a doação de presentes como a hospitalidade sejam limitadas pela reciprocidade, um princípio que os heathens consideram extremamente importante.

Através dos presentes, da manutenção da fridh e de atos valorosos os heathens conseguem reputação e maegen, que é uma força pessoal, tanto mágica quanto política, a qual altera a sorte pessoal e grupal. A sorte em si é vista como uma característica nada aleatória, mas inata, e essencial para todo e qualquer humano.

Como colocam muito valor na personalidade coletiva em vez da individual, a honra heathen é baseada na manutenção da fridh, em qualquer caso. Nos tempos antigos, para manter a honra era necessário que nenhum ato permanecesse impune, pois ferir um membro do grupo era um injúria para todos, o que podia acarretar longos feudos de sangue, os quais, todavia, podiam ser resolvidos com um wergild, uma espécie de compensação financeira por algum ato prejudicial, evitando assim o derramamento de sangue.

Nos dias atuais feudos de sangue não acontecem mais, mas a honra continua tendo o mesmo sentido, enquanto virtude coletiva e que implica na proteção e ajuda-mútua dentro de um grupo, para  a manutenção da fridh.

A linguagem simples, a honestidade e a franqueza também são importantes para os pagãos. Isso pode ser visto como parte de um sistema de valores baseado no valor pessoal, que evita engano e desonestidade para os membros do grupo social. Assim, os Heathens atribuem grande valor ao dar a palavra, e qualquer forma de juramento é levada extremamente a sério. Isso muitas vezes significa que heathens não assinariam seus nomes em algo, a menos que eles possam concordar com isso em letra e espírito.

Théaw é o nome que se dá ao conjunto de valores éticos, costumes religiosos e visão de mundo de um determinado innangardh. Cada grupo tem o seu théaw, embora entre os heathens eles sejam assemelhados e compartilhem vários pontos em comum. O théaw representa o conjunto de metas éticas, ações e comportamento esperado, bem como normas sociais e religiosas.

Espírito e vida após a morte

O Heathenry está focado na vida correta no aqui e agora e não coloca tanta ênfase na vida após a morte quanto outras religiões. Enquanto Valhalla – o salão de Odin – é popularmente visto como o equivalente nórdico ao céu, isso é um equívoco. De acordo com a mitologia registrada nas Eddas, Valhalla é apenas para guerreiros que morrem em batalha. Além disso, a metade desses guerreiros assassinados em batalha vão ao salão de Freyja e só então a metade final para o salão de Odin. Aqueles que se afogam no mar vão para o salão da deusa Ran. As pessoas que morrem de causas naturais vão para o salão da deusa Hel.

A maioria dos Heathens de hoje vê Hel como um lugar neutro onde eles serão reunidos com seus ancestrais, muito possivelmente sendo equivalente ao próprio solo onde os mortos são depositados, sendo esse o destino mais provável da maioria dos mortos.

As fontes não permitem uma reconstrução completa das visões escandinavas e anglo-saxãs pré-cristãs da alma. A ideia básica é que, diferente do cristianismo, não existia um conceito de alma unificado, mas composto de vários espíritos e seres quase que independentes entre si. Um conceito, no entanto, que ainda é mantido em histórias populares, é o da seguidora ou fylgia, a qual possuía uma forma animal. A fylgia foi pensada como sendo uma parte da pessoa que pode ser contatada durante a vida, mas que não seria fisicamente vista até pouco antes da morte. Ver a própria fylgia foi, de fato, um sinal do fim da própria vida.

Além disso havia a aettarfylgia, uma ancestral feminina que se ligava a um humano quando este nascia e o acompanhava até o fim de sua vida. O poder pessoal podia ser aumentado quanto mais aettarfylgias cada pessoa tivesse.

Hugr e munr seriam respectivamente memória e pensamento, e o próprio corpo material era também visto como parte da alma heathen.

Não existem relatos seguros sobre reencarnação, e não há nada que aponte para qualquer forma de evolução espiritual com vidas sucessivas através das fontes antigas. Alguns heathens modernos acreditam na continuação de parte (uma vez que a alma não era unificada) de uma pessoa através da reencarnação, enquanto outros não.

Heathenry e outras espiritualidades pagãs

Heathenry é uma religião viva baseada em fontes literárias, acadêmicas e arqueológicas para as práticas religiosas de uma cultura particular pré-cristã e estendida pelas relações dos pagãos modernos com seus ancestrais, deuses e espíritos locais além da comunidade humana ou innangardh ao seu redor. Difere da Wicca e de outros caminhos pagãos não reconstrucionistas do século XXI de vários modos. Talvez a principal diferença seja que os pagãos são “politeístas rigorosos”: eles honram um grande número de deuses individuais, deusas e outros seres espirituais que vêem como existentes independentemente dos humanos, embora comumente os vejam como manifestação consciente de eventos e elementos naturais, em harmonia com uma visão animista. E em comum com muitas religiões indígenas em todo o mundo, eles também honram seus antepassados.

Os heathens diferem dos wiccanos e muitos dos outros pagãos não reconstrucionistas modernos de muitas outras maneiras. Eles rejeitam o conceito de que todas as deusas são aspectos da “Deusa” e que todos os deuses são aspectos de seu consorte. Eles também rejeitam o conceito junguiano de deuses e deusas como arquétipos na mente inconsciente. Os festividades pagãs não seguem a “Roda dos Oito Festivais” baseada em solstícios e equinócios. Seus rituais não envolvem “círculos de magia” (casting circles) ou “quartos de invocação” (calling quarters).

A magia, da forma que é vista na Wicca, não é uma parte essencial ou central do Heathenry, e a maioria dos heathens não se consideram “bruxos” ou “bruxas”. A magia é uma parte natural da vida cotidiana e não carrega conotações fantásticas comuns em filmes de fantasia. Não há “graus de iniciação” dentro da religião heathen e nem “sumo-sacerdotes” ou “sumo-sacerdotisas”.

Apesar destas diferenças teológicas, muitos heathens estão envolvidos na comunidade pagã mais ampla por razões sociais e políticas.

Para conhecer mais:

Primeiros passos na Ásatrú

Plano de estudos do paganismo nórdico

Fonte:

http://www.bbc.co.uk/religion/religions/paganism/subdivisions/heathenry_1.shtml