Iðunn

Iðun (Idunna)

Origens do nome

O nome Idun, também tendo como variantes Idunn, Iduna, Idunna (do Nórdico Antigo Iðunn) contém na sua composição  “novamente” e unna “Para a plantação” (to yield) e pode ser rudemente traduzida como “A Renovadora”, “Aquela que Rejuvenesce”. Outra teoria aponta para o Proto-Indo-Europeu reconstruído *u̯eid-, “curvar”, “voltar”, ligado etimologicamente ainda a termos para “ver” e “conhecer”, mas *u̯eid- também liga-se a *u̯eik-, “força”, “energia” (em batalha, vitória); e unn como composto para derivar palavras femininas em Nórdico Antigo, sendo possível também “Aquela que dá força, energia” [1]. Lindow [1a] ainda oferece o significado “sempre jovem” para o nome da deusa.

Parentesco

Idunn era originalmente uma elfa, filha de Ivaldi e seria também irmã dos anões Brokk e Sindri. Por sua beleza, foi elevada a divindade, assim como outros deuses, como a Sól [2, 2a]. É listada no Nafnaþulur como uma Ásynjur, fazendo então parte do clã dos Aesir, sendo admitida em Asgaard e casando-se então com Bragi.

Atributos

Idun é retratada como a portadora e distribuidora das frutas que proporcionam a imortalidade, fornecendo a cada deus uma maçã por dia, vinda de seu cofre de madeira de freixo, que mantêm a juventude e força. Nos livros modernos de mitologia nórdica estas frutas são quase invariavelmente consideradas maçãs, o que não necessariamente acontecia na época heathen. A palavra em Nórdico Antigo para maçã é “epli”, e foi usada geralmente para representar qualquer fruta ou noz (a própria Idun foi transformada em noz por Loki para ser transportada após ser raptada por Thjazi).

É também identificada em alguns casos como a deusa da Primavera [3], sendo esposa de Bragi, o deus da poesia filho de Odin. Mas seria essencialmente uma deusa da juventude, relacionando-se à saúde (diferenciando-se de Eir, por exemplo, que é uma deusa curativa) e à beleza.

“Idunn” na série “Goddesses of the North”

História

Dada a sua importância para a mitologia nórdica e germânica, sabe-se relativamente pouco dela, como da maioria das deusas mulheres.

Provavelmente o elfo mais bonito e mais famoso que nós conhecemos foi até mesmo acolhido nos círculos dos deuses: Idun, a deusa da juventude. Ela encontra-se entre as mais belas das deusas. Mesmo na terra dos gigantes ainda elogia-se ela.

No fato de que os irmãos de Idunn são anões pode ser visto claramente quão próximos ainda os elfos luminosos e elfos negros estão relacionados” [4].

No Gylfaginning Sturluson diz o seguinte de Idun:

Ela guarda a caixa de maçãs que os deuses comem, quando eles envelhecem, para se tornarem jovens novamente, e assim continuará até o Ragnarökr (Destino dos Deuses).

“Nos vales habita a curiosa Dís, do freixo Yggdrasil caiu; da família dos Álfar, Iðunn era o nome dela, a mais jovem das velhas crianças de Ívaldi.

Mal ela suportou a queda de cima, abaixo da árvore branca onde encerra seu tronco; descontente ficou com a filha de Nörvi [Nörvi é o nome do pai de Nótt,a noite], acostumada com o agradável domicílio em casa.

Os Sigtívar [deuses] vêem a aflição de Nauma [parece ser outro nome para Idun] no lar do lobo; dão a ela uma pele de lobo, ela se cobriu dessa maneira, a disposição mudou, se deliciando em malícia, mudando a forma dela.

Viðrir [Odin] selecionou o guardião do Bifröst, do portador do sol de Gjallar [Heimdal] para investigar tudo o que ela sabia dos negócios do mundo; Bragi e Loftur [Loki]  foram testemunha.

Feitiços eles cantaram, lobos eles cavalgaram, Rögnir [Odin] e os Regin [deuses], na casa celestial, Óðinn ouviu no Hliðskjálf*; assistindo os viajantes em distantes jornadas.

O sábio [Heimdall] perguntou a servidora do hidromel [Idun], progênie dos deuses e seus sócios, se ela sabia a origem, duração, e fim do céu, do Hel, e do mundo.

Ela nada disse, nem foi Gefjun [que conhece os wyrds e örlögs] capaz de proferir uma palavra, nem expressar qualquer alegria; lágrimas rolaram; dos escudos da cabeça dela*, da poderosa foi tirada o poder”.

Nesse mito da queda de Idun de Yggdrasil simboliza a queda outonal das folhas, que jazem errantes e indefesas no chão nu frio até que elas são ocultadas da visão sob a neve, associada à pele de lobo enviada por Odin para mantê-los aquecidos, embora a pele de lobo possa significar também a proteção necessária para proteger do frio, de forma literal; e a cessação de canções dos pássaros é representada pela harpa silenciosa de Bragi [5]. Idun cumpre assim, na mitologia nórdica, o papel de deusa primaveril desempenhado pela Eostre/Ostara dos anglo-saxões.

idun and her appels

O seguinte mito encontra-se no Skáldskaparmál, e narra um dos momentos mais perigosos para os deuses: quando eles poderiam perder as maçãs que lhes conferiam rejuvenescimento:

“02 – O jötunn Þjazi rapta Iðunn.

Ele começou a estória no ponto onde três dos Æsir, Óðinn, Loki e Hoenir, partiram do lar e foram andar sobre as montanhas e desertos, e a comida era difícil de encontrar. Mas quando eles chegaram a um certo vale, eles viram um rebanho de bois, e pegaram um deles, e o colocou para cozinhar. Mas, quando eles pensaram que já devia estar cozinhado, eles apagaram o fogo e viram que não estava cozinhado. Uma segunda vez depois de um certo tempo, eles viram que ainda não tinha sido cozinhado. Eles foram se aconselhar juntos e perguntavam um ao outro como isso poderia acontecer.

Então eles ouviram uma voz saindo do carvalho acima deles, declarando que ele que se sentava ali disse que tinha causado a falta de virtude no fogo. Eles olharam para lá e ali se sentava uma águia; e não era pequena.

Então a águia disse: “Se vocês me alimentarem com o boi, então ele cozinhará no fogo.” Eles consentiram. Então ele flutuou da árvore e desceu para o fogo, e em seguida, primeiro tomou para si muitas coxas do boi, e ambos os ombros.

Então Loki ficou furioso, agarrou uma vareta grande, brandiu com toda sua força, e a conduziu no corpo da águia. A águia saltou violentamente com o bater das asas e voou, de forma que a vareta ficou presa nas costas da águia, e a mão de Loki estava na outra extremidade da vareta. A águia voou tão alto que os pés de Loki batia contra as montanhas, montões de pedra e árvores, e ele pensou que seus braços seriam cortados fora de seus ombros. Ele berrou alto, pedindo a águia urgentemente por paz; mas a águia declarou que Loki nunca seria solto, a menos que ele lhe desse a promessa de induzir Iðunn para que saísse de Ásgarðr com suas maçãs. Loki consentiu, e sendo imediatamente solto, foi até seus companheiros; e nada mais é contado de sua jornada, até que eles tinham chegado ao lar.

Mas no tempo marcado Loki atraiu Iðunn para fora de Ásgarðr em um certo bosque, dizendo que ele tinha encontrado tais maçãs que pareciam como as dela e de grande virtude, e rogou que ela estivesse com as suas maçãs para as comparar com aquelas. Então Þjazi o jötunn veio ali em forma de águia e levou Iðunn e voou embora com ela, para Þrymheimr o seu domicílio.

03 – Loki obtém Iðunn e Þjazi morre.

Mas o destino dos Æsir foi grave com o desaparecimento de Iðunn, e rapidamente eles se tornaram grisalhos e velhos. Então esses Æsir tomaram conselho junto, e cada um perguntava ao outro quem tinha sido o último a estar com Iðunn; e o último que tinha sido visto estado com ela e tinha saído de Ásgarðr era Loki. Logo depois Loki foi agarrado e trazido para a Þing, e foi ameaçado de morte ou torturas; quando ele ficou bem amedrontado, ele declarou que ele procuraria Iðunn em Jötunheimr, se Freyja emprestasse a ele a plumagem de falcão que ela possuía. E quando ele conseguiu a plumagem de falcão, ele voou ao norte para Jötunheimr, e chega a um certo dia ao lar de Þjazi, o jötunn. Þjazi estava remando no mar, mas Iðunn estava no lar sozinha: Loki a transformou em uma noz e agarrou ela em suas garras e voou ao máximo que pode. 

Agora Þjazi chego ao lar e Iðunn tinha sumido, ele tomou sua forma de águia e voou atrás de Loki, fazendo um poderoso som com suas asas em seu vôo com sua pressa. Mas quando os Æsir viram em que estado o falcão voava com a noz, e onde a águia estava voando, eles foram para fora de Ásgarðr e colocaram uma pilha de gravetos ali. Tão logo o falcão voou para a fortaleza, ele se deteve no muro do castelo; então os Æsir atiraram fogo nos gravetos. Mas a águia não conseguiu parar quando ele perdeu o falcão: as penas da águia pegaram fogo, e imediatamente seu vôo cessou. Então os Æsir foram para perto e mataram Þjazi, o jötunn dentro do Portão dos Æsir, e essa morte é extremamente famosa.

[…]

Quais são as referências para Iðunn? Assim, por chamar-la esposa de Bragi e guardiã das maçãs, e as maçãs de elixir da vida dos Æsir. Ela foi espólio do Jötunn Þjazi, assim como foi dito antes, quando ele a levou dos Æsir.

Depois dessa saga, Þjóðólfr de Hvín escreveu versos no Haustlöng.

Essa é a maneira correta de se referir aos Æsir: por chamar-los pelo nome de outro e se referir a ele por suas façanhas ou posses ou família.”.

De tal mito pode-se inferir que: a) as maçãs de Idunn não eram rejuvenescedoras por si mesmas; b) não era apenas o ato de depositá-las na caixa de freixo que as transformavam no “elixir”, pois se assim fosse, bastava roubar a caixa; c) logo Idunn era detentora de alguma espécie de poder especial ou magia que era capaz de passar para as maçãs, tornando-as rejuvenescedoras. Thjazi sabia disso quando exigiu como barganha para soltar Loki, pois teria sido muito mais fácil pedir simplesmente a caixa, se isso fosse o suficiente.

Viktor Rydberg sugeriu que Iðunn teria gerado Skaði quando estava com Þjazi, porque ele achou que ela teria ficado muito tempo na companhia do Jötunn, porque o poema Hautlöng afirma que os Deuses ficaram velhos e grisalhos com o sumiço da Deusa. Isso tem grande probabilidade de ser verdade, porém difícil de ser provado, por falta de evidência. Iðunn, segundo essa interpretação, representa o verão e Skaði o inverno. Snorri disse que Skaði foi até Ásgarðr vingar o pai que havia sido morto pelos Deuses, mas ela pode muito bem ter ido até lá para ser reconhecida como uma Deusa [6]. Há de se reconhecer que os deuses trataram a Skadi de maneira extremamente respeitosapacífica, apesar de seu pai ter roubado uma das deusas mais importantes para a manutenção de sua força, ainda tentando a compensar. Todos esses fatos soam de forma bem estranha para o incidente que envolve Skadi e seu pai, e fazem-nos questionar se ela não era algo mais que filha de um jötun inimigo.

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Iduna (1858) por Herman Wilhelm Bissen.

Na Lokasenna Idun toma parte na discussão com Loki quando este e seu marido Bragi discutiam:

Iðunn disse:

16 – “Eu digo, Bragi, para você pensa em nossas crianças, e todos os filhos queridos, e não alterne palavras com Loki no salão de Ægir.”

Loki disse:

17 – “Silêncio Iðunn! Eu digo que de todas as esposas, você é a mais temerária. Banhada, você embrulhou em seus braços o matador de seu irmão.”

Iðunn disse:

18 – “Eu não alterno palavras com você Loki no salão de Ægir. Eu acalmei Bragi, que está bêbado de cerveja, de forma que você dois não façam batalhas em fúria.”

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Idun apresenta-se como uma mulher ponderada — mas sofre uma terrível acusação. Pode ser mentira de Loki? Talvez. Mas a maior parte das coisas que ele ali revela são segredos que causam problemas aos deuses. Assumindo Idun como uma deusa primaveril nórdica, o significado dessas palavras pode ficar mais ameno: Loki diz que a deusa está banhada, e a primavera é o florescimento após o degelo invernal. A estação que a sucede é o verão, que é ‘morta’, substituída pelo outono; e no Skáldskaparmál, como sabemos, Idunn “cai” de Yggdrasil, representando a queda das folhas outonais. Desta forma isso poderia significar o ciclo das estações do ano [7].


Fontes:
[1] http://www.utexas.edu/cola/centers/lrc/ielex/PokornyMaster-X.html
[1a]LINDOW, John. Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs.
[2] https://www.facebook.com/GermanischeGoetterwelt/photos/a.294885767247442.62888.294601217275897/567107890025227/
[2a] Hrafnagalðr Óðins
[3] http://www.britannica.com/topic/Idun
[4] https://www.facebook.com/GermanischeGoetterwelt/photos/a.294885767247442.62888.294601217275897/567107890025227/
[5] http://www.historiavivens.eu/2/foliage_601345.html
[6] MOREIRA, Márcio Alessandro A. Genealogia dos deuses nórdicos
[7] http://www.cdcc.sc.usp.br/cda/aprendendo-basico/estacoes-do-ano/estacoes-do-ano.html