Gefjun

Gefjon

Origem do nome

Das formas reconstruídas do Proto-Germânico *gebaną ‎(“dar”), do Proto-Indo-Europeu *gʰab(ʰ)-, que deram origem ao verbo gefa em Nórdico Antigo com o mesmo significado. Desta forma Gefjon é “A doadora”, “Aquela que (nos) dá (o bem)”. Sugere-se ainda uma ligação com o verbo em Inglês Antigo ġeofon, palavra poética para “mar” ou “oceano” [1]. No Nórdico Antigo havia também a variante Gefion, no Islandês moderno é GefjunGjevjon no Norueguês [2]. Está relacionado ao epíteto Gefn (“doadora”) de Freyja, o que causa suspeitas se essas seriam ou não a mesma deusa, mas também é possível que Gefn fosse outra deusa protetora, cultuada por si mesma [3]. Lindow sugere ainda que seu nome poderia ter origem finlandesa, significando “vestido de noiva”, “enxoval” [3a].

Parentesco

Gefjon é uma das Ásynjur (deusas de Asgaard), sendo consideradas para alguns como pertencente a ambos os clãs Aesir e Vanir [3b]. teve um relacionamento (não podemos inferir se foi sexual, essencialmente) com o rei Gylfi. foi mãe de quatro bois por parte de um jötunn (gigante) não nomeado. Casou-se com o rei Scyld (ou Skjold).

Mas a seguinte genealogia é apresentada para Gefion, rainha de Skjælland e da Dinamarca situando seu nascimento em cerca de 241 em Hleithra, Jutlândia, na Dinamarca e sua morte em 263 (apenas 22 anos!) na cidade de Lejre, em Zealand no mesmo país  [4]: Filha do rei sueco Gylfe, esposa de Skjold Odinsson (filho de Odin), rei da Dinamarca, e mãe de Fridleif Skjoldsson.

Atributos

Gefjon é uma deusa da fertilidade, do arado, sendo especialmente importante no passado mítico da Dinamarca e Suécia, como criadora da ilha de Zealand. É uma deusa das mulheres que morrem virgens, mas também está associada à origem de famílias reais nórdicas. Conhece os destinos do mundo.

Gefjun

História

O que se sabe sobre Gefjon (ou Gefjun) é praticamente apenas o que Snorri Sturluson relata no Gylfaginning:

Gefjun é a quarta (das Ásynjur, deusas de Asgaard). Ela é uma virgem, e as mulheres que morrem solteiras servem a ela“.

Odin teria vindo da Ásia e se estabelecido no norte da Europa. Teria deixado domínios sobre controle de seus filhos e enviado Gefjon para conquistar novas terras [4a]. Ela chega então à corte do rei Gylfi, que é relatado no mesmo texto de Sturluson:

O rei Gylfi governava as terras que agora são chamadas Svíþjóð (Suécia). É dito que ele deu uma terra para ser arada em seu reino, o tamanho que quatro bois pudesse arar em um dia e uma noite, para uma mendiga como uma recompensa pelo modo que ela tinha entretido ele. Essa mulher, porém, era uma da família do Æsir; o nome dela era Gefjun. Do norte de Jötunheimr ela pegou quatro bois e colocou-os a canga para arar, mas esses eram filhos dela com um jötunn. O arado foi tão árduo e profundo que a terra se soltou e os bois a puxaram para o leste indo para o mar, parando em um certo canal. Lá Gefjun fixou a terra e deu-lhe um nome, chamando-a Selund. Mas o lugar onde a terra tinha sido rasgada virou posteriormente um lago. Que é agora conhecido em Svíþjóð como Lögrinn (Lago Mälar). E lá, as enseadas no Lögrinn corresponde aos promontórios em Selund. Como o poeta Bragi o Velho diz:

Gefjun puxou de Gylfi, contente, um profundo anel de terra (a ilha de Selund) de forma que dos rápidos puxadores (os bois) elevaram-se o mal cheiro:a extensão da Dinamarca. Os bois tinham oito estrelas das sobrancelhas (olhos) quando eles estavam puxando sua pilhagem, a ampla ilha de campos, e quatro cabeças“.

Na Lokasenna, Gefjon interfere na discussão entre Loki e Idunn, quando esta foi tentar acalmar seu esposo Bragi. Ali algumas características de Gefjon são apresentadas:

Gefjun disse:

19 – “Por que vocês dois Æsir estão atacando um ao outro com palavras que ferem. Loki é conhecido como um brincalhão e que ele detesta os deuses.”

Loki disse:

20 – “Silêncio Gefjun! Agora eu devo dizer, quem iludiu você em alegria. O garoto branco(1) deu para você um colar e você se deitou sobre ele.”

(1) Garoto branco parece indicar Heimdallr, mas pode se tratar de Skjölðr ou Gylfi, mas nada pode ser provado quem é esse personagem.

Óðinn disse:

21 – “Você esta louco Loki, fora de si, para provocar a fúria de Gefjun, eu acho que ela conhece os örlög(2) de todos os homens, da mesma maneira que Eu.”

(2) Örlög ("lei primaria") é o destino de cada ser, é o resultado de nossas ações, é a lei da causa e efeito.
Fonte de Gefion Endereço: Churchillparken, 1263 København K, Dinamarca

Fonte de Gefion Endereço: Churchillparken, 1263 København K, Dinamarca

Gefjon é considerada a protetora da Dinamarca, e há uma imponente estátua dela numa carruagem puxada por quatro bois no centro de Copenhagen; mas ela também é ligada a Suécia, de cuja terra ela cortou a ilha (Olhando para o mapa  do sudeste sueco, o formato do lago Mälaren corresponde exatamente ao da ilha). Na Ynglinga Saga conta-se que Gefjon teria casado com o lendário rei dinamarquês Scyld, filho de Odin, tornando-se os ancestrais da dinastia real chamada Scyldings. O nome do filho de Gefjon aparece em vários lugares da Dinamarca, e ela também tinha um santuário em Leire. Em algumas imagens gravadas no Período Viking aparece uma mulher segurando um arado puxado por quatro bois, possível alusão ao seu mito [5].

Gefjon 4

Compreendendo o mito — teria sido Gefjon uma deusa ou humana antes? É possível que tenha sido uma deusa enviada por Odin na forma humana. Mas é evidente que as duas descrições que Snorri dá de Gefjon são contraditórias. Ela é primeiro retratada ‘entretendo’ o rei Gylfi. Se fosse um entretenimento de natureza sexual não seria de forma alguma estranho à mitologia nórdica, mas não podemos afirmar categoricamente que foi isso. Todavia, Gefjon vai para Jotunheim, tem quatro filhos com um gigante, para cumprir a missão que lhe foi designada por Odin. Esse é o primeiro aspecto surpreendente de sua história, porque Gefjon, enquanto Ásynjur é uma deusa das virgens, às quais iriam para junto dela, se assim morressem. É possível que essa fosse sua função até ser designada a cumprir a missão que Odin lhe dara. O segundo aspecto que faz corroborar essa teoria de que ela não teria voltado para o Asgaard era de que ela se casa com Skjold, que é um filho humano de Odin. Assim ela teria trocado sua virgindade por um casamento com o filho do deus; sendo que após sua morte poderia ter voltado ao Asgaard e recuperado suas funções. Todavia, não há fontes para confirmar isso e suprir a nossa dúvida.

O segundo aspecto a discutir é a proximidade do nome de Gefjon com o de um dos epítetos de Freyja. Talvez isso fosse assim pois ambas eram deusas da fertilidade, e o verbo “gefa” na raíz do nome delas está ligado a esse “dar”, presente na imagem de ambas. Como já mencionado, todavia, há a possibilidade de que Gefn fosse uma deusa por si mesma, tendo sido assimilada mais tardiamente na literatura como apenas uma variante do nome de Freyja. Para tal teoria corroboraria a existência de, não uma, mas diversas divindades da fertilidade nórdicas. Mas as características básicas de ambas, Gefjon e Freyja, são, ao menos inicialmente, diversas: Gefjon é a deusa das donzelas, das mulheres que não tiveram relações sexuais. Freyja é a deusa quente, que usa de seu corpo e seduções para obter aquilo que deseja — é o oposto de Gefjon, mas só até certo ponto. Depois de encontrar-se com Gylfi, Gefjon age de uma forma que muito lembra os ardis sexuais de Freyja: tem relações com um gigante só para ter filhos os quais domestica e não é claro se nascem bois, mas pode ser que os transforma em serviçais bovinos: veja bem, tendo então usado de magia, exatamente como Freyja. Mas, para o argumento da magia, é de se assumir que, por um lado, Freyja ensinou seidr aos Aesir, então era de se esperar que ela não fosse mais a única a executá-las. Por outro lado, mesmo sabendo que as funções dos deuses nórdicos raramente são exclusivas (Týr é deus da guerra, assim como Odin, que, entre outras funções, é deus da poesia — mais propriamente das palavras —, como seu filho Bragi), é de se estranhar que uma deusa que era associada a aspectos virginais tenha usado seu corpo sexualmente de forma tão aberta para cumprir uma missão que lhe fora designada, tornando, assim, Gefjon uma deusa de características ímpares, dividindo seu mito em dois grandes momentos: um de “pureza virginal”, e outro de conquista, por meio de atitudes que envolviam o sexo, o que poderia estar relacionado às próprias etapas de cultivo da terra.

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Selo dinamarquês retratando Gefjon


Fontes:
[1] http://dankzij.blogspot.com.br/2012/02/as-grandes-senhoras-gefnor-doadora.html
[2] http://www.nordicnames.de/wiki/Gefjon
[3] http://www.nordicnames.de/wiki/Gefn
[3a] LINDOW, John. Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs
[3b] http://odinsvolk.ca/new/gods-goddesses/gefjon/
[4] http://www.geni.com/people/Gefion-Queen-of-Skj%C3%A6lland/5607165871520074826
[4a] https://www.genealogieonline.nl/stamboom-homs/I5607165871520074826.php
[5] http://dankzij.blogspot.com.br/2012/02/as-grandes-senhoras-gefnor-doadora.html