Fylgja

fylgia-maria-nil-imre

Fylgja (“seguidor”)” — pronuncia-se em português por filguia, plural “fylgjur” (filguiur) — “é uma palavra interessante, que pode significar muitas coisas. Geralmente, ela é associada com um animal que é, literalmente, uma entidade espiritual externa à pessoa, mas que é uma expressão ou parte da alma dela, que age e existe de forma separada mas não independente: a fylgja nasce e morre junto com a pessoa. Esse animal pode aparecer em sonhos para a pessoa, não consegue agir de forma independente, e em algumas sagas, ver sua fylgja enquanto acordado pode ser sinal de sua morte próxima. Algumas pessoas, também, conseguem ver a fylgja de outrem. Tudo isso é exceção à regra, veja, e não algo que acontece rotineiramente. A fylgja é a protetora, ela vai à sua frente, e te protege, de certa forma, da fylgja de seus inimigos. A fylgja pode também ser uma pessoa – a fylgjukona. Essa é profundamente diferente da fylgja-animal, pois é um ser completamente independente, é uma personificação da sorte mesmo, uma deusa ou entidade guardiã associada à família e não ao indivíduo, são externas e individualizadas. Nesse sentido ela ocupa mais ou menos o mesmo espaço da dísir – os espíritos ancestrais femininos de uma família – mas não exatamente: ela fica em algum lugar entre a fylgja animal e a dísir. A fylgjukona não pode ser controlada. Ela protege apenas a família que serve. A fylgja animal, como expressão da sorte individual mas externa à sua pessoa, não pode ser concedida nem ajudar a terceiros. Ambas são forças externas, agem de forma separada (no caso da fylgjukona, de forma independente, já que ela protege a família e não um indivíduo), e são sempre fêmeas ou mulheres. E de alguma forma, elas são relacionadas com a ideia de hamingja – a personificação da sorte familiar.”[1]

Ilustração: “Fylgia” por Maria Nil Imre

{Black Berserker}