Freyr

Freyr

Origem do Nome

Estudos etmológicos [1] associam o nome Frey (variante Freyr) ao Proto-Germânico *frawan, que, por sua vez, significa “senhor”. Frej era a forma variante em germânico, dinamarquês e sueco [2].

Freyr também podia ser chamado de Yngvi, que era possivelmente um cognato em Nórdico Antigo de ING. Yngvi-Freyr foi eternizado como um ancestral da família real sueca [3].

Algumas variantes do nome Yngvi: Yngvarr, Yngvildr, Ingvildr (Ancient Scandinavian), , Ingvar, Yngve (Dinamarquês), Ing (Mitologia Germânica), Ingvar, Ingvild, Yngvar, Yngve (Norueguês), Igor (Croata, Macedônio, Polonês, Russo, Sérvio e Esloveno), Ingvar, Yngve (Sueco).

Parentesco

Freyr é um deus do clã dos Vanir, provavelmente nascido em Vanaheim. É filho de Njörd e Nerthus e irmão gêmeo de Freyja; casado com a jötunn Gerda, com a qual teve o filho Fjölnir.

Atributos

Frey é uma das tantas divindades da fertilidade dos campos, associado também à virilidade e reprodução humana. É senhor, do reino de Ljösalfheim, reino dos elfos da luz, que são os responsáveis pelo crescimento da vegetação. Tal reino foi-lhe dado como presente com a queda de seu primeiro dente [4], e assim presume-se que essa era a morada do deus. Frey tem o poder de decidir quando a Sól deveria brilhar ou a chuva cair, e é invocado para se obter paz e abundância [5].

Frey

Frey segundo ilustração do Fate of the Norns

Freyr é um deus caracterizado pela beleza, força e virilidade, sendo representado em vários ídolos antigos e atuais com um pênis ereto e geralmente avantajado, por sua relação com a agricultura e fertilidade.

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Estátua antiga do deus Freyr encontrada em Rällinge, Suécia (Statens Historika Museum, Stockholm).

Possui uma espada mágica, forjada por anões, que move-se sozinha nos ares desferindo golpes mortais, o barco Skidbladnir (Skiðblaðnir — “montado a partir de pedaços de madeira fina“), que se dobra até caber no bolso quando não utilizado, e um javali dourado chamado Gullinbursti (pelos dourados), o qual foi criado e entregue como presente pelos anões.

Na Lokasenna são citados como seus servos Byggivr e Beyla, e, no Skirnismál, Skirnir.

História

Freyr foi um dos três deuses Vanir enviados a Asgaard como parte do trato da negociação de paz entre estes e os Aesir, após longo período de guerras entre as duas linhagens de deuses. Junto com ele foi seu pai Njordr e a irmã Freyja.

Em outro episódio, Skirnir é incumbido da missão de ir a Jotunheim conseguir o casamento de seu senhor com Gerda, oferecendo-lhe diversos presentes entre eles uma poderosa espada e maçãs douradas. A gigante não parece muito disposta a aceitar; todavia após ameaças de maldição acaba vendo-se obrigada a entregar-se em casamento ao deus da fertilidade. É muito importante lembrar que Gerda (Gerðr) é identificada também como uma deusa da Terra e o profundo simbolismo que tal casamento representa. A história é narrada no poema skaldico Skirnismál e no Gylfaginning de Snorri, da seguinte maneira:

“Há um homem chamado Gymir cuja esposa Aurboða era da família dos bergrisar. A filha deles é Gerðr, que é uma mulher extremamente bela. Um dia quando Freyr tinha ido para o Hliðskjálf e estava olhando o mundo inteiro afora, ele olhou perto do norte e viu um amplo lugar numa bela habitação. Para essa casa estava indo uma mulher; e, quando ela levantou seus braços para abrir a porta, eles iluminaram o céu e o mar, e o mundo inteiro foi iluminado por ela. Assim, pela presunção que ele tinha mostrado ao se sentar na sagrada cadeira, ele pagou caindo em profunda tristeza. Quando ele veio ao lar, ele não falou nem dormiu, nem bebeu nada, e ninguém ousou lhe falar.

Njörðr chamou o mensageiro de Freyr, Skírnir, e o mandou até Freyr e lhe perguntar por conta de quem ele estava tão bravo que não falava com ninguém. Skírnir disse que iria, mas não estava ansioso e disse que esperava uma resposta desagradável dele. Quando ele chegou até Freyr, ele perguntou por que estava tão abatido que não falava com ninguém. Então Freyr respondeu, dizendo que ele tinha visto uma linda mulher e por conta dela estava tão afligido que não viveria muito tempo se não conseguisse obtê-la. “E agora você deve ir” (ele disse), “e galanteie ela para mim e a traga aqui se o pai dela desejar ou não. Eu o recompensarei muito bem por isso”. Skírnir respondeu dizendo que iria nessa jornada, mas se Freyr emprestasse a ele sua espada, que era tão boa que combatia sozinha por si própria e Freyr concordou em lhe dar sua espada. Então Skírnir foi e galanteou a mulher para ele e obteve a promessa dela que, nove noites depois, ela viria a um lugar chamado Barri e ali se casaria com Freyr. Quando, porém, Skírnir contou a Freyr o resultado dessa missão, Freyr disse:

Uma noite é longa.

Duas mais longas.

Como eu poderei suportar três?

Frequentemente um mês parecia menos para mim que esperar a metade desse tempo, a noite de núpcias.

Essa foi a razão porque Freyr não tinha arma quando ele combateu com Beli mas ele o matou com um chifre de veado.”

Então Gangleri disse: “É muito estranho que um comandante como Freyr daria sua espada e ficaria sem uma tão boa. Foi uma grande desvantagem para ele quando ele combateu com o homem chamado Beli. Em minha fé, ele lamentou sua dádiva nessa ocasião.”

Então Hárr respondeu: “Foi um pequeno caso quando ele e Beli se encontraram. Freyr poderia ter-lo matado com suas mãos vazias. Mas um tempo chegará em que Freyr encontrará o pior por estar sem espada, quando os filhos de Múspell cavalgarem para saquear”.

Gravura rústica moderna simbolizando Freyr. Origem desconhecida.

Gravura rústica moderna simbolizando Freyr. Origem desconhecida.

Usualmente [6] interpreta-se que Skírnir seria a personificação do raio solar enviado do céu (Asgaard), por aquele que controla a Sól (Freyr) para a Terra (Gerd) e o encontro será no Barri (“na semente”).

Frey é retratado também como um importante rei da Suécia, o qual teve um reinado próspero e popular que sucedeu o de seu pai Njörd, que por sua vez sucedeu Odin. Ele erigiu um templo em Uppsala, e estabeleceu sua residência principal aí, instaurando o bem-estar na região, além de receber ofertas e sacrifícios materiais [7]. O filho que teve com Gerd, Fjölnir, tem o mesmo nome de um dos kennings de Odin nas Eddas.

Segundo a versão de Snorri para a morte de Frey, após sua morte os seus homens permaneceram com seu corpo e ocultando o seu falecimento por três anos. Quando os suecos enfim souberam do evento trágico, julgaram que a paz (friðr) de seu povo dependia da presença do corpo de Frey na região e, portanto, não o cremariam. Assim o declararam o deus veraldar (do mundo), e perenemente o fariam sacrifícios em busca de paz e prosperidade.

Tal história é bem similar à do rei Frotho (Fródi) III, contada por Saxo Grammaticus no Livro V do Gesta Danorum. E Fródi também foi amplamente associado à paz e prosperidade. Para estudiosos, é claro que ambas as figuras desempenharam o mesmo papel mitológico, e são provavelmente a mesma figura. De acordo com o Livro I do mesmo autor, o rei dinamarquês pré-histórico Hadingus executou um sacrifício a Frø (Frey) e estabeleceu um sacrifício anual ao deus chamado pelos suecos de Frøblót.

Clique aqui para assistir à cena do sacrífico a Freyr extraída da terceira temporada do seriado Vikings.

Outra versão para a morte do deus é relatada na batalha entre Freyr e Surt na Völuspá, estrofe 53, durante o Ragnarök. No Gylfaginning Snorri retrata Freyr na mesma luta com sua espada mágica; mas era de se esperar que ele estivesse sem ela pois a empenhou como dote em seu casamento. Mas, também segundo Snorri, Freyr havia enfrentado o gigante Beli sem espada e o vencido usando como arma um chifre de veado.

The Norse God Freyr rides upon Gullinbursti, the golden boar, into battle at Ragnarok, but behind him approaches his doom, Surt the mighty giant king of Muspelheim, the land of fire.

Freyr montando Gullinbursti na batalha de Ragnarok, contra seu último inimigo, o gigante de fogo Surtr.

Watercolor Illustration

Freyr retratado em aquarela com seu javali dourado e o chifre de veado que usou como arma.


Fontes:
[1] http://www.etymonline.com/index.php?allowed_in_frame=0&search=Frey&searchmode=none
[2] http://www.behindthename.com/name/frej
[3] http://www.behindthename.com/name/yngvi
[4] Grímnismál, estrofe 5.
[5] STURLUSON, Snorri. Gylfaginning.
[6] LINDOW, John. Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs.
[7] STURLUSON, Snorri. Ynglinga Saga, capítulo 10.