Encantamentos de Merseburgo

Versão em português por Daniel Seaxdēor

Esses dois encantamentos poéticos, escritos em versos aliterativos, foram encontrados em 1841 por George Waitz entre os tesouros literários da Catedral de Merseburg na folha 84a do Manuscrito em Pergaminho nº 68. Embora o próprio manuscrito seja datado do século X, a linguagem, o estilo e a métrica dentro do documento indica uma data anterior. Seu principal significado reside na preservação de oito nomes das antigas divindades germânicas, muitas com contrapartes diretas na Eddas em Prosa e Poética. Os Merseburger Zauber ou Merseburg Charms foram publicados pela primeira vez em um artigo de Jacob Grimm lido diante da Real Academia das Ciências [Konigl. Akademie der Wissenschaften] em Berlim em 3 de fevereiro de 1842.

A seguinte tradução é feita a partir de versões comparadas do inglês moderno e alemão, e guiadas pelo texto original em alto alemão antigo.

Página original do documento
Página original do documento

Primeiro encantamento

Texto original:

Eiris sâzun idisi, sâzun hêra duoder.
suma hapt heptidun, suma heri lezidun,
suma clûbôdun umbi cuoniouuidi:
insprinc haptbandum, inuar uîgandun !

Tradução ao português:

Versão 1:

Uma vez que as Idisi estabeleceram, para este e aquele lugar;
Algumas fixaram grilhões; algumas impediram a horda,
Algumas soltaram os laços dos corajosos –
Salte dos grilhões! Escape dos inimigos!

Ou

Versão 2:

Uma vez mulheres sentaram-se,
Elas sentaram-se aqui, depois lá.
Algumas ataram laços,
Algumas impediram um exército,
Algumas desfizeram grilhões:
Escape dos laços,
fuja do inimigo!

Optei por deixar as duas traduções pois o texto parece lidar com uma ambiguidade própria do idioma original, que não poderia ser reproduzida por completo em um único textos.

Versão inglesa:

Once the Idisi set forth,
to this place and that;
Some fastened fetters;
some hindered the horde,
Some loosed the bonds from the brave —
Leap forth from the fetters!
Escape from the foes!

Versão alemã:

Einst setzten sich Jungfrauen/Idisen, setzten sich hierher…
Manche hefteten Haft, manche hemmten das Heer.
Einige zerrten an den Fesseln.
Entspring den Haftbanden, entfahr den Feinden!

Segundo Encantamento

Emil Doepler, Wodan cura o cavalo de Baldur, 1907. Baseado no Segundo Encantamento de Merseburgo.
Emil Doepler, Wodan cura o cavalo de Baldur, 1907. Baseado no Segundo Encantamento de Merseburgo.

Texto original:

Phol ende Uuôdan uuorun zi holza.
Dû uuart demo Balderes uolon sîn uuoz birenkit.
thû biguol en Sinthgunt, Sunna era suister,
thû biguol en Frîia, Uolla era suister;
thû biguol en Uuôdan sô hê uuola conda:
sôse bênrenkî, sôse bluotrenkî,
sôse lidirenkî:
bên zi bêna, bluot zi bluoda,
lid zi geliden, sôse gelimida sin!

Tradução para o português:

1. Phol e Uuodan
entraram na floresta,
Lá o potro de Balder
torceu o pé.
Foi encantado por Sinthgunt,
sua irmã Sunna;
Foi encantado por Frija,
sua irmã Volla;
Foi encantado por Uuodan,
como ele sabia bem como:

2. Torção de osso
como torção de sangue,
Como torção dos membros:
Osso por osso;
sangue por sangue;
Membro por membro
como se eles fossem colados.

Versão em inglês:

Phol and Wodan
rode into the woods,
There Balder’s foal
sprained its foot.
It was charmed by Sinthgunt,
her sister Sunna;
It was charmed by Frija,
her sister Volla;
It was charmed by Wodan,
as he well knew how:

Bone-sprain,
like blood-sprain,
Like limb-sprain:
Bone to bone;
blood to blood;
Limb to limb
like they were glued.

Versão em alemão:

Phol und Wodan ritten ins Holz.
Da ward dem Fohlen Balders der Fuß verrenkt.
Da besprach ihn Sinthgunt (und) Sunna, ihre Schwester.
Da besprach ihn Frija (und) Volla, ihre Schwester.
Da besprach ihn Wodan, wie (nur) er es verstand:
So Knochenrenke wie Blutrenke
Wie Gliedrenke:
Bein zu Bein, Blut zu Blut,
Glied zu Gliedern, als ob geleimt sie seien! (oder: dass sie gelenkig sind!)

Fontes:

http://www.germanicmythology.com/works/merseburgcharms.html

http://www.homomagi.de/MerseburgerZaubersprueche.htm

http://www.pitt.edu/~dash/merseburg.html

https://www.cs.mcgill.ca/~rwest/wikispeedia/wpcd/wp/m/Merseburg_Incantations.htm