Anexo I: Lista de deuses e deusas dos germanos

 

Vanir

Esse é o grupo de divindades em geral associadas a aspectos de fertilidade e trabalho da terra, provavelmente cultuadas a princípio pelos karls, e todos aqueles que se envolviam diretamente com o trabalho da terra. É relatada na Vǫlospá, um dos poemas da Edda poética, que três deles (Njǫrðr e seus dois filhos, Freyr e Freyja) foram entregues aos Æsir como reféns numa troca que envolveu membros de ambos os clãs, para solucionar uma guerra da qual nenhum dos dois era capaz de se fazer vencedor. Não se sabe muito além disso dos Vanir, e inclusive supõe-se que essa história reflita uma guerra real entre as duas formas de culto na Escandinávia, da qual os que cultuavam os Æsir teriam saído vencedores, e incorporaram as três divindades mais importantes em seu grupo de divindades a se prestar culto.

Nerthus – Por todas as suas características é comumente associada aos Vanir – o nome “Nerthus” é um perfeito desenvolvimento latino da palavra “Njǫrðr” do nórdico antigo. Muito se debate acerca desta deusa, pois ela, apesar de parecer ser uma deusa cultuada no continente, carrega traços semelhantes ao casal Fjorgyn/Fjǫrgynn (“terra” ou “montanha”), ou seja, deuses da Terra tão obscuros e com nomes tão semelhantes que não se sabe se seriam um mesmo deus, e se essa divindade seria hermafrodita (pensa-se que Nerthus poderia ser a forma feminina do deus Njǫrðr), ou se seriam deuses irmãos (como Freyr e Freyja, que, aliás possuem atributos semelhantes com todas essas divindades), mas que se relacionavam. É certamente uma deusa continental; ficava em um carro, coberta com um véu, e que apenas um sacerdote era permitido tocá-la em seu santuário. Quando ela saía de seu santuário, puxada por novilhos, e permanecia em meio ao povo, os lombardos guardavam suas armas e permaneciam em paz, e quando ela retornava era lavada por escravos, que conheciam os segredos da deusa, mas ali mesmo morriam com tal desvendamento.

Njǫrðr – sugere-se muitas vezes que teria sido esposo de Nerthus ou que seria a manifestação masculina de um deus hermafrodita com esta deusa. Njǫrðr é um deus marítimo, do mar calmo e vento propício, associado também à fertilidade, tanto da terra, quanto no sucesso na pesca. Njǫrðr chegou a casar-se com Skaði, mas separam-se. Njǫrðr é o pai de Freyr e Freya, e acredita-se ter desempenhado um papel proeminente na Suécia antes do culto dessas duas divindades.

Freyr – seu nome significa “Senhor”. É associado à fertilidade, boas colheitas, e ao trabalho do campo. Geralmente era representado com um grande falo ereto. De Freyr é dito que recebeu Álfheimr de presente quando seu primeiro dente caiu, e é reconhecido como o Senhor dos Elfos. No poema éddico Skírnismál, conta-se como ele se apaixonou por Gerða, giganta da terra, pela qual teria dado sua espada – tal passagem talvez simbolizando a troca da guerra pela agricultura como meio de subsistência de uma tribo ou região. Ainda se diz no mesmo poema que ele controlaria a Sól e as chuvas, e isso está, obviamente, em conformidade com o seu papel de deus da fertilidade. Um de seus outros kenningar (nomes) era Ingvi ou Yngvi. Desse nome provinha a origem da denominação de linhagens reais, como a linha real sueca que se chamava de “Ynglings”, assim como os anglo-saxões da linha de Berencia.

Freyja – seu nome significa “Senhora”. Geralmente é retratada como uma mulher sensual ou nua, e possui, assim como Freyr, seu irmão, ligação com a fertilidade nos campos, e passagem das estações. Todavia, ainda é relacionada à magia seiðr, a qual ensinou a Óðinn, ao passo que era considerada a Senhora das Valkyrjor, e tinha o direito de escolher metade dos mortos que estas traziam em batalha para levar ao seu palácio, o Fólkvangr.  É mãe de Hnoss e Gersimi, sendo que ambos os nomes significam “tesouro”. É uma das divindades mais controversas e complexas dos germanos, porque seu nome a liga ao de Frigg (algumas das variantes do nome de Frigg em outros povos seriam Frea e Frija, além do fato de que ambos os nome vêm do protoindo-europeu *priHxeHa, ou, para facilitar, *Pria – “amada”, “amiga” – que deu origem a diversas divindades de culturas descendentes dos indo-europeus), e existem várias controvérsias se ela seria originalmente a mesma deusa que a esposa de Óðinn, uma vez que a própria Freyja é esposa de Óðr (veja por exemplo a duplicata dos nomes do mesmo deus Ullr e Ullin). Apesar de a ambas (Frigg e Freyja) terem sido atribuídas várias características distintas, ambas são filhas de controversas divindades da terra. Não é possível, todavia, pelas fontes que temos, afirmar ou negar a identidade de Freyja e Frigg. Freyja é atualmente amplamente vista como uma divindade que representa o poder rebelde e livre feminino, associada também ao amor e à sexualidade.

Gullveig – é uma bruxa misteriosa referida unicamente na Vǫluspá. Sugere-se que seu nome signifique “intoxicação por ouro”; o que estaria em conformidade com o que sucedeu-se com ela: teria desejado riquezas dos  Æsir e por isso teria sido queimada três vezes, três vezes renascendo das cinzas. Então ela escapa e passa a usar o nome Heiðr, e passa a praticar magia seiðr. Foi essa a razão dos Vanir entrarem em guerra com os Æsir. Como você já deve ter imaginado, existe um grande debate sobre se Gullveig/Heiðr seria também um outro kenning (nome) de Freyja, embora nada possa ser provado a favor ou contra isso.

Vanires Marítimos

Rán – a esposa de Ægir, que com ele habita no fundo dos oceanos. Era a mãe das nove ondinas. Teria uma rede com a qual capturaria todos aqueles que caíssem no mar, os levando para o seu palácio.

Ægir – é retratado como um deus sábio e amigável para com os Æsir, recebendo-os para banquetes, mas, por outro lado, aparece como o deus do mar agitado (um de seus kenningar, Hlér, significa simplesmente mar), a ele e Rán eram guardadas moedas para serem oferecidas, bem como eram feitos sacrifícios, para se evitar desgraças, sendo ele ao mesmo tempo cultuado e temido.

As nove ondinas

 

Æsir e Asýnjur

Esse é o grupo de divindades superiores, mas seu culto foi um tanto complexo. Por exemplo, ao passo que Óðinn era um deus cultuado mormente pelos guerreiros e nobres, Þórr, ou Ása- Þórr (Thor dos Æsir), era o deus mais popular entre os povos germânicos desde a Escandinávia até a Alemanha, em suas diversas variantes culturais. Então se, por um lado, tínhamos um deus eminentemente agrário como Freyr representando os nobres, tínhamos divindades “reais” ocupando uma grande predileção das camadas populares germanas. Os Æsir, todavia, tem o mérito de serem os fundadores do cosmos tal qual é, e, além do mais, são amplamente mais documentados.

Búri, Bórr e Bestla – conta-se que Búri (procriador) teria surgido a partir do gelo que a vaca Auðumbla lambia enquanto alimentava o gigante Ymir. Seria o mais antigo ancestral dos Æsir, e pai de Bórr, que teria se casado com a giganta Bestla, dando origem assim a linhagem de deuses como os conhecemos.

Óðinn – id est furor, diz um antigo autor latino. O mais conhecido dos deuses nórdicos, Óðinn (seu nome significa furor) era o líder do clã dos Æsir, casado com Frigg, pai de þórr, Balðr, Vidar, Vali (entre outros), filho de Bórr e irmão de Vili e Ve. Óðinn era um deus cultuado majoritariamente por nobres e guerreiros, sendo associado à vitória em batalha, considerado um deus da guerra, fundador de linhagens nobres, deus da magia, poesia, sabedoria, do hidromel, além de soberano sobre os ventos, pelo que era cultuado pelos navegantes, além de associado à fertilidade, entre outros atributos.  Governaria e veria os nove mundos a partir de seu trono Hliðskiálf, além de enviar os corvos Huginn e Muninn (Memória e Pensamento) para inspecionar e lhes trazer notícias sobre os acontecimentos, além dos lobos Geri e Freki. Teria posse de metade dos guerreiros coletados pelas valkyrjor, os quais treinariam em seu palácio, o Valhǫll até o dia da batalha final, o Ragnarǫk. Óðinn deixou um de seus olhos para beber da fonte do conhecimento de Mímir, e passou nove dias e nove noites preso (supõe-se que morto, até que ressucitou) em uma árvore, onde então abriu os olhos, e capturou as rúnar. Possui muitos kenningar (nomes), e é lembrado por suas andanças em Miðgarðr, à procura de diversão, sabedoria e prazer sexual. Óðinn conhece todos os ørlǫgs, mas não tenta impedir que as coisas aconteçam como devem ser. Seu símbolo, além dos corvos, são a lança Gungnir, que nunca erra o alvo, e onde ele anota os seus pactos. Foi com seus irmãos um dos criadores da humanidade, e há de perecer para o lobo Fenrir no dia do Ragnarǫk. Óðinn também é o líder dos espíritos durante a caçada selvagem. Óðinn ainda é dono do cavalo de oito patas Sleipnir, com o qual ele viaja através dos nove mundos, o que pode ser uma simbologia que o aproxime das viagens xamânicas. A ele é associado também o Valknut (nó dos mortos), símbolo que é composto três nós em forma de triângulos sobreposto ao outro, e que significa o poder dessa divindade sobre o wyrd e a capacidade de amarrar os destinos através da morte, entre outras maneiras. Tem como correspondentes entre os alemães Wotan, e entre os anglo-saxões Woden.

Frigg – esposa de Óðinn, líder das Ásynjúr, também chamada de Frigga, esta deusa estava relacionada à arte de fiar, sendo responsável por compor o fio dos ørlǫgs com o qual as Nornir teciam a teia do destino, além de ser atribuída a ela a confecção das nuvens, o que a colocava em proximidade com atributos da fertilidade. Desenvolve um papel materno importante, embora não existam afirmações claras quanto a sua associação a esse atributo. É considerada uma deusa da família, das atividades do lar, e possui diversas serviçais e auxiliares, das quais alguns dizem que são apenas manifestações da própria deusa Frigg.

Þórr é o Deus Vermelho, e seu nome significa simplesmente “trovão”. É o campeão e paladino dos deuses, protetor da humanidade, e, sem dúvida, o deus mais popular tanto nos tempos antigos como na modernidade.  Þórr é o deus dos trovões, da chuva e da fertilidade, mas também dos guerreiros. Filho de Óðinn e Fjǫrgyn (segundo outros Jǫrð, mas ambas são deusas/gigantas da Terra), casado com Sif, com ela tem a filha Þrúðr (força), com Járnsaxa, uma giganta, tem dois filhos, Mágni (forte) e Moði (raiva). Þórr é dono do martelo Mjǫllnir (triturador), que usava para esmagar os gigantes de gelo, mas também de uma carruagem com dois bodes que, mesmo que comidos, se preservados os seus ossos, poderiam ser ressuscitados. Era inimigo mortal da serpente Jǫrmunganðr, sendo que ambos matariam-se mutuamente no Ragnarǫk. Suas variantes são o Þunor entre os anglo-saxões e Donar entre os alemães.

Sif – apesar de esposa de Þórr, nos mitos que nos chegaram desempenha um papel secundário. É considerada deusa da fertilidade, dos campos de trigo, e teria longos cabelos louros, até que Loki os cortou, tendo que fazer os anões confeccionarem uma nova cabeleira, de ouro, para ela, pois foi obrigado a isso por Þórr. É mãe de Þrúðr, com Þórr, mas também de Ullr, do qual se perderam os registros de quem seria o pai.

Ullr – ou Ullr, Ullin, é deus da caça, do arco e da neve, Ullr (glorioso) também é considerado um deus da justiça, e teria assumido o lugar de Óðinn por cerca de dez anos em Ásgarðr quando este fora expulso por conduta imprópria. É um esquiador, casou-se com Skaði, quando esta separou-se de Njǫrðr. Ullr é uma divindade muito antiga, da qual restaram poucas informações, mas é provável que tivesse sido também associado à magia. Há evidências sugerindo que ele era conhecido e cultuado no sul da Noruega e no centro da Suécia. Supõe-se que na Era Viking Ull era uma deidade antiga e já a caminho do esquecimento.

Vidar – (ou Víthar/Wider ) é chamado de “O Æsir silencioso”. Pouco sabemos deste deus, mas é fato que ele será quem matará o lobo Fenrir no Ragnarǫk, vingando assim a morte de seu pai, Óðinn, desempenhando assim um papel fundamental, pelo que é considerado o Deus da Vingança. É irmão gêmeo de Vali, e foi concebido por Grið (Rind), uma giganta.

Vali – assim como Vidar pode ser considerado um deus da vingança, pois é ele o responsável por vingar a morte do irmão Balðr, matando o irmão Hǫðr. É atribuída a ele uma singular perícia no uso do arco.

Balðr – conhecido como “o Deus Brilhante”, Balðr era filho de Óðinn e Frigg, sendo que a sua morte é o primeiro anúncio do Ragnarǫk. Era considerado uma divindade solar e da luz.

Hǫðr – o deus cego associado ao inverno, matou Balðr após ser usado por Loki em um ato de trapaça.

Nanna – a fiel esposa de Balðr que acompanha o marido em sua jornada para o Helheimr, sendo assim considerada como uma deusa da fidelidade. Com Balðr é mãe de Forseti.

Forseti – é o deus da justiça, sendo que seu nome significa anfitrião. Seu palácio chama-se Glitnir e seu culto acontecia mormente na Frísia. Secundo a tradição os acordos que Forseti mediava sempre eram agradáveis e aceitos por ambas as partes, transformando-o num deus que podia, com sua virtude, resolver contendas.

Hermoðr – é o mensageiro dos deuses. É ele o deus que leva o pedido dos destes pela vida de Balðr a Hel e procura nos nove mundos alguém que não lamente por Balðr.

Vili – ou, Hoenir. Foi ele quem dotou o ser humano de raciocínio ou alma. Apesar disso, é curiosamente descrito como um deus ineficiente e incapaz de obter posição de destaque entre os Vanir quando foi enviado como refém para concretizar as negociações de paz entre esses e os Æsir, o que resultou na morte de Mimir, outro dos reféns.

Ve – ou Lodur, concedeu os sentidos aos seres humanos. Irmão de Vili e Óðinn.

Bragi – filho de Óðinn, deus da poesia, da arte das palavras, da inspiração poética. Casado com Iðunn.

Iðunn – deusa primaveril, da fertilidade e boa plantação, acredita-se que seria originalmente uma elfa, elevada ao posto de divindade graças à sua beleza. Era a responsável por guardar os frutos dourados – quase sempre descritos hoje como maçãs – que garantiam a juventude aos deuses; o que fez com que ela fosse sequestrada. Há a possibilidade de que Iðunn seja a mãe de Skaði, embora nada possa ser confirmado a respeito.

Týr – Suas variantes são o Ziu entre os alemães e Tiw entre os anglo-saxões. Seus nomes o ligam etimologicamente ao panteão reconstruído dos protoindo-europeus (que deu origem a deuses centrais em outras mitologias, como Zeus), o que sugere que Týr teria sido uma divindade das mais antigas cultuadas pelos povos germânicos, e ocupado inicialmente o papel de Pai Celeste, como em outras mitologias. O que nos restou de suas informações, todavia o transformam quase sempre num deus secundário, com poucas informações, embora ligado à guerra, bravura, coragem, sendo mais um deus dos guerreiros, que da estratégia de guerra (papel de Óðinn), mas também é um deus da justiça. Foi Týr que colocou sua mão na boca do lobo Fenrir quando foi necessário amarrá-lo para evitar que ele ficasse demasiado poderoso; o que lhe custou perdê-la, com o que alguns o atribuem ser deus dos juramentos. Tyr teve seu culto superior ao do deus Óðinn entre as tribos dos semnones, saxônios e godos.

Heimdallr – é o guardião dos Æsir, possuidor da corneta de chifre chamada Gjallarhorn, e tem dentes de ouro, além de ser o protetor da ponte Bifrøst. É assim considerado um deus atencioso e guardião – tanto dos deuses quanto da humanidade. Snorri nos conta que ele é chamado o Deus Branco, o inimigo de Loki, e o recuperador do colar de Freyja roubado por Loki e escondido no fundo mar. Conhecido também por Vindhler, Hallinskíði e Gullintanni, precisa de menos sono que um pássaro, e noite e dia são semelhantes a ele, e ouve a grama e a lã nas ovelhas crescendo. A ele é dada a criação das classes humanas presenteando a três casais inférteis com filhos que viriam representar as três classes sociais… o thrall, o karl e o jarl, mais uma vez provando seu amor pelos habitantes de Miðgarðr.  Heimdallr soará o seu chifre Gjallarhorn ao término desta era, quando Ragnarǫk chegar, como já dito em Vǫluspá, e onde finalmente Heimdallr conseguirá seu maior intento, exterminar Loki, que o ferirá mortalmente e assim ambos morrerão.

Assistentes de Frigg

Esse conjunto de divindades menores possui bem poucas ou quase nenhuma informação sobre si, sendo que muitos as consideram características ou ainda emanações da deusa Frigg.

Lofn – é uma obscura deusa que ajudava os amantes para casar. O nome Lofn quer dizer “A confortadora”.

Fulla – O nome Fulla significa “abundância” ou “lutadora“. Seria ela que dividiria assuntos secretos com Frigg, e também era chamada de “dama do tronco”.

Eir – é mais conhecida por sua habilidade de cura. O nome Eir está ligado a “socorro” ou “piedade” no Nórdico Antigo.

Hlín – seu nome tem a origem no verbo hlina (proteger, esconder) ou no termo hleinir (refúgio). Dessa forma Hlín era vista como uma deusa consoladora, protetora, podendo ser invocada em momentos de dificuldade.

Sjǫfn – é uma deusa obscura preocupada com o amor e afeição, e seu nome a liga a esses sentimentos familiarmente.

Vár – é conhecida principalmente como uma deusa que “supervisiona” juramentos, especialmente votos de casamento. O nome Vár significa “voto” ou “promessa“. 

Vor – se encarrega que cumpram as promessas matrimoniais. Seria conhecedora do futuro.

Syn – é uma deusa guardiã e protetora. Seu nome significava “recusa” ou “negação”. É a guardiã da porta do palácio de Frigg.

Snotra – seu nome significa “sábia”. É uma deusa conselheira, da sabedoria.

Gná – é conhecida com a deusa que cavalga através do céu no seu cavalo Hófvarpnir levando mensagens para Frigg.

 

Outras Divindades

Hreða – Uma deusa obscura anglo-saxã, ligada ao final do inverno e ao mês de março.

Skaði – originalmente era uma giganta, mas depois passa a ser considerada uma deusa do inverno e da caça. Filha do gigante Þiazi, que sequestrou Iðunn, e deusa da caça, personificando a montanha. Como seu pai fora morto pelos deuses Æsir, ela pediu aos deuses uma compensação. Tal fato chega a ser singular, tendo em vista as noções de justiça e honra dos nórdicos – o que faz alguns considerarem que Skaði poderia ser filha de Iðunn, pela maneira amistosa como foi compensada. Foi-lhe então dado escolher seu esposo pelos pés. Skaði preferiu o que tinha pés pequenos, certa de que era Balðr; mas a escolha recaiu em Njǫrðr, com quem se casou. O casal não tinha muito em comum: Skaði queria viver nas montanhas, caçar e patinar sobre o gelo, enquanto Njǫrðr preferia o mar tempestuoso. Procurando uma conciliação, acordaram os dois viverem juntos oito noites em Zrymheim, residência do pai de Skaði, e três dias em Noatum, lar do deus dos mares; mas, o plano não deu muito certo, e ambos terminaram se separando, e Skaði posteriormente se casou com Ullr.

Jǫrð – deusa-terra, sendo que seu nome significava literalmente “terra”. Alguns a colocam como sendo a mesma deusa que é a mãe de Frigg, outros que é a mãe de Þórr.

Gefjun – seu nome significa a doadora. Os mitos ligam Gefjun diretamente ao dinamarqueses; é dito que ela desceu de Ásgarðr encarregada por Óðinn de conseguir mais domínios; sendo que lhe foi concedido que poderia possuir tantas terras quanto pudesse lavrar em um determinado período de tempo, ao que ela teve quatro filhos com um gigante, e os transformou em bois. Diz-se que da terra que ela conseguiu remover foi feia a ilha de Sealand. Gefjun é recordada assim como uma deusa da fertilidade, mas, também, como uma deusa das virgens, sendo que seria para ela que as mulheres que morressem sem contato sexual iriam após a morte.

Sól – também muito conhecida como Sunna, é a divindade da roda, do disco solar, associada aos elfos, ao deus Freyr e à fertilidade, festividades de verão, entre o que ainda podemos recuperar de suas informações. Diz-se que era uma humana extremamente bela que foi transformada em divindade, ou ainda que era uma das faíscas mais poderosas de Musspelheimr. Correria os céus em uma carruagem, fugindo de um lobo, assim como Máni. Parece ter desenvolvido um papel importante no culto antigo, pelo menos entre os que dependiam diretamente da terra.

Máni – o deus Lua, irmão de Sól, filho de Mundilfœri. Corre de um lobo, assim como sua irmã, e ambos haverão de ser devorados, como parte do Ragnarǫk.

Nótt – deusa-noite, filha do gigante Norvi ou de Dellling. Teve três filhos, cada um com um esposo: de Naglfari teve Aud; de Annar,  Erda; e de Dellinger, Dagr.

Dagr – deus-dia.

Eostre – é o nome anglo-saxão, e Ostara no alto alemão antigo. É uma deusa ao qual é dado o nome do festival da Primavera da Páscoa (Easter). O mês de Abril era também chamado em sua honra como “Eosturmonað”, e em alto alemão antigo, “Ostarmanoth”. O nome Anglo-Saxão de Eostre é relacionado com o advérbio do alto alemão antigo ostar expressando movimento em direção ao sol nascente. Ostara, Eostre parece por esta razão ter sido uma divindade da alvorada radiante, da luz, um espetáculo que trás contentamento e benção.  É da lenda de Eostre que vem a simbologia do coelho e o ovo dados na época da Páscoa, no Ocidente.

Hel – filha dos gigantes Loki e Angrboða, e irmã de Jǫrmunganðr e Fenrir, é a única entre todos que chegará ao posto de ser divinizada. Hel é a senhora de Helheimr, deusa da morte, geralmente associada a morte por doença ou velhice. Possui metade de seu corpo morto, e, apesar de sua origem, é extremamente respeitada entre os deuses. No dia do Ragnarǫk, abrirá os portões de seu reino, permitindo que todas as alma saiam. Não se compara, de nenhuma maneira, com o demônio cristão e sua morada não é um lugar de tortura e sofrimento ou desonra.

Kvasir – Nascido da bebida preparada pelos Æsir e Vanir, quando todos eles cuspiram em um vaso e se reconciliaram. É o deus que ultrapassou a todos em sabedoria e que, ao chegar ao país dos anões, foi morto pelos anões Fialrr e Galarr. O seu sangue, misturado com mel, foi guardado no jarro Oðroerir e nos cântaros Son e Boden, constituindo a bebida divina, com a propriedade de dar inspiração poética aos que a tomassem.  Óðinn foi em busca dessa bebida, a tomando dos gigantes que haviam a pego dos anões, e chegou com ela a Ásgarðr sob a forma de uma águia.

Sága – seu nome é o mesmo usado para designar os antigos contos épicos sobre os feitos dos nórdicos, e vem do nórdico antigo segja, contar, falar. Ela bebe e conta histórias a Óðinn em seu salão chamado Sokkvabekk. Alguns a consideram apenas um aspecto de Frigga – mas é certo que ela e é uma deusa da arte de contar histórias, transmitir a cultura, o que era muito importante entre os antigos germanos e nórdicos.

Nehallenia – é associada ao comércio, abundância e mar profundo. Era uma deusa holandesa, de Zeeland, em especial.

               

Outros seres ligados diretamente aos deuses

Gerð – giganta, filha de Gymir, e esposa de Freyr, cujo amor é cantado no Skírnismál. É então um dos vários seres mitológicos associados como personificação da Terra. Segundo a lenda, foi pelo poder mágico das rúnar que o luminoso Skírnir, servo de Freyr, depois de inúteis e reiteradas insistências, conseguiu que Gerða correspondesse ao amor de Freyr, e que os dois amantes passassem a ter entrevistas no bosque de Barri: a alegoria é transparente: Gerð é a terra que, liberta da gelidez do inverno pelo sol (Skírmir), veio a se unir a Freyr, o deus da fertilidade, no campo do trigo (Barri).

Surt – Gigante do fogo que guarda os portões de Muspellheimr. Ele possui a Espada Flamejante que dará o golpe final nos nove mundos no Ragnarǫk, enquanto é morto por Freyr.

Angrboða – (a mensageira da dor), é associada à Gullveig por alguns – rechaçando a teoria da identidade desta com Freyja. Todavia, é certo dizer que ela é uma giganta que morava em Járnvið, a floresta de ferro, e foi mãe de abissais lobos, além de três das criaturas mais controversas e importantes da mitologia nórdica em seu relacionamento com Loki, a serpente do mundo, Jǫrmunganðr , o lobo Fenrir e a deusa da morte, Hel.

Loki – é originalmente um gigante de fogo, mas torna-se irmão de sangue de Óðinn através de um pacto e termina indo morar em Ásgarðr. É considerado por alguns como deus da trapaça – embora seja, na verdade, um trickster, isto é, um ser que usa da esperteza, ousadia, mentira e muitas vezes do egoísmo para conseguir seus objetivos, desempenhando um papel dúbio, tanto de benefício ao clã dos Æsir, quanto de solução de problemas. Desempenha papeis fundamentais na construção do muro de Ásgarðr, na recuperação de Iðunn e do Mjǫllnir de Þórr. Todavia, acaba desempenhando um papel negativo ao acelerar os eventos do Ragnarǫk ao tramar a morte de Balðr. Por isso, é amarrado a uma pedra, onde uma serpente derrama seu veneno sobre a pele de Loki; sua esposa, todavia, segura o veneno com uma tigela, porém, quando ela precisa esvaziá-la e o líquido cai sobre o couro do condenado, ele urra e se remexe tão violentamente de dor, que provoca terremotos.

Os filhos de Loki e Angrboda

Hel – já mencionada acima.

Jǫrmunganðr – é a serpente dos mares. Jǫrmunganðr é documentada como a serpente que foi lançada aos mares de Miðdgarðr, e que morderia a própria cauda, contendo as águas deste mundo entre seu corpo.  Deste ser é perceptível como os conceitos de bem/mal são inaplicáveis aos mitos nórdicos: ela, ao mesmo tempo que é uma filha de Loki – possui então uma origem bem perigosa – mantém a “ordem” das coisas em Miðgarðr. Mas não sem mais uma pitada de contradição: ela é vista – ao lado do ser folclórico, o Kraken, a gigantesca lula de cem tentáculos e do casal Vanir dos mares, Rán e Ægir – como um daqueles desafios a se enfrentar nas águas, durante as viagens. Além disso, Jǫrmunganðr é a inimiga feroz que Þórr vai caçar nos mares; de tal inimizade é dito que na batalha final, o Ragnarǫk, ambos irão matar-se.

Fenrir – três coisas são realmente detestadas pelos deuses: a morte de Balðr, a vingança de Surtr e o lobo Fenrir. Esta criatura é tratada por alguns quase como o demônio judaico-cristão: Fenrir é, ao lado de Surt, o maior desafio aos deuses, em especial Óðinn. Fenrir eleva em sua figura à potência máxima as preocupações e evidências de que o destino não poderá ser evitado. O nascimento de Fenrir é, praticamente, uma contagem regressiva do cosmos tal qual é. Fenrir nasce para matar Óðinn, e, desde que entra em contato com os deuses mostra como é violento, poderoso e incontrolável. Apenas uma corrente – ilusória, ou de poderosa magia, bem verdade – é capaz de o prender… provisoriamente. Das crias de Loki esta é, certamente, a mais detestada por todas.

Valkyrjor – são espíritos femininos que recolhem os mortos em batalha e, segundo algumas fontes, os serviriam, durante o treinamento deles em Valhǫll. São relatadas em número diverso. São consideradas por alguns Dísir, espíritos ancestrais das batalhas. Ao contrário da maneira como são comumente representadas nas indústrias do entretenimento, eram consideradas seres bestiais, horrendos e assustadores, em vez de belas mulheres sensuais.

Nornir – são as três fiandeiras do fio do wyrd, responsáveis pelo destino de todas as coisas no cosmo. São como que os “vættir do tempo” ou “espíritos, almas do tempo” – essas expressões são altamente figurativas e não literalistas. Havia uma para o passado, uma para o presente, e outra para o tempo por vir. Também eram responsáveis por manter as raízes de Yggdrasil em recuperação da corrupção causada por criaturas que a causavam prejuízo.

Mimir – Gigante, tio materno de Odin e guarda da fonte Mimisbrunnr, de onde jorrava a água que dava poderoso espírito e sabedoria. Após a guerra entre os deuses Æsir e Vanir, foi trocado junto com Hoenir para haver paz entre os povos, mas foi morto pelos Vanir e a sua cabeça enviada aos Æsir. Odin, recebendo-a, embalsamou-a, murmurou sobre ela fórmulas mágicas, para que não apodrecesse, e a ela recorria quando queria se aconselhar ou saber de coisas ocultas.

Skǫll e Hati – os dois lobos que perseguem a Sol e o Lua (Sunna e Máni). Vieram de Járnivid e devorarão os dois, o que será um dos anúncios de que o Ragnarǫk chegou.