Sunnanfolc Heorþ: Mudanças e Notícias

Por Seaxdēor

O ano de 2017 foi grandemente conturbado. Houveram grandes discussões nada amistosas, amigos bons vieram, amigos ruins se foram, e muito foi dito em dados sobre paganismo no Brasil. Aqui, do agreste alagoano, eu pude passar por um grande processo de evolução pessoal, ao mesmo tempo que estudei, pratiquei o paganismo, pude encontrar minha identidade religiosa após tantas experiências.

Ano passado decidi iniciar a sacralização pagã do meu lar, e esse processo, a despeito dos problemas com a família cristã, a despeito da ausência de mais heathens na minha região, foi, no fim das contas, positivo.

Iniciei uma busca pelo caminho ancestral dentro do paganismo germânico que mais fosse capaz de refletir minha essência, tanto material quanto espiritual. Isso se evidenciou em duas mudanças que fiz, não no nome, mas no dialeto em que o nome do meu lar se encontrava: de Sunnōniz Fulka Herþaz, em proto-germânico, objetivando uma prática mais ampla de paganismo, para uma tentativa com o Sauilaþiudōs Haírþō, em gótico, refletindo a tentativa de um paganismo mais focado em suevos e visigodos, germânicos envolvidos no processo cultural de formação do Brasil, até Sunnanfolc Heorþ, em inglês antigo, refletindo minha opção final pelo paganismo anglo-saxão.

Não foram três desistências. Na verdade, da ideia inicial proto-germânica e da ideia suevo-visigoda muito foi trazido, e a escolha pelo caminho anglo-saxão não se fez de forma fortuita, na verdade o paganismo insular sempre esteve no centro de minha prática. O caminho que escolhi na verdade é um fyrnsidu (heathenry anglo-saxão) com elementos culturais visigodos, suevos e nativos do Brasil e do nordeste brasileiro, buscando aqui valorizar todos os elementos mais importantes para mim neste caminho espiritual. O fyrnsidu que pratico certamente não é igual a um do século V-VII na Inglaterra, mas creio que poderia ser praticado por um anglo-saxão pagão vivendo no nordeste brasileiro. É uma proposta ousada, mas a qual pretendo explicar melhor em outra ocasião.

Muito precisou ser entendido pra chegar onde cheguei. Não sou superior a ninguém e nem de longe líder de nada. Mas eu creio que estou satisfeito com meu caminho. O culto aos wihta da terra, hob, deuses e ancestrais tem sido uma dificuldade graças aos que não entendem e o criticam — e se chamam de pagãos –, quanto por, às vezes, ausência do básico em estrutura e tolerância no âmbito interno. Praticar uma religião pagã na modernidade não é uma tarefa lá muito fácil, quando você quer se afastar tanto do cristianismo.

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Ofertas deixadas em 16 de dezembro de 2017, com parte da nossa colheita de milho para Ingui Frēa, e pão para o hob.

O fato é que nesse quase um ano de culto doméstico, nesse quase um ano de contato direto com a espiritualidade familiar, local, e cuidado do meu innanġeard, eu tenho muito que agradecer. Talvez evitaria alguns confrontos, se dependesse exclusivamente de mim. Mas não daria um passo atrás. Viver o paganismo é uma forma de resistência. E espero que mais pessoas que um dia estavam se sentindo vazias, como eu, por estarem solitárias, talvez possam através do culto doméstico encontrar um pouquinho do que lhes falta, como eu encontrei. Relacionar-se com os espíritos que nos rodeiam em nosso próprio lar e família é, certamente, um dos pilares do paganismo no século XXI.

Leia mais textos do meu hearth aqui.

 

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