Heathenry, Ásatrú, Odinismo: sobre os nomes de caminhos no paganismo nórdico/germânico

Por Seaxdēor, revisão de Dannyel de Castro

No dia 7 de dezembro mudamos oficialmente o nome de nosso projeto de Ásatrú & Liberdade para Heathenry & Liberdade, uma transição que durará algum tempo para se completar. Isso levantou a questão de que todos os vários nomes como Ásatrú,  Heathenry, Odinismo, seriam a mesma coisa? Não são todos a continuação da religião dos nórdicos? Na verdade, não exatamente. Vamos dar uma olhada nesses nomes, suas origens e significados, e entender porque a distinção é necessária.

Primeiro, que paganismo estamos trazendo de volta à vida?

Pra começar: germânico não é sinônimo de “alemão”. Os alemães modernos são apenas mais um dos povos germânicos.

No passado, existiram dezenas de povos germânicos. Eles se localizaram, aproximadamente, da Islândia, ao norte, até mais ou menos a Áustria, expandido-se até o oeste da Rússia. Rus, normandos, suevos, visigodos, suecos, dinamarqueses, holandeses, frísios, saxões, anglo-saxões, queruscos, são apenas alguns de uma lista enorme de povos que podiam ser considerados germânicos, alguns não muito distintos dos celtas, outros não muito distintos dos eslavos.

Mas, o que esses povos têm em comum? Eles todos vêm, em última análise, da região que compreende atualmente o sul da Suécia e Noruega, a Dinamarca e norte da Alemanha. Linguisticamente falando, seus idiomas são bastante relacionados, e, nos tempos antigos, a religião e o dialeto falado estavam intrinsecamente ligados. Como exemplo superficial, o Sol para os germânicos era uma deusa feminina e a Lua um deus masculino; isso refletiu-se linguisticamente, povos germânicos modernos, em muitos casos ainda dizem “a Sol” (feminino), e “o Lua” (masculino), identificando de forma oposta aos romanos os principais corpos celestes que povoaram o imaginário religioso antigo. Assim idioma, cultura e religião eram um elo que unia esses povos.

Esses dialetos não eram idênticos, mas acontecia um processo similar ao que ocorre hoje entre nordeste e sul do Brasil. Falamos um mesmo idioma, que, todavia, não é igual. Mas compreendemos, apesar de sentir a diferença de sotaques. Junto com o sotaque, vêm à mente diversas associações culturais (você ouve sotaque gaúcho e já pensa num chapéu de aba grande, lenço no pescoço e bombacha), e isso era ainda mais acentuado no mundo germânico.

Ou seja o que estamos querendo destacar aqui é que não havia uma única religião germânica. Existiam tantas religiões germânicas quanto povos germânicos. O paganismo germânico nunca foi unificado no passado. Por exemplo, os anglo-saxões e francos tenderam a absorver vários elementos célticos, embora os francos também tenham assimilado muito dos romanos. Os visigodos estavam bem próximos de povos bálticos e eslavos, e é impossível que não tenham sofrido influência do oriente. Repetindo: não existia um paganismo germânico, mas vários paganismos germânicos.

E os nórdicos?

Os nórdicos eram apenas parte dos povos germânicos. Todavia a produção literária islandesa tardia foi considerável, além de Eddas temos as dezenas de Sagas, o que os torna bastante populares, já que a cultura escrita é extremamente mais valorizada na atualidade que a cultura material, descoberta através de estudos arqueológicos. Os nórdicos possuem diversas semelhanças em idiomas com outros povos germânicos, e na religião não era diferente. Por exemplo, Óðinn entre os nórdicos, Wōden em inglês antigo, Wōdan em saxão antigo, Wōtan em alto alemão antigo referem-se a um deus caolho, da guerra, da magia e da poesia, associado à casas reais.

Todavia, existem diversas fontes além de Eddas e Sagas que podem auxiliar a trazer o paganismo de volta à vida hoje, retratando aspectos das religiões germânicas anteriores à conversão ao cristianismo, as quais fornecem muitas informações inclusive úteis aos nórdicos.

Romantismo europeu

Não dá pra falar de paganismo germânico na atualidade sem analisar o movimento romântico na Europa. O romantismo surgiu num período de intensa expansão do processo de industrialização e urbanismo, alterando a forma de viver e pensar das pessoas. Isso aconteceu após o Iluminismo, quando a crença na razão e na análise de experimentos foi incentivada pelas elites europeias, e modificou amplamente o imaginário popular, o que, junto da industrialização, causou o progressivo apagamento de boa parte das crenças populares e folclore.

O romantismo surge assim como uma tentativa de exaltar aspectos políticos da época, como o nacionalismo, a língua nacional, a cultura popular que vinha se apagando, destacando-se uma nostalgia, um desejo de retorno a um modo de vida diferente daquele oferecido no início da modernidade.

Junto do romantismo, vieram infelizmente, muitas ideias antissemitas — os judeus eram encarados como estranhos invasores em muitas partes da Europa –, uma ideia deturpada de nacionalismo, mais ou menos similar ao que vemos hoje com Trump e Bolsonaro, além de um apego idealizado e ufanizado ao passado além de uma crítica superficial da racionalidade, opondo a ela um sentimentalismo exacerbado (que marca o uso que damos à palavra “romântico”até hoje).

Além disso, é importante destacar aí a emergência de ideias como o darwinismo e o darwinismo social, que buscava hierarquizar as culturas, justificando umas serem mais evoluídas que outras, e o surgimento da antropologia, estudos de folclore, que apesar de pontos importantes como as obras dos irmãos Grimm, e de se registrar parte do folclore que estava em processo de apagamento, todo esse contexto romântico influenciou as ideias de como era o paganismo no passado, imputando pontos de vista e ideias que foram, ao longo do século XX e começo de XXI, largamente abandonadas, por se apresentarem não equivalentes com a realidade, tratando-se mais de um produto da idealização romântica do século XIX.

O surgimento dos movimentos religiosos

Foi esse o contexto que proporcionou que algumas pessoas não quisessem apenas estudar, conhecer o passado, suas crenças e ideias; muitas pessoas foram adiante e decidiram incorporar essas ideias em suas vidas. Isso aconteceu progressivamente, e não sem influência do movimento romântico e do darwinismo social; na verdade eles foram os impulsionadores desse fenômeno.

O nome “Asetro” surge pela primeira vez numa ópera do período romântico germânico (final do século XIX) na Dinamarca, e significa literalmente “Fé dos deuses”, “Lealdade aos deuses”. Sua cunhagem foi puramente artística, mas reflete muito mais as ideias de religião vigentes, do que aquelas dos antigos pagãos. A palavra Ásatrú surge como tradução a esse termo algum tempo depois na Islândia, usado para se referir a tradições populares locais.

Mais ou menos na mesma época, na Áustria, Guido von List, um ocultista antissemita, nacionalista, uma espécie de nazista antes mesmo da existência oficial do nazismo, começa a desenvolver a sua doutrina, a ariosofia, o “conhecimento dos arianos”. Suas teorias estavam profundamente impregnadas com os desejos políticos da época, e culminaram na ideia de que o politeísmo, para a ariosofia, era uma religiosidade das massas incultas dos arianos, e que sua elite era monoteísta, cultuadora de Wōtan. Posteriormente essa teoria seria chamada de wotanismo.

Algum tempo mais tarde, já com o movimento nazista em expansão pela Europa, surge Else Christensen, na Dinamarca, a qual é profundamente influenciada pelas ideias de List. Christensen possui um largo histórico de envolvimento com supremacia e separatismo racial, e, ao migrar para os Estados Unidos, funda a Fraternidade Odinista, com base nas ideias de que o monoteísmo de Odin/Wōtan era a religião da elite ariana, supostamente agrupada em sua fraternidade, que praticaria uma variante do wotanismo, o odinismo.

Na Islândia em 1975 a Ásatrú torna-se oficialmente uma religião, fundada por Sveinbjörn Beinteinsson, baseada nas tradições locais e Eddas. A Ásatrú traz problemas para quem está fora da Islândia por ser uma organização muito fechada: para evitar contatos com o nazismo eles cortaram todos os laços fora da Islândia, e seu corpo de ideias, práticas, etc, é conhecido apenas de forma genérica, por alguns poucos vídeos e quase nenhum pronunciamento.

Nos Estados Unidos surge em 1976, a partir de uma cisão com a Wicca anglo-saxonista conhecida como Seax-Wica, o theodismo, que passa a tentar recriar a organização tribal dos povos germânicos, entendendo que a religião antiga não se desassociava da cultura e da sociedade.

Em 2010, a Associação Asatro da Suécia muda seu nome para Forn Sed da Suécia, forn sed significando “antigos costumes”. A Forn Sed é amplamente conhecida por uma postura mais cultural, menos dogmática e bastante embasada em estudos sérios, sendo uma das organizações mais respeitadas da atualidade, a nível mundial; além de deixar claro seu posicionamento antirracista.

Como podemos ver, os diversos movimentos não tem vários nomes por acaso. Não são vários nomes para um mesmo caminho. São diversos caminhos totalmente diferentes, tendo em comum as antigas religiões germânicas. A nível mundial, o odinismo é conhecido por sua associação com grupos terroristas de extrema-direita, graças ao seu posicionamento em favor de uma raça superior, e de uma casta superior nessa raça. Ritualmente falando, obras odinistas/wotanistas são impregnadas de ocultismo nazista, possuem bem pouco conteúdo de fato com alguma origem nos tempos antigos, embora aparentemente cultue os antigos deuses.

Ásatrú e Forn Sed lutam para não serem associadas a esse tipo de postura — que é herança do período romântico –, e já tem mais alguma necessidade de se voltar ao passado de maneira mais profunda. O theodismo é um movimento bastante amplo; a religião, ao mesmo tempo que é apenas parte, na verdade é o todo dele, já que toda a vida passa a tentar ser interpretada e ressignificada pela lente pagã germânica.

O movimento New Age e a Wicca

O movimento New Age ou Nova Era é datado de cerca dos anos de 1960-70, época em que também era posta a público a religião Wicca por Gerald Gardner.

Os ensinamentos da Nova Era tornaram-se populares durante a década de 1970 como uma reação contra o que alguns percebem como o fracasso do cristianismo e o fracasso do humanismo secular para fornecer orientações espirituais e éticas para o futuro. Suas raízes são rastreáveis para muitas fontes: Astrologia, Hinduísmo, tradições gnósticas, Espiritismo, Taoísmo, Teosofia, Wicca e outras tradições neopagãs, etc. O movimento começou na Inglaterra na década de 1960, onde muitos desses elementos estavam bem estabelecidos. Grupos pequenos, como a comunidade Findhorn em Inverness e Wrekin Trust formaram. O movimento rapidamente se tornou internacional. Algumas das principais ideias do movimento New Age que tem pouco ou nada a ver com o paganismo germânico antigo são: monismo (ideia de que tudo que existe deriva e uma única fonte de energia), panenteísmo (deus é tudo o que existe), reencarnação, karma através das vidas, aura, evolução espiritual, e a ideia de que deus é um estado de consciência a ser alcançado.

A Wicca, por sua parte, é um movimento bastante heterogêneo. Existem diversas tradições, mas algumas crenças comuns são que o deus cornífero e a deusa-mãe seriam duas faces de uma entidade superior maior, ou então que essa divindade seria a Deusa. Uma grande ênfase na magia é colocada, com muitos wiccanos se assumindo como bruxas ou bruxos. Não é uma regra da comunidade wiccana, mas é comum encontrar-se a noção de patronagem divina, bem como o desapego por uma cultura específica, voltando-se a vários corpos mitológicos, fundindo-os em uma espiritualidade pessoal.

Cada pessoa sabe o que é melhor para si, todavia, nem todas as pessoas podem querer assumir as ideias New Age/wiccanas em suas práticas pessoais, buscando na verdade um caminho distinto. No ‘mercado de ideias’ onde as pessoas procuram aquilo que mais se encaixa ao que procuram, muitas vezes as ideias de origem no movimento New Age ou Wicca são as mais agradáveis para a maioria, e não há mal nenhum nisso. Todavia, existem caminhos focados na experiência de um único grupo, como reconstrucionismo céltico, germânico, báltico, eslavo, etc. A ideia desses movimentos é restaurar ou recuperar o que for possível de uma determinada cultura e vivenciá-la nos dias atuais.

Heathenry: um nome problemático

Heathenry é uma palavra extremamente complexa, na atualidade. Heathen em inglês significa nada mais que “pagão”, “não cristão”. Um heathen nos tempos antigos podia ser alguém que morava em zonas afastadas da cidade, e por isso acreditava naquilo que foi passado de pai para filho; na religião original de seu povo e região. Se fossemos traçar um paralelo com os dias atuais, no Nordeste do Brasil existe a crença no Padre Cícero; não é algo reconhecido pela Igreja Católica, mas amplamente transmitido no folclore, na cultura, de pai para filho.

Outros costumes, mais provenientes dos pagãos mesmo, são por exemplo as videntes, bater na madeira três vezes para se evitar que algo falado aconteça, usar amuletos como pé de coelho ou ferradura para ter sorte. São práticas condenadas a nível eclesiástico, mas muito comuns popularmente, simplesmente porque são um hábito. As pessoas não veem mal nisso, elas simplesmente foram ensinadas a assim fazer, e veem os resultados daquilo que é feito, e assim fazem.

Mas, voltando aos heathens, como vimos essa palavra tem bastante relação com a palavra “pagão” (do latim paganus), que designava alguém que nos tempos antigos designava alguém que mora em uma zona afastada da cidade, uma zona rural (pagus). Um pagus e um heath transmitem a mesma ideia de afastamento da cidade, que é onde o cristianismo inicialmente chegou. Livremente, poderíamos traduzir pagus ou heath como “interior” (como quando pessoas das capitais se referem a quem mora nas partes mais afastadas), “sítio”. O heathen foi assim associado ao politeísmo porque o avanço do cristianismo foi sempre da cidade ao campo; podemos fazer um paralelo entre a cristianização e a industrialização. Quanto mais afastado da cidade, menos chances de se encontrar asfalto, fábricas, empresas, vários tipos de aparelhos eletrônicos e produtos; quanto mais perto, mais isso é encontrado. Quanto mais afastado da cidade, mais demorou pra uma determinada região ter sua população convertida ao cristianismo, e menos influência ele exercia sobre esse povo.

Um pagão ou heathen era literalmente um “caipira”. A palavra podia ser usada como elogio ou como afronta; depende de quem fala e de quem a ouve. Particularmente, eu não me importo em ser chamado de caipira. Não considero a cidade essencialmente mais evoluída mentalmente que o campo. E existem diversas pessoas que assumem o modo de viver na terra com orgulho; precisamos romper com a ideia de que cidade é equivalente a superioridade e progresso; principalmente quando falamos de crenças pagãs.

Obviamente um heathen pode ser usado pejorativamente por cristãos para designar qualquer pessoa não-cristã. Mas associar ateísmo ou qualquer filosofia popular ao politeísmo rural europeu é, historicamente, algo cristão. Bem como dar a heathen e pagão um caráter negativo.

Como podemos ver, heathen foi então associado a qualquer paganismo, e desde o século passado, ao paganismo germânico, e a partir de então cada vez mais vem sendo usado para designar um grupo dentro do paganismo germânico.

Todavia Heathenry significa literalmente “paganismo germânico”. Heathenism ou heathenismo são variações dessa palavra. Heathenry, assim como várias outras palavras, possuem diversos usos e sentidos que confundem os iniciantes: ela pode se referir a (1) o paganismo germânico como um todo; ou (2) um grupo de pagãos específico dentro desse grupo, os heathens. O problema é que muitas pessoas não conhecem a gama de significados que várias palavras assumem, e as usam de formas amplas, sem conseguir notar as nuances delas.

Heathenry, entretanto, tem se tornado cada vez mais sinônimo de uma abordagem diferente, ao redor do mundo. Tem-se buscado analisar o antigo paganismo, ou as fontes que preservaram seus resquícios, e livrar-se de todas as más interpretações do período romântico, bem como aquilo que seja herança dos movimentos New Age e Wicca, e não possuem relação com as crenças pré-cristãs. Associado ao Heathenry comumente está um cuidado com as fontes, e a ideia de se reviver uma cultura e visão de mundo germânica antiga na atualidade. Isso se chama reconstrucionismo, ideia notoriamente desenvolvida tanto por Bil Linzie quanto pelos irmãos Wódening — um reconstrucionismo de ideias, não um desejo puro e simples de voltar a usar machados e viver isolado da sociedade; o reconstrucionismo heathen não é uma utopia. O reconstrucionismo é uma postura metodológica perante a informação que temos, e um desejo não de meramente repetir práticas antigas, mas entender o que as motiva.

Essas são características comuns a grupos que preferem o termo Heathenry, ou Heathenismo, embora o nome seja um termo umbrella ou genérico que possa designar também outras vertentes como Ásatrú e theodismo. Para evitar confusões, preferimos especificar como heathenry tribal, ou heathenry reconstrucionista, para tornar mais claro entre os pagãos germânicos do Brasil as nossas ideias e assim evitar choques de opiniões. Uma vez que nossas práticas religiosas são bastante diferentes. O heathenry tribal se baseia no culto doméstico, no interesse de retribalizar as relações pessoais, as trazendo frith, vivendo de acordo com o theaw.

No Brasil

Aqui nas terras tupiniquins as nomenclaturas são um tanto… fluidas. Indivíduos vão se identificar indiscriminadamente como odinistas, ou asatruares ou heathens e dizer que é tudo a mesma coisa, o que, analisando as histórias de todos os movimentos, vimos que não é bem o caso. Eles possuem ideias diferentes, objetivos diferentes, práticas diferentes, da mesma forma que um evangélico não é um católico nem um ortodoxo, embora todos acreditem em Jesus. Infelizmente esse tipo de diferenciação é necessária pois o movimento de reavivamento do paganismo não é unificado, a Associação Ásatrú islandesa não tenta unificá-lo e qualquer unificação não pode acontecer sem se destruir a liberdade individual ou ideias divergentes.

No Brasil, temos organizações odinistas que não estão diretamente envolvidas com racismo, embora a centralidade da figura de Odin seja criticável em uma religião politeísta. Ao mesmo tempo, a Ásatrú está cada vez mais e mais sofrendo influências da espiritualidade e neoxamanismo New Age, bem como a associação quase indissociável entre o metal, seus fãs, seriados como Vikings e outros filmes e produtos da cultura pop como o Thor da Marvel, que influenciam pesadamente as crenças de quem consome tais produtos, não sabendo os distinguir do paganismo histórico. Cada um é livre para praticar o que quiser, mas supor que isso é mais legítimo que aquilo que fontes históricas (textos, arqueologia, folclore, etc.), é simplesmente non-sense. As liberdades poéticas em tais obras ultrapassam pesadamente o seu conteúdo histórico. O movimento romântico europeu exerce, apesar de maneira tardia, influência direta nas ideias e práticas pagãs no Brasil.

Conclusão

Infelizmente não era possível resumir mais que isso tudo que está por trás da escolha de um nome em detrimento de outro. Há muito tempo vinhamos sendo frequentemente questionados por indivíduos que se auto-intitulam ‘asatruar’, e nós não acreditamos, há um bom tempo, que o paganismo germânico seja uma pura e simples fé nos Aesir, que na verdade, ele engloba muito mais, como o culto ancestral, culto aos vaettir, ética, crença no destino, o que é amplamente não-praticado na comunidade Ásatrú, e são ideias divulgadas, em sua maioria, por pessoas que se identificam como heathens. O foco dos heathens é em entender as tradições germânicas por si mesmas, com plena ciência de que não são 100% recuperáveis, mas que isso não impede de nos aproximarmos disso sempre que possível.

Por isso, assumimos de agora em diante apenas o nome Heathenry e o adjetivo heathen para nossas práticas, embora costumes antigos (forn sed, forn sidr, aldsido, fyrnsidu, alteissidus, alte sittu) é um termo que também se encaixe no fato de encarar o paganismo como uma visão de mundo, e não como mera espiritualidade ou religião. Na verdade, espiritualidade e religião fazem parte da visão de mundo, e aqueles que querem separar ambas as coisas, não compreenderam de fato aquilo que foi o paganismo antigo. Você pode escolher conscientemente separar as coisas; mas negar sua associação é um tanto danoso, e, para evitar atritos com aqueles que querem praticar o paganismo de outras formas, esclarecemos que, ao exemplo de vários grupos no resto do mundo, somos heathens tribais e não asatruares e nada mais temos a ver com as práticas uns dos outros. Respeite e será respeitado.

 

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