Estabelecendo um local sagrado

Post original por Frankendom, Musings on Frankish Sido em inglês.
Tradução por Seaxdēor

Há um episódio no Liber Historiae Francorum, um trabalho anônimo detalhando a história semilendária dos francos datada do ano 727, que menciona o rei Clovis escolhendo um lugar para construir uma igreja dedicada ao apóstolo Paulo.

Sua rainha Chlothild sugeriu ao rei que, se ele construísse uma igreja, certamente teria vitória sobre os godos. Ao ouvir esta sugestão, Clovis pensou que ela era boa. Ele então tirou o seu franquisque, um machado de guerra franco, colocou-o diante de si e jogou-o. Ele disse então, de acordo com a fonte: “Que a igreja do abençoado apóstolo seja construída lá quando, com a ajuda de Deus, retornarmos”.

Este episódio é curto, mas acho que ele contém uma parte importante do quebra-cabeças quando se procura reconstruir o sido (costume) franco. Embora a informação que está sendo transmitida seja escrita quase trezentos anos após o reinado de Clovis, o que lemos pode ser um costume que permaneceu arraigado na mente do autor como algo que era comum o bastante para os francos ou algo que ele ouviu que os francos fizeram no passado distante.

Supondo que seja o que aconteceu e que Clovis usou seu machado para, com a ajuda de Deus, estabelecer uma igreja, isso tem alguns cognatos interessantes em fontes escandinavas. Um dos quais vem à mente é o uso de Öndvegissúlur (pilares de assentos altos) durante a colonização da Islândia, para encontrar a localização favorável de uma propriedade futura. Os primeiros islandeses tomaram pilares esculpidos que foram emblemáticos dos deuses e os jogaram no mar. Onde quer que os pilares voltassem à terra, é aí que sua casa seria erguida.

No entanto, no caso de Clovis, o que ele usa como ajuda para revelar a vontade de Deus (talvez os deuses nos tempos de pré-conversão) é um machado. Especificamente, este é um machado de guerra, que foi uma das principais armas marciais que os francos usaram em combate e foram amplamente referenciados em fontes. Isso parece semelhante a outro costume de guerra escandinavo, embora neste momento a fonte me escape, onde se lançaria uma lança sobre o inimigo para garantir a vitória.

Se dividimos o episódio, o que parecemos entender é que Clovis concorda que um novo lugar sagrado deve ser estabelecido para dar-lhe sorte na batalha e que ao usar seu franquisque, Deus (ou deuses) é capaz de estabelecer a localização e em um sentido fazê-la sagrada. Uma vez que os francos eram povos guerreiros, fazia sentido que eles usassem um machado de guerra como um instrumento da vontade dos deuses ao dedicar um local sagrado.

 

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