A Nossa Religião É Uma Religião Agrária

Publicado originalmente em Wyrd Designs (Https://wyrddesigns.wordpress.com/2016/02/16/ours-is-an-agricultural-religion/)

Traduçao de Heitor Gomes

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A nossa religião não é apenas uma religião de guerreiros, mas infelizmente isso é o mais alardeado. Nossa religião é uma religião AGRICULTURAL. Se você verdadeiramente examinar todos os nossos ritos e datas sagradas, eles se enfocam em vitalidade e sobrevivência, e portanto, especialmente nas principais épocas sagradas, conectam com momentos chave de uma cultura agrária, da colheita até a organização dos animais. Sim, nós honrávamos os ancestrais e usávamos nosso tempo honrando aqueles que morreram em bom serviço à comunidade. Mulheres que morriam no parto eram TÃO altamente honradas quanto homens que morriam em batalha em algumas comunidades. Um poeta ou skáld poderia ter honras tão altas quanto qualquer guerreiro, etc…

Os aspectos guerreiros encontrados dentro de nossa religião eram todos focados na proteção da família e comunidade. O comitatus (termo em latim para o grupo de homens de confiança que serviam como guerreiros para um líder tribal) era simplesmente a forma na qual alguns homens serviam a comunidade como um todo, estando disponíveis para lutar contra feras selvagens, bandidos, ou aqueles que pudessem atacar ou “vikear” suas comunidades. Mas o valor de um homem era determinado por: 1) Suas contribuições para a comunidade (que poderiam, mas não NECESSARIAMENTE incluíam luta/defesa) 2) Sua habilidade de falar extra-temporalmente, sobre o chifre, em honra de seus Deuses, de sua família, etc… 3) Manter e reforçar o troth (aderência e respeito aos juramentos daquela comunidade) e frith (estado de fraternidade, igualdade e bem estar entre os indivíduos daquela comunidade) em suas ações e seus feitos.

Eu acho que as coisas se confundem quando tantos descrevem os antigos povos heathens como “vikings”. Na verdade não existe nome para esses heathens antigos, pelo menos não no que os descreve em termos religiosos. Eles simplesmente eram chamados da maneira que suas comunidades eram chamadas, e parte desta identidade comunitária INCLUÍA a veneração das Divindades Norte-Européias.

O termo “VIKING” se refere especificamente àqueles que saquearam e pilharam. Bem mais que 90% dos heathens antigos não seriam considerados vikings neste sentido. E de fato, eles teriam tanto a temer dos vikings quanto outras comunidades não-heathen, e quando suas comunidades eram ameaçadas, eles lutariam contra os vikings da mesma maneira. Infelizmente, como o ápice desta civilização ocorreu durante a Era Viking e a maioria das publicações acadêmicas de nosso tempo, por muito tempo, foram focadas primariamente nos Vikings, isto se tornou deturpado e confuso. É necessário se lembrar que esta religião existiu por milênios ANTES que os vikings sequer entrassem em cena. É claro que também não ajuda estas questões o fato que acadêmicos e até heathens dos dias atuais se refiram a todos os povos dos tempos antigos utilizando “Viking” como termo abrangente, mesmo quando estes povos certamente não eram os saqueadores para os quais esse termo deve ser aplicado.

E nos anais da história, o que é mais interessante se escrever sobre: batalha, ou a colheita a ser plantada? Obviamente, a primeira opção… e desta maneira não é surpreendente que a maioria do que foi escrito pelas penas dos estudiosos cristãos após a conversão da Europa pagã é focado ou em guerra ou batalha, magia ou humor. Por que escrever sobre os eventos que as pessoas que viviam e dependiam tanto da terra para sua sobrevivência já conheciam como parte normal de suas rotinas cotidianas? Portanto as histórias se tornam o reino do extraordinário, e não a melhor fonte dos feitos diários das culturas que elas representam.

O líder tem um compromisso sagrado de proteger seu povo, isso é feito garantindo que haja alimento, assegurando que a plantação fosse semeada, que os alimentos fossem colhidos, assegurando que as oferendas fossem feitas aos Deuses e ancestrais, que os vaettir locais fossem apaziguados e que os vaettir maliciosos fossem mantidos afastados. O líder cuidava dá saúde e plenitude de seu povo, iniciando relações comerciais, cuidados e as maquinações da diplomacia. Pegar em armas e liderar homens em batalha era apenas parte de sua função, e normalmente era a menos frequentemente aplicada de todas as funções administradas pelo líder.

Odin pode ser um Deus de guerreiros, mas ele também é um Deus de poetas. Tanto a palavra quanto espada eram igualmente importantes, e é errôneo o enfoque em uma à despeito dá outra, na medida de que isso deturpa a cultura original do Heathenismo antigo.

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