Týr e a coragem

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Texto de Sonne Heljarskinn
Publicado originalmente em facebook.

Týr é reconhecido como uma divindade antiquíssima e provavelmente deus principal anterior a Óðinn, e que em algum momento da história (talvez na mesma época da guerra entre Aesir e Vanir) perdeu o poder, sendo assim substituído pelo deus Caolho.

Todavia, Týr é reconhecido como um Aesir. E, em nenhum momento ele se revolta contra os deuses que lhe sucedem, que, de certa forma, ofuscaram-lhe a fama, fazendo com que tivessemos bem poucos registros dele atualmente.

Pelo contrário. É sabido que Týr foi o único que teve coragem de encarar desafios inevitáveis, em prol do seu clã. Ele, como o deus-guerreiro (e não apenas chefe destes, como Óðinn), encarnando em si as virtudes da valentia e falta de medo, alimentava o raivoso cão Fenrir para, possivelmente, controlá-lo e não fazê-lo ceder ao ímpeto.

Mas mais que isso. Týr é o único que tem coragem para fazer um autossacrifício. Nenhum dos outros deuses arriscou a colocar a mão na boca de Fenrir quando eles finalmente haviam conseguido uma corda/corrente realmente eficaz para o prender. Era essa a exigência do lobo para que se deixasse amarrar. Logo, era preciso se dar uma mão para o retorno da friðr, da paz, do equilíbrio. Um sacrifício precisava ser feito, mas à sua comunidade.

O que alguns hoje diriam? Que são os mais fortes, os mais destemidos, os que protegem o clã, logo eles não deveriam fazer tal sacrifício por serem guerreiros, protetores da tribo, transvestindo sua covardia de coragem. A coragem não está na ausência de medo, mas na capacidade de superá-lo, não importa o que aconteça.

Jogariam a responsabilidade a alguém mais velho, doente, enfraquecido. Por si só esse ato faria Fenrir suspeitar e perceber que a moeda de troca não compensava o esforço. De certa forma apenas o mais bravo e forte fisicamente deveria fazer esse sacrifício: pois daria confiança ao lobo. Mas também um membro, tornando-se ligeiramente menos apto para o manejo da espada.

Týr não disse: “Vocês me roubaram um reino, que então alguém perca a mão”.

O sacrifício aqui não é uma chantagem, redentora dos atos dos deuses que os levaram até ali. O sacrifício de Týr em nada lembra o de outras divindades em outras religiões. É um ato de virtude, imitável (e não apenas louvável) em respeito ao seu kin.

E assim a lição que o poderoso, honrado e corajoso Týr nos ensina é que ninguém é bom o suficiente que não deva se sacrificar pelo bem da comunidade. Que não deva oferecer o seu melhor (e perder isso, se for necessário), para o bem da tribo. Que ninguém é forte o suficiente para fugir de doar algo essencial de si pelo bem do clã, quando isso se fizer necessário.

 

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