Precisamos falar sobre Óðinn

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Texto por Sonne Heljarskinn
Publicado originalmente em facebook

Existem muitos mal-entendidos quando falamos sobre Óðinn. O primeiro é que ele jamais é a personagem que as crianças que amam quadrinhos gosta de fazer ele.

Quando falamos na figura mitológica que conseguimos recuperar e vamos tirando a poeira que há sobre sua imensa estátua, para tentar entendê-la, vê-la melhor, trazê-la das profundezas do Helheimr do esquecimento, e torná-la novamente uma poderosa divindade, objeto de culto e que liga a linhagem que vai de mim até meus ancestrais – mesmo que eu não me declare um odinista, “filho de Óðinn”, é mais que sabido que ele está por trás da criação de toda a humanidade, e é nesse sentido que ele é pai de todos e não como uma babá de adultos que enchem a cara de álcool para gritar “Hail Odin” ao som de metal.

Óðinn não é um papai carinhoso. Óðinn é o deus da guerra e do sangue, o senhor das valkyrjor, aquele que busca os espíritos e semeia a sua prole por entre os homens. Na humanidade ele é muito mais como um zangão, aquele que sempre está semeando conhecimento, existência, etc, mas não porque sejamos seus filhos caçulas amados e mimados. Os humanos possuem uma ligação e assumem uma responsabilidade com Óðinn.

Ele não é um deus fácil. Não é um deus que se apresenta muito. Nem é sequer um deus que chama a atenção. Anda por aí com uma roupa discreta, e chama-se “Bolverkr” quando decide vir à humanidade. Eu quase posso ouvir o som estridente das gargantas de seus dois corvos passeando pela imensidão.

Óðinn não é somente um deus da guerra. Óðinn é um deus do bom governo, da boa gestão, incluso a gestão pacífica. Óðinn é um guerreiro quando é necessário – mas nunca é um guerreiro quando isso não é obrigatório. Quem duvidar, que se lembre do Óðinn tirando onda de Thórr na Harbardsljód ou enganando o gigante para conseguir chegar até a fonte de Mimir. Óðinn é um deus das decisões sensatas – parece que desde a guerra entre Aesir e Vanir os primeiros passaram a ser mais estrategistas e menos guerreiros. Algo que se romperá no Ragnarök.

Óðinn não é Woden e não é Wotan ou Wodan. Óðinn não é sequer o Odin moderno. Óðinn é um deus poderoso, astuto, cortês, em busca de sabedoria e diversão. Óðinn pode ser uma variante ou ancestral das outras figuras com o seu nome; pode ser mesmo uma outra personalidade dessa divindade tão ampla. Mas reduzir o Óðinn islandês ao Wotan alemão é balela. Principalmente se falamos daquele de Wagner – definitivamente não são o mesmo personagem/entidade.

Assim, Óðinn, o poderoso deus, aquele que fala através das runas, do barulho do vento, das aves, em especial dos corvos e pássaros necrófagos, não pode ser jamais reduzido a um “portador de Gungnir, a lança que nunca erra o alvo”. Ele é o sábio ancião andarilho, aquele que se disfarça de tolo – e põe-se a observar os outros e sua hipocrisias…

Não brinque com o Calho – a menos que você esteja disposto a pagar o preço dos sacrifícios que ele exige. Cultuar Óðinn é muito mais que dizer “Hail Odin” toda a quarta-feira.

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