Infinitas Direções: Para onde vamos daqui?

Por Ceadda Þunoring.
Postado originalmente em inglês em Þunresfolc Heorþ.
Tradução de Sonne Heljarskinn e Raendel.

Quando você gasta tempo aprendendo, debruçado sobre livros, conversando com pessoas diversas que têm muitas abordagens diferentes sobre como as coisas são feitas, e você começa a perceber que há um monte de respostas para as mesmas perguntas. Afinal, se você fizer a dez heathens [pagãos] uma pergunta, esteja preparado para doze respostas. Houve um tempo em que eu negava esse fato. Afinal, eu só queria respostas claras e concisas. Você faz isso, por causa disso. Simples. Fácil.

Bem, muitas vezes não é. No entanto, Eu aprendi que isso não era necessariamente pra ser assim. Não só isso seria chato, mas seria desonesto. Falharia ao retratar a diversidade de abordagens que a reconstrução de uma visão de mundo antiga de diversos povos lhe daria.A grande ironia no tempo em que eu me chamei de heathen é: Quanto mais livros eu leio, quanto mais falo com Heathens, e quanto mais eu apreendo os conceitos da cosmovisão, menos me preocupo com minha identidade como um Heathen. Em vez disso, acabo por me tornar mais centrado na identidade do meu lar.

Isto não é, de forma alguma, um fracasso por parte das minhas experiências na comunidade Heathen. Em vez disso, é um sucesso. Afinal, o Heathenry [paganismo] era local, e cresceu organicamente, no passado. Apesar das semelhanças dessas culturas, suas experiências diferiram. Assim, eles se viam como pessoas diferentes de seus vizinhos, pagãos ou não. As tribos tinham suas próprias identidades. Embora duas árvores da mesma espécie se ramifiquem e brotem da mesma maneira, elas ainda assim não serão exatamente iguais. Elas ainda são duas árvores diferentes.

Isso em si é a beleza inerente dos Heathens, e muitas outras tradições politeístas. Eu posso, por exemplo, entender os mesmos conceitos de cosmovisão que podem fazer com que outro me veja como um Heathen, um Fyrnsidere, mais especificamente, mas ainda minhas práticas podem variar da deles, as deles de outro, e assim por diante.

Depois de uma conversa com os amigos, eu percebo que dizer isso faz soar como se eu estivesse com estas declarações abrindo uma porta para algo “livre para todos”. O que, embora haja pouco a nada que eu possa fazer sobre isso, mesmo que fosse, não é o que eu estou tentando dizer. Eu acho que devo esclarecer, e graças a esses amigos, este post foi impedido de levar uma mensagem que eu não tentei dizer. Aqueles com uma boa compreensão sobre a visão de mundo poderiam facilmente encontrar-se em seus grupos ou lares construindo práticas sólidas e significativas que inspiram outros a fazer o mesmo, e criar aquelas deles mesmos.

Eu passei muito tempo me perguntando sobre o que você faz a partir do momento que você tem uma compreensão decente da visão de mundo. Se você apenas meio que faz o que quer que seja que alguém que tenha mais experiência acha que se deve fazer, ou se, por outro lado, você toma esse conhecimento, e forja algo grande, que põe o mundo, e a compreensão dos antepassados, wights [vaettir], deuses e outras pessoas em perspectiva. Então, eu não posso ter a melhor resposta para a pergunta no título, no entanto, esta é a direção em que estou inclinado.

Assim o que eu encontrei em meu tempo de correspondência, enquanto escrevia um artigo, esperando ensinar no Lārhūs, era o que eu estava aprendendo, eu mesmo. Quando eu ensino conceitos para Cyndre, meu amor e companheira de lar, por exemplo, eu me acho aprendendo mais do que ensinando. Que uma vez que você tem esse escrutínio [“canvass”, “exame extremamente detalhado”] metafórico da cosmovisão historicamente informada, você pode pintar um belo quadro. O mesmo escrutínio [canvass] que qualquer outra pessoa com essa cosmovisão, mas algo único para seu próprio grupo ou lar. Onde a minha falta de desejo do “livre para todos” vem com isso: Se você não tem a tela [canvass], você está indo apenas para respingos de tinta em todos os lugares.

Nós todos vimos essas “bagunças” na forma daqueles que tentam tirar de culturas que eles não sabem nada, e apenas transplantam deidades, ou símbolos para vender livros de New Age. Ou daqueles que usam o Heathenry para promover suas agendas políticas, mais preocupados em fazer o Heathenry se encaixar nessas agendas do que tentar entender a cosmovisão, e ver através dessa lente. Às vezes eles ganham alguma popularidade, mas muitas vezes afundam lentamente, ou pelo menos atraem forte oposição. Incluindo aqueles que parecem querer usá-lo como uma maneira de chamar a atenção, ou para transformar o Heathenry em algo como igrejas (Não, isso não é um provocação anticristã.), Instalando um senso de falsa camaradagem, diminuindo a importância de títulos que nós conseguimos através de atos ou parentesco (irmã, irmão, amigo). Uma compreensão sólida da cosmovisão impede essas coisas.

Como eu não vejo um, ou um punhado de tradições, mas centenas, milhares com um núcleo semelhante, mas diferentes experiências que as moldam. O Heathenry, e o Fyrnsidu são coisas bonitas. No entanto, eles são guarda-sóis. Então, se alguém tivesse me perguntado meu costume, ou tradição, ou, acho que a religião, em última análise,ela é Þunresfolc Heorþ. Baseado em Fyrnsidu [antiga tradição], baseado em Heathenry, Politeísmo, Paganismo, o que você tiver. No entanto, também é algo próprio. É isso, que eu desejo para quem lê isto.


Observação do tradutor: Heathenry é a palavra referente ao paganismo, cosmovisão ancestral, politeísta, comunitária baseada no reconstrucionismo do modo de ver e viver dos antigos povos germânicos. Pode ser traduzido por paganismo, embora não seja um equivalente exato, uma vez que o Heathenry é apenas uma forma de paganismo, como o theodisc geleafa, wicca, paganismo celta, rodnovery, etc. Heathen, assim, é quem assume essa visão de mundo, mas, vale ressaltar, apesar de todo Heathen ser essencialmente um pagão, nem todo pagão é um Heathen.

Fyrnsidu é um termo em inglês antigo para antiga tradição, próximo ao “forn sed” escandinavo. Refere-se à maneira de viver reconstrucionista dos povos anglo-saxões, e, assim como o Heathenry, é muito mais que uma religião, mas um modo de viver, interagir com a comunidade, e não apenas um culto a deuses de determinados povos. É por isso que o autor bate tanto na tecla de que não adianta fazer o Heathenry ser apenas algo como uma Igreja, uma vez que ele é muito mais que isso, é uma filosofia de vida, um modo de agir e se organizar socialmente.

Agradecimento à Andressa Berigo que ajudou a gente com algumas coisas confusas na tradução :}

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