Uma viagem ao Hel

14947392_1332375726813749_6901739188376850072_nPor Lēoht Steren, Þyle do Hvergelmir International

Postado originalmente, em inglês, na página do Hvergelmir no facebook

Tradução por Sonne Heljarskinn

 

Muitas pessoas cometeram o erro de pensar que Valhalla (Valhöll – “Salão dos mortos em batalha” – em Nórdico Antigo) é uma espécie de “Paraíso Heathen”, com Odin como uma figura paterna benevolente para aqueles que chegam à sua porta. Isto está longe do que podemos identificar na tradição existente e, para tentar mudar as percepções, oferecemos uma história curta de alguém que não acaba na casa dos Einherjar (nem, de fato, deveríamos querê-los!) :

Uma criança pequena, com não mais de sete invernos de idade, tropeça através de Gjallarbrú, a ponte sobre o rio Gjöll. As lágrimas mancham suas bochechas, e o medo marca seus olhos. Móðguðr pisa diante dela e, por um momento, a criança recua aterrorizada com a dís. O rosto endurecido pela batalha se amolece e ela se agacha para falar: “Olá, querida criança, não tenha medo, esta é a entrada para Hel e você não será machucada aí dentro. Sua família espera por você com amor. Deixe-me levá-lo até eles.” Móðguðr estende uma mão e a garota a toma cautelosamente.

A dupla percorre o reino dos mortos tranquilos e, embora seja quente como uma manhã de verão, Móðguðr sente um calafrio enquanto a criança conta a história de um homem covarde. Ele bebia muito, era miserável com os presentes, e batia na sua esposa e filhos. As marcas da última surra ainda apresentavam-se cruas na menininha andando de mãos dadas com Móðguðr através de Hel.

Depois de um curto período de tempo, a dupla chegou a um meadhall, com muitas casas em torno dele. As pessoas que moravam neste lugar viram a dupla vindo e pararam suas tarefas para cumprimentar a menina com todo o calor de seus corações. Móðguðr deixou a menina com sua família e voltou para sua vigília na ponte.

Uma mulher idosa conduziu a menina para uma casa perto do salão e falou: “Querida, eu sou sua bisavó e, feliz como estou de vê-la novamente, me entristece que nos encontremos tão cedo.” Enquanto ela falava, a mulher suavemente tirou as roupas sujas, limpou as lágrimas e as feridas e deu-lhe roupas frescas para vestir. Os olhos da menina perderam o medo e brilharam de felicidade. Ela agora morava com seus entes queridos em uma terra sem dor.

Algum tempo depois, Móðguðr retornou àquela aldeia em Hel, guiando um homem. O homem mal conseguia se levantar dos ferimentos, mas Móðguðr não abrandou o ritmo nenhum pouco. Quando os que moravam ali viam os dois se aproximarem, fizeram uma pausa em suas tarefas. A menina reconheceu seu pai e bateu em sua bisavó. Desta vez, as pessoas não saudaram o homem calorosamente. Pelo contrário, os homens da aldeia pegaram-no com as mãos asperamente, de modo que ele não podia escapar.

Levaram-no da aldeia para o lugar onde a terra encontrou a água em Nástrǫnd. Ossos afiados cortaram os pés descalços do homem e ele gritou de dor. De repente, o chão se retorceu e o grande dragão, Níðhǫggr, irrompeu da horda de cadáveres. Os homens da aldeia jogaram o pai da menina no chão diante do malicioso e voltaram para suas casas e suas tarefas, os sons de mastigação e sucção desaparecendo em seus ouvidos.

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