Vida e Espírito dos Pagãos segundo Grönbech

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Por Sonne Heljarskinn

O presente texto é essencialmente uma análise e uma síntese do capítulo “Life and Soul” do livro de Vilhelm Grönbech, “Culture of the Teutons”.

É importante destacar que há três momentos da análise de Grönbech quando ele se propõe a fazer quase uma “metafísica” ou “filosofia do ser (existência) enquanto tal”. Inicialmente todas as coisas são apenas uma, enquanto existentes. A Natureza é entendida próxima da physis grega aqui, como tudo que existe (aparentemente) independente do humano. A natureza existe e as coisas são unidas por ela enquanto existentes. O homem e a Natureza são um da mesma forma que mãe e filho em seu útero, sendo que as coisas gestadas pela Jord (Terra, realidade material) não podem ter vida independente desta.

E tudo que existe, que está-aí na Natureza possui uma alma, uma consciência, um espírito. Para o antigo humano do norte a dicotomia entre seres animados e inanimados é inexistente. Tudo que é, que existe, possui uma parte material e outra espiritual. Mais que isso, essa parte ‘imaterial’ é consciente e passível de ser comparada com a dos humanos. É nesse sentido que deuses, vaettir (espíritos da terra) e outros seres aparentemente fantásticos não são apenas ‘personificações’. O Deus do Trovão é o espírito, a alma, dos trovões, assim como cada um de nós possui um corpo e seu respectivo espírito. Nós manifestamos nosso espírito através de nossos corpos; Freyja através da fertilidade, Odin através da poesia e da guerra. Da mesma forma os espíritos da pedra, da árvore ou de um animal se manifestam através de suas formas materiais. Da mesma forma que nosso próprio planeta e universo têm suas vidas e consciências particulares.

Neste ponto é preciso fazer uma pausa e analisar a relação de contradição (dialética) entre: 1) a unidade da existência material (ou, melhor, da existência a cada momento dada à luz por Jord, que gesta cada segundo e o põe na realidade para fora de seu útero); e 2) a particularização de cada manifestação dentro desse todo para apreender a síntese deste processo. Percebe-se então que a vida, a existência se manifesta em grupos de proximidade, por exemplo, o dos humanos, ou de um determinado clã de humanos; o dos ursos; o dos lobos; o dos deuses. Da mesma forma que os dedos são mais similares entre si do que se comparados aos olhos, ou aos dentes, sendo que cada um dos dentes são parecidos com os outros dentes e os olhos entre si. Isso porque o nórdico não falava de “um dedo” ou de “o dedo”, mas de dedo. Não falava de “um urso”, de “o urso”, mas de “urso”. Indefinido, definido, singular e plural se fundindo exprimiam uma ideia generalizada, a que para nós é vastamente fragmentada e temos uma dificuldade tremenda para compreender como unitária. Da mesma forma que dedos, apesar de serem similares entre si, são diferentes dos olhos e dentes, mas todos, ainda assim, são partes do corpo humano, integrando e compondo sua essência. Da mesma forma nós somos partes do corpo de Jord.

Assim, em resumo, para os nórdicos, segundo Grönbech, 1) todas as coisas são uma em Jord; 2) tudo que existe vive pois existir materialmente é manifestar um espírito; 3) Mas cada uma dessas coisas possui seu próprio grupo ou clã, aqueles aos quais são similar e próximas.

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