Freyja e Frigg

Frigg

Texto em inglês por Stephan Grundy. Tradução para o português de Sonne Heljarskinn.

Embora a maioria dos mitos da Escandinávia foque as ações desses dois grandes deuses, Óðinn e Þórr, enquanto as deusas são muito menos bem representadas, no entanto, há pelo menos duas figuras femininas que desempenham um papel bastante proeminente nas Eddas: Freyja e Frigg. Aparentemente, as duas parecem ter pouco em comum. Frigg aparece como a esposa de Óðinn, a matrona da casa e um relativo modelo de virtude social – características que Wagner caricaturou em Die Walküre, onde Fricka é uma chata terrível! Poderia ser um pouco precipitado afirmar que Frigg é a “deusa-mãe” do Norte, mas ela é certamente uma figura materna no mito no qual ela interpreta a parte mais ativa – quando, perturbada por profecias da morte de seu filho Balder, ela faz tudo no mundo jurar não prejudicá-lo; e o kenning ‘Friggjar niðjar’ (descendentes de Frigg) é usado para os deuses em geral em Egill Skalla-Grímsson de ‘Sonatorrek’ (meados/final do século 10), de modo que seu caráter materno pode, pelo menos, ser tomado como significativo. Freyja, por outro lado, é muito sexualmente livre e ativa. Ela tem duas filhas, Hnoss e Gersimi, sendo que ambos os nomes significam “tesouro”, mas, como será discutido depois, o significado deste nome e as referências sobreviventes à “filha de Freyja” na poesia escáldica emprestam um certo grau de dúvida para o status materno real de Freyja. Muitas de suas atividades, como a prática de magia seiðr, colocam-na firmemente fora da esfera da sociedade normal; ela poderia ser chamada de “mulher selvagem” dos mitos do Norte.

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Cultuando os deuses

Texto de Diana L. Paxson. Originalmente publicado em IDUNNA 20, 1993. Traduzido a partir do site do Hrafnar por Sonne Heljarskinn com auxílio de Raendel.

Veiztu hvé rista skal, veiztu hvé ráða skal?
veiztu hvé fá skal, veiztu hvé freista skal?
veiztu hvé biðja skal, veiztu hvé blóta skal?
veiztu hvé senda skal, veiztu hvé sóa skal?
(“Havamál”: 144)

Entre as estrofes mais conhecidas do Hávamál está aquela citada acima, que resume as competências necessárias para runas e religião. Os dois primeiros versos, em que o Altíssimo se refere à inscrição, leitura, coloração, e interpretação das runas, são frequentemente citados. O segundo par de linhas é menos familiar, mas os verbos utilizados contêm a essência da prática religiosa germânica. O primeiro, bithja, tem uma relação próxima com o inglês “bid” e é geralmente traduzido como “pedir” (ask). De acordo com Grimm, o termo tem a implicação de súplica. A segunda, blóta, refere-se ao sacrifício em que o sangue foi usado para abençoar as pessoas e a carne comida depois de ter sido dedicada aos deuses. O terceiro verbo, senda, pode ser traduzido como “enviar”, com a implicação de que se trata de passar a mensagem aos deuses, enquanto o quarto, sóa, significa fazer uma oferta que é, em certo sentido “dilapidada”, talvez algo que é destruído ou deixado aos elementos ao invés de ser compartilhado. Juntos, eles resumem as principais maneiras em que as pessoas do Norte cultuavam seus deuses.

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Três Abordagens para o Culto Ancestral no Heathenry Moderno

Tradução do inglês para o português por Sonne Heljarskinn.

Kari Tauring e eu estávamos um escrevendo ao outro hoje sobre o culto dos ancestrais e a identidade cultural, e isso trouxe à mente três diferentes abordagens que existem dentro do Heathenry moderno para honrar nossos ancestrais. A maioria dos heathens realmente usam todas as três abordagens, mas a maioria se concentra em um (ou talvez dois) deles como sua principal abordagem para honrar seus ancestrais. Eu acho que seja útil examinar todas as três abordagens e discutir os benefícios de cada uma. Eu progredirei na ordem do menos pessoal para o de natureza mais pessoal.

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