A Saga Não Contada do Viking Negro

Hjør e Lufvina com os gêmeos Geirmund e Håmund Heljarskinn por Anders Kvåle Rue

Hjør e Lufvina com os gêmeos Geirmund e Håmund Heljarskinn por Anders Kvåle Rue

Texto original em inglês (link) por EYGLÓ SVALA ARNARSDÓTTIR. Tradução de Sonne Heljarskinn & Andarilho. This translation has no commercial purposes.

Eu (já) tinha ouvido falar do Viking Branco (White Viking) antes, mas o Viking Negro (Black Viking) … quem era? Como eu sempre fui interessada na história e nas sagas islandesas, eu ouvia atentamente quando este personagem misterioso apareceu em um evento social recente.

Landnámabók (Livro de Povoações), um manuscrito medieval relacionando os colonos nórdicos da Islândia nos séculos 9 e 10, descreve Geirmundur Heljarskinn, o filho do rei norueguês Hjör Hálfsson, como “o mais nobre de todos os colonos.”

Ele disse ter viajado o país com nada menos que 80 homens armados e esteve na posse de um grande grupo de escravos, que estavam estabelecidos em torno das regiões Oeste Fiordes e Dalir, a partir dos exuberantes Breiðafjörður no sul para o irregulares Hornstrandir no norte.

Geirmundur era um homem de grande riqueza, mas como ele alcançou esse status é desconhecido. Alguém poderia pensar que ele deveria ter se provado um protagonista valioso para uma saga, no entanto, apenas fontes fragmentadas e lendas existem sobre ele.

O autor islandês e doutor em estudos nórdicos Bergsveinn Birgisson perguntou-se por que (isso) era (assim). Uma década de investigação levou à publicação de Den svarte Vikingen (‘O Viking Negro’) na Noruega, em 2013, uma fusão entre um ensaio acadêmico e romance histórico.

É uma leitura fascinante. Aqui está um pequeno trecho de minha tradução:

Os rumores sobre a Islândia devem ter circulado em Dublin por um longo tempo… Talvez Geirmundur e seus homens haviam conversado com alguém que tinha navegado há ali anteriormente. Ali provavelmente tinha havido uma expedição nórdica à Islândia em algum momento no passado, e quando uma próxima expedição surgiu, deve ter chamado a atenção da elite dos noruegueses em Dublin que se apressou a adentrar com os seus representantes nesta corrida por recursos.

Geirmundur e sua comitiva podem ter navegado em torno de toda a ilha para avaliar cada região … Em Hornstrandir eles observaram um grande número de animais que estavam (nas terras) atrás, mas perceberam que não era o lugar ideal para povoarem. Deve ter havido um grande esforço para localizar boas rotas de transporte entre Breiðafjörður e Hornstrandir.

Sabemos, pelo menos isto: Quando Geirmundur e seus homens navegaram para o norte dos Breiðafjörður eles encontraram exatamente o ambiente e os precisos recursos que eles estavam procurando. Esses caras não teria tido a nossa moderna visão turística quando examinaram os fiordes; eles desejavam a terra. O colono deseja um fiorde, deseja um vale e os recursos que eles oferecem, e ele pensa: “Isto será meu”.

De acordo com Bergsveinn, morsas são o que Geirmundur foi (procurar) depois: a pele para fazer corda, gordura para fazer o óleo e marfim. Estes produtos foram extremamente valiosos para os colonos Viking em Dublin e aos comerciantes de mais longe.

Nas fontes, Geirmundur é descrito como “preto e feio” e seu apelido Heljarskinn significa “pele negra” (literalmente: ‘pele como Hel’). Bergsveinn raciocina que Geirmundur foi realmente meio-mongol, que seu pai tinha encontrado sua esposa através de negociação com os indígenas que caçavam morsas em um país dos Vikings chamado Bjarmaland, a atual Sibéria.

Para defender sua teoria, Bergsveinn cita a pesquisa de Agnar Helgason sobre o fundo genético islandês da deCODE (Empresa Biofarmacêutica de Reikjavik – Islândia) e a descoberta de uma mutação especial dentro do haplogrupo Zia por Dr. Peter Forster de Cambridge, que confirma antecedentes nacionais de origens mongóis. Esta ainda é evidente em alguns islandeses hoje, Bergsveinn aponta, como em Björk, que tem um olhar asiático, apesar de ser etnicamente islandesa.

Então, por que a história de Geirmundur foi abafada?

Não apenas sua aparência, mas também suas práticas não se enquadram muito bem na imagem que os autores de saga queriam promover ao documentar dois séculos de história de sua nação ou logo após a povoação, Bergsveinn escreve.

Foi suposto que a Islândia seria uma nação de iguais, uma nação de homens independentes que escaparam da tirania do rei Harald Fairhair e fundaram uma democracia, enquanto o império de Geirmundur foi muito dividido em classes com os escravos sendo os mais baixos dos baixos.

Talvez fosse o fato de que Geirmundur foi considerado principalmente ser um homem de negócios engenhoso pelos autores saga e não ser pego no drama o suficiente para ser incluído, embora Bergsveinn pense que uma vez que as morsas desapareceram e o império de Geirmundur desabou, houve certamente bastante drama digno de uma saga emocionante.

Há muito mais direcionado a O Viking Negro que Bergsveinn escavou fora das profundezas da história, desafiando a imagem largamente aceita dos Vikings e da história da colonização da Islândia.

Bergsveinn me deixou em chamas, com certeza, então baseado em seu livro e minha entrevista com ele, eu vou elaborar (um texto) sobre a saga anteriormente não contada de Geirmundur Heljarskinn em um artigo na próxima edição da Iceland Review Magazine.

3 thoughts on “A Saga Não Contada do Viking Negro

  1. E, além do fato de estarem fazendo um show sobre um dado acerca de uma determinada pessoa, em meio a centenas de outras das sagas, o que mais há?

    A pesquisa acima que e sua origem no Untold Saga, é só uma forma de massificação para ativar o processo de erradicação de populações nativas e perda de cultura, em nível ainda mais acirrado do que nos dias atuais.

    Apenas estão divulgando o que os donos do dinheiro querem que seja divulgado, com o intuito único de substituir uma população por outra mais barata, mais dócil e mais obediente, algo extremamente similar a população brasileira, mas isso é algo Kalergi demais para ser citado abertamente.

    Em verdade a revista original que produziu esta matéria simples gerou um desserviço.

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    • Não ela não prestou um desserviço. Deixe de ser tão intolerante e cego, G. Wotan.
      Essa matéria sequer é nova, e a pesquisa do autor também. O problema é seu se não consegue enxergar o mundo e a humanidade além dos brancos. E você é o defensor dos “heróis”. Como assim você quer falar agora de “um show sobre um dado acerca de uma determinada pessoa”, que é exatamente o que se faz sobre um herói? Coerência, por favor.
      E não existe “saga Untold”. Não existe uma saga para Heljarskinn. É isso que “Untold” significa. Mas seu fanatismo tá longe de deixar você ver isso. Nada poderíamos esperar de diferente de um nazista como o senhor. “Hvit Folk”: o cara que mistura yoga com runas germânicas e quer defender cultura nacional, tsc

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