O Deus Bragi

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Tradução de Andarilho do livro “MYTHS OF THE NORSMEN FROM THE EDDAS AND SAGAS” de H.A. Guerber..

Vou lhes contar a história de um deus, filho de Odin, menestrel e compositor de Asgard, aquele que toca em Valhalla e recebe os mortos em batalhas com canções tão belas que fariam os homens mais duros de coração chorar como crianças. Hail Bragi! O deus poeta:

Odin e o hidromel da inspiração

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Nos tempos das disputas entre os Aesir e os Vanir, quando a paz havia sido estabelecida, um vaso foi levado à assembleia e todos os presentes de ambos os lados cuspiram dentro dele. E desta saliva os deuses criaram Kvasir, um ser reconhecido pela sua sabedoria e bondade, que percorreu o mundo respondendo todas as perguntas que lhe foram feitas e assim ensinando e beneficiando a humanidade. Os anões ouvindo falar sobre a grande sabedoria de Kvasir almejaram-na, e de dois em número, Fialar e Galar, um dia encontraram-no adormecido e traiçoeiramente o matam para drenar cada gota de seu sangue dentro da chaleira Od-hroerir (inspiração) e dentro das tigelas Son (expiação) e Boden (oferta). Após devidamente misturarem o sangue com mel, eles manufaturaram uma espécie de bebida tão inspiradora que qualquer um que a provasse imediatamente se tornaria um poeta que pudesse cantar com tanto charme que ganharia todos os corações.

Apesar de os anões terem preparado este maravilhoso hidromel para o próprio consumo, eles nem ao menos o provam, mas o escondem em um lugar secreto enquanto eles buscam por novas aventuras. Eles não tinham ido muito longe ao encontrarem o gigante Gilling igualmente adormecido em um barranco, e eles maliciosamente o rolam para dentro da água, onde ele morre afogado. Depois, seguindo para as habitações do gigante, alguns escalam no telhado com uma enorme rocha de moer enquanto os outros, entrando, contam à giganta que seu marido havia morrido. Estas notícias lhe causam enorme aflição e ela corre para fora para ver onde Gilling havia perecido. Assim que ela passa pela porta os perversos anões rolam a pedra por cima de sua cabeça matando-a.

O crime duplo que eles cometem não permanece sem punição, pois o irmão de Gilling, Suttung, rapidamente foi em busca dos anões, determinado por vingança. Prendendo-os em seu poderoso aperto, o gigante os levou para mar afora, onde certamente teriam morrido na maré alta caso não tivessem, em troca de suas vidas, prometido entregar ao gigante o seu recém fabricado hidromel. Assim que Suttung os solta na costa, eles lhe entregam o precioso composto, que ele confia à sua filha Gunlod, pedindo-a que o guarde dia e noite e que não permita que nem deuses nem mortais obtenham ao menos uma pequena prova. Para melhor realizar este pedido, Gunlod carrega os três recipientes para dentro da montanha oca onde ela os vigia com o maior cuidado, no entanto ela não suspeita de que Odin tenha descoberto o seu esconderijo graças aos bons olhos de seus dois corvos Hugin e Munin.

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Odin, quando dominou as runas e quando provou das águas da fonte de Mimir, já tinha se tornado o mais sábio dos deuses, mas ao ficar sabendo do poder da bebida da inspiração feito do sangue de Kvasir, ele se tornou ansioso para obter posse do fluido mágico. Com este propósito em mente ele então vestiu seu chapéu de abas largas e seu manto para partir então a Jötunheim. Em seu caminho para a morada dos gigantes ele passa por um campo onde nove escravos feios estavam ocupados cortando feno. Odin para por um momento para observá-los em seu trabalho e percebendo que suas foices estavam muito cegas, ele lhes propõe afiá-las, uma oferta que os escravos bem aceitaram. Retirando uma pedra-de-afiar de seu manto Odin procedeu em afiar as nove foices, habilmente dando-lhes um fio tão bom que os escravos, encantados, imploram pela pedra. Com bom humor Odin joga a pedra por cima do muro, mas enquanto todos os nove escravos simultaneamente pulam a frente para pegar a pedra se ferem uns aos outros com suas recém-afiadas foices. Com raiva de seu respectivo descuido eles começam a brigar e não param até todos estarem mortalmente feridos ou mortos.

Desanimado por essa tragédia Odin continua seu caminho e pouco depois chega à casa do gigante Baugi, um irmão de Suttung, que o recebeu com hospitalidade. No andar da conversa Baugi lhe informa que estava num grande embaraço por que era época de colheita e todos os seus trabalhadores tinham acabado de serem encontrados mortos no campo de feno.

Odin, que nesta ocasião tinha dado seu nome como Bolwerk (fazedor do mal), prontamente ofereceu seus serviços para o gigante, prometendo completar tanto trabalho quanto os nove escravos e para trabalhar diligentemente durante todo o verão em troca de um único gole do hidromel magico de Suttung. Esta barganha foi imediatamente concluída e o novo trabalhador de Baugi, Bolwerk, trabalhou incessável durante todo o verão e a mais do que seu contrato lhe obrigava, estocando seguramente a colheita antes das chuvas de outono começarem a cair. Quando os primeiros dias de inverno chegaram Bolwerk se apresenta para seu mestre reivindicando sua recompensa, mas Baugi hesitou e objetou dizendo que nem mesmo havia feito o pedido a seu irmão, mas que iria tentar consegui-lo através da ardileza. Juntos, Bolwerk e Baugi seguiram para a montanha na qual estava Gunlod escondida e quando não conseguiram achar nenhuma entrada para o esconderijo secreto, Odin produz sua broca de confiança chamada Rati e pede para o gigante perfurar com toda sua força um buraco para que possa atravessar para o interior.

Baugi obedeceu silenciosamente e após alguns momentos de trabalho com a ferramenta diz que conseguiu chegar do outro lado e que Odin não teria problemas em atravessar. Mas o Deus, desconfiando do gigante, primeiramente assopra através do buraco e quando a poeira voltou voando em seu rosto e em seus olhos, ele pede a Baugi continuar a perfuração e a não tentar enganá-lo novamente. O gigante fez o que lhe foi dito e quando ele atravessou sua ferramenta novamente, Odin se certificou de que o buraco estava realmente acabado. Mudando seu corpo para o de uma serpente ele passa pelo buraco com tanta velocidade que ele evitou a ponta afiada da broca que Baugi enfia no buraco atrás dele com intenção de matá-lo.

Tendo chegado ao interior da montanha, Odin reassume sua forma normal e então se apresenta dentro da caverna em frente à bela Gunlod. Ele pretendia conquistar seu amor como uma maneira de convencê-la a lhe dar um gole de cada recipiente que foram confiados aos cuidados dela.

CW22MF The giantess Gunlod was in charge of the Holy Mead, the drink of the gods. Gunlod is giving Odin the holy mead to drink.

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Ganha pelo apaixonante cortejo de Odin, Gunlod consente em se tornar sua esposa e depois de ter passado com ela três dias inteiros, ela trouxe os recipientes do esconderijo secreto e lhe diz que poderá tomar um gole de cada um dos recipientes.

Odin fez bom uso dessa permissão e bebeu tão profundamente que esvaziou os três recipientes. Então, tendo conseguido o que desejava, ele emerge da caverna vestindo suas penas de águia, se erguendo alto nos céus, e após planar por um momento sobre a montanha dirigiu seu voo em direção a Asgard. Ele ainda estava longe do reino dos Deuses quando se deu conta de um perseguidor. Suttung, tendo-se transformado também em forma de águia, estava vindo rapidamente atrás dele com a intenção de recuperar o hidromel roubado. Odin então voa mais rápido e mais rápido esforçando cada músculo para chegar a Asgard antes que seu inimigo o alcance, e enquanto se aproximava os deuses com ansiedade observavam a corrida.

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Vendo que Odin iria escapar com dificuldade, os Aesir rapidamente juntaram todo material combustível que conseguiam encontrar e quando Odin finalmente voa por cima dos muros de Asgard, acendem o combustível que acabaram de juntar de maneira que as chamas, voando altas, queimam as penas de Suttung enquanto ele perseguia Odin, e assim ele cai em meio às chamas, queimando até a morte.

Odin então voa ate onde os deuses tinham preparado recipientes para o hidromel e regurgita o mesmo em tão aflita pressa que algumas gotas caem dispersas sobre a terra. Lá se tornaram a porção para poetas inferiores. Os deuses reservaram o hidromel para consumo próprio, permitindo o privilégio de tomar um gole para alguns ocasionais favorecidos mortais que, imediatamente após tomarem o gole, ganhariam fama mundial com sua reputação pelas suas inspiradoras canções.

O Deus Da Música

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Enquanto os Deuses e homens deviam o impagável presente a Odin, estavam sempre prontos a demonstrar-lhe gratidão, o cultuavam como patrono da eloquência, da poesia, da música e de todos os skalds.

Entretanto Odin assim ganhou a dádiva da poesia e raramente usou para si mesmo. Foi reservado para seu filho Bragi, filho de Gunlod, para se tornar deus da poesia e música, e para encantar o mundo com suas músicas.

Assim que Bragi nasceu na caverna onde Odin ganhou as afeições de Gunlod, os anões o presentearam com uma harpa mágica de ouro e colocando-o num de seus próprios barcos o mandaram mundo a fora. Assim que o barco suavemente saiu das profundezas subterrâneas, e flutuou sobre os limiares de Nain, o reino do anão da morte, Bragi, o justo e imaculado jovem Deus, que até o momento não havia demonstrado sinal de vida, subitamente sentou-se, e erguendo a harpa de ouro, começou a cantar a estonteante canção da vida que se ergueu até os céus e depois decaiu até o pavoroso reino de Hel, deusa da morte.

“Yggdrasil o freixo,
É de todas as árvores a mais excelente,
E de todos os barcos, Skidblandir;
Dos Aesir, Odin,
E cavalos, Sleipnir;
Bifröst de pontes,
E Bragi dos Skalds.”

Enquanto ele cantava, o navio suavemente flutua sobre iluminadas águas e logo tocou a costa. Bragi então procedeu a pé, fazendo seu caminho pela nua e silenciosa floresta, tocando enquanto caminhava. A sua música fez as árvores florescerem e incontáveis flores nasciam debaixo de seus pés.

Idun and Bragi by ~smolenskaya on deviantART

Aqui conheceu Idunn, filha de Ivald, A Deusa da imortal juventude, a quem os anões permitiam visitar a terra de tempos em tempos, quando, com sua presença, a natureza mostrava a sua mais bela forma. Era de se esperar que dois seres assim se sentissem atraídos um pelo outro, e logo Bragi ganhou esta Deusa como esposa. Juntos seguiram para Asgard, onde ambos foram calorosamente recebidos, e onde Odin, após traçar runas na língua de Bragi, decreta que ele deveria ser o sagrado menestrel e compositor de músicas em honra aos Deuses e heróis que recebia em Valhalla.

O culto à Bragi

Como Bragi é o Deus da poesia, eloquência e da música os povos do norte chamaram a poesia pelo seu nome e Skalds de ambos os sexos foram denominados como Homem-Bragi ou Mulher-Bragi (tradução sem fontes desses dois termos). Bragi recebeu muita honra de todas as culturas nortenhas, portanto suas homenagens eram sempre bêbadas em ocasiões festivas, mas especialmente em funerais ou festas de Yule. Quando era hora de beber este brinde, que sempre era servido em copos em formato de barco, e que era chamado de Bragaful, o sagrado símbolo do martelo sempre era colocado em cima antes. Então o líder ou chefe solenemente prometia a si mesmo algum dever de moral, ao qual estava laçado a praticar durante o desenrolar do ano, a não ser que quisesse ser considerado sem honra. Seguindo seu exemplo, todos os convidados fariam promessas similares e falariam sobre o que fariam durante o ano, e alguns deles, devido à bebida, falavam com demais liberdade sobre suas intenções sobre estas ocasiões. Este costume parece ligar o nome Bragi com o vulgar, mas muito expressivo verbo “to brag”(que em inglês significa gabar-se).

Bragi e Idunn por Howard Johnson

Na arte Bragi é geralmente representado como um homem de idade com cabelos e barba longos e brancos, e geralmente segurando sua harpa dourada da qual seus dedos podem entoar notas tão mágicas.


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