“Ah… mas e o Valhalla”: Equívocos Sobre o Pós-vida Heathen e o “Quase Monoteísmo” Odinista

Texto por Sonne Heljarskinn

É totalmente natural que, quando passamos para o heathenism, tragamos muitos vícios de nossa visão de mundo cristã. Não se sinta ofendido: somos uma minoria entre uma esmagadora e enraizada sociedade moldada sob parâmetros católicos ou cristãos. Eu e você, todos nós, possuímos, em maior ou menor grau, em pontos diferentes, resquícios desse modo de ver o mundo dos cristãos. Aqui eu quero comentar sobre dois fenômenos que vejo muito em comentários na internet: prender-se a uma visão metafísica de Valhalla e um quase “monoteísmo” de Odin.

Visões da vida após a morte para os Heathens

Como foi já dito em um outro artigo, o Valhalla não é o único destino após a morte para as almas, segundo a cosmovisão Heathen.

Não há segurança nenhuma de que, se morrer em batalha, você irá para junto dos Einherjar e não para o Fólkvangr de Freyja. Essa é a primeira incerteza daquele que quer ser “guerreiro” na atualidade. A cultura pop tende a mostrar-nos o Valhalla como uma espécie de paraíso dos nórdicos, onde lá vivem deuses e guerreiros em harmonia, pro resto da eternidade até o Ragnarök chegar, com Helheim sendo o seu oposto pejorativo, como o inferno cristão. Essa divisão binária e maniqueísta é totalmente falha e essencialmente cristã.

Além disso existem outros destinos (Palácio marinho de Aegir e Rán, pros mortos no mar), montanhas Helgafjel, e, pra aqueles que não gostam muito dos pobres, sinto informar que Bilskirnir é para onde os escravos e camponeses pobres iriam (e entre os escravos estavam pessoas de outras raças, embora esse não fosse o único motivo para alguém ser escravizado), dividindo assim, guerreiros e trabalhadores, a Asgaard com os deuses.

Vivendo para o Valhalla
Vikings of Einherjar Attack por Casper Art

Vikings of Einherjar Attack por Casper Art

Bom, então precisamos partir da destruição dessa ideia binária paraíso/inferno se quisermos compreender o sentido de uma existência no Heathenism. Você não garante seu passe pro Valhalla sendo um bravinho e morrendo numa briga tola, como já mostramos. A Irmandade de Odin, por exemplo, considera que a alma sai por um ferimento, independente se foi em batalha ou não; e que você só não irá para o palácio de Freyja ou o de Odin se sua alma sair pelo nariz e boca, isto é, em morte por doença ou velhice, sem nenhum ferimento. Helheim não é um lugar de desonra, para continuar. Morrer de velhice e passar pelos portões de Garm não é uma vergonha. Se nenhum dos extremos é válido… porque eu devo pensar que a visão dos nórdicos é a correta, e o que ela possui de diferente, senão superior, à dos cristãos?

Religião para o cristianismo e para o Heathenism (Ásatrú) tem significados diferentes. Para o cristianismo é necessária uma vida que fuja do que se considera “pecado” (com obras, atitudes que assegurem isso, ou não, dependendo da vertente), a mortificação dos desejos “maléficos” incutidos por Satã para desvirtuar a humanidade do caminho da salvação, da vida eterna após a redenção obtida através da morte. E, quanto mais penosa, humilhante, mas embebida em fé, for a sua vida, mais juntinho você está desse Deus. Já para o heathenism existem algumas diferenças básicas que mudam toda a essência da coisa. Primeiro, a sua vida não é vivida pensando no dia da sua morte, em uma salvação pessoal, em sua ida ao Valhalla (essa visão é-nos muito forçada pela cultura pop, reafirmo). Você não vive para ir para esse ou aquele lugar no pós-vida. Tampouco a sua glória pessoal é importante se ela não tiver um significado social. De que adianta você se tornar um poderoso político, por exemplo, e tratar mal a sua família, sua esposa ou esposo, e não respeitar os seus antepassados, vivos ou mortos, ser um tirano para seu povo? Antes de pensar em uma glória é necessário se pensar para que(m) é essa glória? Se a resposta for apenas individual, pode ter certeza que ela nada tem a ver com heathenism: “Nós encontramos aqui (nos povos germânicos) uma comunidade baseada sobre uma unidade geral, autossacrifício mútuo, abnegação e espírito social” Vilhelm Grönbech, Culture of Teutons, Vol. I.

Vejo de maneira muito comum as pessoas fazendo uma apologia irracional da violência como se isso fosse ser heathen stricto sensu: mas a manutenção da friðr (paz, felicidade harmônica) é considerado valoroso (Sögumál);  “Nunca quebre a paz que homens bons e verdadeiros fazem entre você e os outros” (Njal’s Saga, c.55); “Melhor é para o homem buscar a paz por palavras, quando isso é possível” (Heitharvega Saga, c.35); “Uma pessoa deve expor a paz (friðr) onde quer que vá. Embora muitos desejem o bem, o mal é frequentemente mais poderoso” (Atlamol en Gronlenzku 34). Ou seja, embora os escandinavos fossem sim o povo que levou o terror e a dominação ao Império Romano, a violência por violência nunca foi considerada glória, e sempre foi um meio para um fim, não sobrenatural, para além da vida; mas por uma necessidade existencial em dado momento histórico e para uma tribo (ou grupo delas) em específico. Vale ressaltar que todas as “barbaridades” que atribuem-se aos povos germânicos que invadiram o Império Romano foram cometidas de forma ainda maior lá fora, pelos próprios romanos, que submeteram por completo os povos que venceram, enquanto os germanos, em certa medida, até se ‘mesclaram’ com a nobreza de Roma.

Heathenism e Violência
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A imagem dos Berserkers e Ulfhednars, como mercenários de elite extremamente poderosos e violentos, guerreiros de Odin em busca de vitória, sangue e glória impressiona a muitos (senão a maioria) dos que se envolvem com o heathenism.

A batalha possui sim uma importância (literal ou simbólica) na vida desses povos antigos do norte, e também nas nossas, enquanto heathens. Mas será que tudo se reduz a sangue e morte, guerra e destruição?

Os escandinavos fizeram várias alianças e estabeleceram colônias em vários lugares, se miscigenando com a população local, por toda a Europa e até mesmo com indígenas norte-americanos, quando tentaram ali fixar morada. Ou seja, a limpeza étnica da população local nunca foi uma necessidade em suas batalhas – isto é, submeter todos os inimigos, seja qual for o motivo, não foi um objetivo de suas guerras. “Assim, a violência, aqui, não é uma mera extravagância do poder“, diz novamente Grönbech, e prossegue, nos apresentando a diferença entre uma visão de vida passiva de salvação pessoal, deslocada do contexto ancestral (cristã), a violência desmedida (e desnecessária) e o autêntico modo de viver dos povos germânicos:

A violência é organizada a partir das profundezas da alma. É uma energia, que mantém a vida espiritual desperta e sedenta, e, assim cria a personalidade focada e sólida do nórdico. Estes homens não são apenas, cada um deles, um momento inspirado, desaparecendo vagamente no passado e no futuro; são presente, passado e futuro em um só. Um homem corrige a si mesmo no passado, pelo apego firme às gerações passadas. Tal apego é encontrado mais ou menos entre todos os povos; mas o nórdico faz do passado uma força viva e orientadora pela lembrança histórica constante e na especulação histórica na qual ele traça a sua relação com as antigas gerações e sua dependência de seus atos. Seu futuro está ligado com o presente tendo por objetivo, a honra e o julgamento da posteridade. E ele corrige-se no presente, reproduzindo em si um tipo ideal, um tal tipo por exemplo, como o do chefe, generoso, corajoso, destemido, de raciocínio rápido, severo para com seus inimigos. Fiel a seus amigos, e franco com todos. O tipo é construído fora da vida e da poesia juntos; primeiro é vivido e então transfundido em poesia“.

O homem do norte não é apenas o homem da guerra, ansiando a morte pelo Valhalla; é aquele que busca a retitude de seus atos pelo bem de sua comunidade, sua descendência e para honrar os seus antepassados. Não é uma pura “brincadeira não-intencionada de superioridade” ao estilo nietzscheano (muito se confunde o Übermensch com o genuinamente heathen-nórdico), em Nietzsche não há padrão moral ou honra: apenas vontade de submeter (Wille zur Macht); no norte há coletividade e a necessidade de um código moral que não seja sufocante (como o cristão), mas, antes de tudo, libertador, para permitir aos integrantes da tribo construírem as suas vidas sobre bases sólidas e não-contraditórias, devendo recorrer, assim, à violência apenas estritamente quando necessário.

Arriscaria, por fim, a dizer que lutar uma guerra injusta e defender ideais absurdos seria motivo para não merecer o Valhalla, mas talvez Náströnd, porque tais guerras envolvem atos de traição e quebra de palavra, muitas vezes. Mesmo Hitler (com o qual muitos odinistas infelizmente simpatizam) foi um mestre em descumprir acordos e fazer tratados os quais não tencionava cumprir,  e isso foi o que lhe garantiu vitórias iniciais, como aos espanhóis em suas invasões nos impérios indígenas pré-colombianos. A política moderna é feita da inconstância das alianças entre suas elites e da volatilidade dos inimigos aos quais fazem seu povo se dirigir contra; pensando apenas nos próprios interesses e não nos de seus povos.

A figura de Odin
Odin God of Magic por Darkjimbo

Odin God of Magic por Darkjimbo

Temos, por fim, mais algo a examinar. Eu, particularmente, tenho a Odin como principal referencial divino. Odin é um deus que eu busco honrar e imitar; busco fazer de seus atos meus atos, transmutar a minha essência em sua essência: me aproximar dele tanto quanto a honra de minhas atitudes permitir (e eu luto para que isso seja o mais estrito possível). Mas tenho plena ciência da necessidade de todas as outra divindades e de que elas influenciam vários aspectos de nossas vidas.

Mas não me digo um odinista. Existem algumas razões para isso. A primeira é que o Odinismo, enquanto movimento político-religioso (com uma forte ênfase no primeiro termo) possui uma história bem diferente da Ásatrú, tanto nas origens, quanto na prática diária, quanto em seus objetivos enquanto “religião”. A Ásatrúarfélag islandesa sempre se pautou nas lições que as Eddas tinham para nos dar, na importância da ética, e em uma forma de ver o mundo (Weltanschauung) diferente daquela à qual estamos habituados, senão mesmo superior a ela. Não trata-se apenas de que não temos um único deus, mas da forma como nos relacionamos com todos esses deuses que não estão em uma realidade separada, senão junto de nós, se manifestando a cada momento, através de nós, da natureza, de nossos antepassados e os quais intentam não apenas nos proteger ou julgar (pois têm muito mais a fazer por si mesmos que ficar simplesmente se envolvendo nas intrigas humanas).

Dizendo de uma maneira mais clara: 1) o Odinismo foca-se, na maioria dos grupos, em um conceito muito restrito de Odal (vide Varg Vikernes), “herança”, do qual decepam e costuram juntos conceitos esparsos de pseudociências, darwinismo social e genética para justificar porque uns e não outros podem ser heathens. Com isso, todo o foco na ação, própria do heathen, se perde. 2) Odin não é o único deus do panteão nórdico. Odin não é o único ao qual devemos dirigir nossos pensamentos, fazendo da Ásatrú quase uma “Óðinntrú”, um monoteísmo no qual substituímos Jesus, Jehová ou Allah por Odin. 3) Odin não é um deus “guardião” no sentido dos deuses supracitados de outras religiões, que apadrinha a cada um e a todos os humanos:

Um dos maiores equívocos que as pessoas têm é tratar o Velho Caolho como uma espécie de Gandalf Papai-do-Céu (e sim, Gandalfr é um dos kennings de Óðinn, mas, na realidade, esse nome não é tão amigável como Ian McKellen – mas eu vou chegar a isso mais tarde). Como se Óðinn fosse um deus cuidadoso, amoroso.
Para aqueles que pensam assim e vão ficar ofendidos ao ouvir que ele não é, por favor, encontrem a porta de saída (e sério … isso não é muito intencionado a vocês). Porque ele não é. […]

99,9% das pessoas não cumprem essas normas, não gostariam de fazer os sacrifícios necessários para alcançar o que foi dito e devem considerar talvez um deus que é menos que um sanguinário-bastardo-guerreiro do que antigo MEDO (Uggr / Yggr), PORTADOR DA LANÇA (Geirvaldur, Biflindi, Geirölnir, Geirlöðnir, Geirtýr, Gandálfur), PAI DE MORTE VIOLENTA (Valfaðir), ATACANTE (At-riði), OLHAR-FLAMEJANTE (Báleygr), OPERADOR DE MALDIÇÕES (Bölverkr, Skollvaldr) , SENHOR DOS MORTOS (Draugadróttinn)” Em: Óðinn – or Sky-daddy and the world of grievous bodily harm, por Einar V. Bj. Maack.

Odin é, essencialmente, um deus da morte, e com isso da guerra, mas também um deus sedento por sabedoria que se disfarça de mendigo para negociar, se divertir e obter conhecimento. Odin é, por outro lado, deus da magia, envolvido com Galdr e Seiðr, o descobridor das runas, e isso não foi para que um humano entre os bilhões que já nasceram na história fosse agraciado com a benção do Alföðr (Pai de Todosem particular. Odin é o impulso vitalizador (junto de Vili e Ve) de toda a humanidade; além disso adotou elfos luminosos e escuros (sendo esses últimos anões ou não, o que não há consenso sobre); tendo então muito mais do que um ego humano para se preocupar: Huginn e Muninn viajam os nove mundos para dar notícias a Odin para que ele os regule, e não para cuidar da sua vida humana em particular e agraciá-la ou puní-la. Em casos muito raros os deuses (e especialmente Odin) se envolvem com a vida da humanidade, mas isso é exceção, e quando será de alguma serventia nos próprios negócios divinos. Usar os nomes Odinsson ou Odinsdóttir como “invocação” da força da divindade Odin (ou respectivamente para outro deus) é plenamente entendível, mas, se por exemplo, com isso se esperar uma vigia 24h sete dias da semana do deus, isso não é senão um vício extremadamente cristão, pois existe uma diferença enorme entre a teologia cristã e a ritualística naturalista do norte, no que diz respeito às relações deuses-seres humanos.

Então… O que Fazer?

norselineup

Nossos deuses são mais do que julgadores da humanidade. Estão aí se manifestando na Natureza, têm sua própria vida, interesses, desejos, defeitos e necessidades. Se relacionarão diretamente conosco pelos nossos atos, por nossa atitude, e por nosso caráter.

E sim, olhe para a beleza da primavera que Eostre carrega, para a potência de Sunna que corre todos os dias pelo céu, para a fecundidade que Freyr e Freyja trazem, para a fúria violenta de Aegir revolvendo os mares, para o brilho poderoso dos trovões de Thor e lembre-se que o mundo é uma soma das ações de todos os deuses. Não apenas Odin.

Uma parte de nossa alma vai para junto de nossos ancestrais, e dali pode voltar ao mundo para ajudar o clã, e isso tem um significado: o de que você é alguém importante, mas faz parte de uma essência espiritual maior. Lembre-se também que o Valhalla é para onde todo guerreiro quer ir: mas é com a vida aqui, no dia-a-dia, sendo fiel a todos aqueles que estão próximos de você, familiares, amigos, etc. é que o verdadeiro Heathen demonstra para quê segue o caminho do Norte: por honra, por cravar os dois pés e a mente na realidade e na Natureza e não por promessas de além-vida e a necessidade de uma tutela divina.

Agradeço a Andreia M., sem a qual esse texto não teria saído 😛


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6 thoughts on ““Ah… mas e o Valhalla”: Equívocos Sobre o Pós-vida Heathen e o “Quase Monoteísmo” Odinista

  1. Mtos dizem que Odin é o próprio ódio e violência encarnados. E em questão a Valhalla, eu tenho uma opinião, não é qualquer um que gostaria estar lá, pois lutar e morrer todos os dias como uma guerra infinita até o Ragnarok, só os que tem amor pela própria guerra vão para lá( pois na atualidade isso seria considerado como uma “tortura”).
    Eu não tenho um lugar escolhido para depois que morrer, como um objetivo. É apenas viver da melhor forma possível, e quando acontecer… bom não sei um dia vou descobrir rs.

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  2. Te deixo meus parabéns. Vejo hoje o Odinismo ou Aasgardianismo, ou qualquer outro termo inventado, como algo que está se tornando “popular”, devido a novas ideias e polêmicas acerca de “certo ou errado”, acho que o paganismo (minha forma de definir) hoje sustenta maiores liberdades sobre as atitudes “corretas ou incorretas” que as pessoas desejam tomar. O que fere, de certa forma, é justamente esse pensamento cristão que tanto nos rodeia, no sentido de comparação apenas (nada contra, muito pelo contrário), entre bem e mal, certo e errado, e principalmente Céu e Inferno. Nossa crença se baseia em principios iguais (cristão e pagão), sustentado apenas pelo ideologia própria do que é “correto”, Os Deuses erram, não são perfeitos, o que nos torna mais próximos deles, pois podemos nos dar o direito de errar e corrigir e isso ligado a honra dos nossos antepassados nos fazem pessoas melhores. O que quero dizer exatamente é que a definição de “para onde vamos” está intimamente ligado ao que fazemos aqui em midgard, porêm, não quer dizer que valhalla ou helheim são céu ou inferno, mas que o “céu” e o “inferno” depende da interpretação pessoal de cada um. Só umas besteiras que estou falando mesmo, se escrevi besteira desconsiderem. Uma comparação que gosto de usar quando falo do assunto: Digo que helheim tem duas vertentes como o submundo de hades, onde se encontra também os campos Elisius, ou seja, helheim não é o inferno, apenas um lugar onde “todos se juntam após a morte”, lembrando que é só mais uma comparação, como comparamos o cristianismo.

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  3. Ótimo texto! As vezes isso me vem a questionar, oq leva uma pessoa a trazer posições politcas pra religião? São coisas q n se misturam. É igual esse movimentos neo-nazistas malucos que usam o nome do Asatru para justificar sua “luta”(se é que oq eles fazem podem ser chamado de luta). O Asatru n se prende a idéias mesquinhas de raça ou etnia.

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