Homossexualidade na Ásatrú

Como o NORSKK define a si mesmo: "Somos uma irmandade Víkingar dos dias modernos vivendo nas tradições ancestrais nórdicas pré-cristianização, incluindo o Víkinga Code: coragem, honra, força, fraternidade, lealdade, integridade, Disciplina, Determinação, Simplicidade. Compartilhamos nossas tradições ancestrais, nossas habilidades e nossa sabedoria para torná-lo um verdadeiro Víkingr, ou podemos usamo-los para garantir sua sobrevivência em ambientes agressivos ou hostis".

Como o NORSKK define a si mesmo: “Somos uma irmandade Víkingar dos dias modernos vivendo nas tradições ancestrais nórdicas pré-cristianização, incluindo o Víkinga Code: coragem, honra, força, fraternidade, lealdade, integridade, Disciplina, Determinação, Simplicidade. Compartilhamos nossas tradições ancestrais, nossas habilidades e nossa sabedoria para torná-lo um verdadeiro Víkingr, ou podemos usá-las para garantir sua sobrevivência em ambientes agressivos ou hostis”.

Pessoas folkish[1] amam referir-se a algum trecho da Germânia de Tácito, o que sugere que a homossexualidade foi condenada por algumas tribos germânicas. Eles também apontam para a existência de duas múmias do sexo masculino no pântano de Weerdinge na Holanda, alegando que eles foram mortos porque eles eram homossexuais. Eles ainda parecem convencidos de que sabem o significado dos textos em nórdico antigo melhor do que ninguém, incluindo aqueles de nós que compreendem verdadeira e atualmente o nórdico antigo.

Primeiro, é importante saber que essas tribos germânicas precedem os Vikings por aproximadamente um milênio, e enquanto eles podem ter sido alguns dos nossos ancestrais, de fato, muita coisa pode acontecer em cerca de mil anos (veja a Irlanda, há 10 anos eles odiavam homossexuais, agora a grande maioria da população apoia o casamento de pessoas do mesmo sexo, na medida em que isso se tornou lei por referendo). Essencialmente, não se pode razoavelmente esperar que nós Víkingar teríamos seguido os modos (de qualquer coisa que eles podem ter sido) de alguma antiga tribo depois de tanto tempo ter se passado!

Quanto às próprias as múmias, as pessoas folkish afirmam que eles foram mortos porque eram homossexuais, mas muitos estudiosos têm uma explicação diferente: um guerreiro morto em batalha foi enterrado com… seu parceiro masculino!

Finalmente, as pessoas que não falam a língua, ou seja, nomeadamente o nórdico antigo, não podem adequadamente fingir compreender remotamente o real significado de vários textos históricos e materiais, especialmente quando sua própria compreensão da cultura nórdica, em primeiro lugar parece ser mais do que limitada.

Alegando que a Ásatrú Nórdica é o mesmo que o Paganismo Folkish Germânico, de qualquer forma, só porque ambos compartilham a mesma origem, seria como dizer, por um lado, que o cristianismo e o islamismo são a mesma e exata religião porque ambas originalmente ramificaram-se a partir da mesma idéia, e por outro lado, que os conceitos e crenças não evoluem com o tempo … neste caso, cerca de 1.000 anos.

A realidade é: a homofobia é um conceito arcaico possivelmente abraçado por tribos germânicas um milênio antes dos tempos Viking, e que nunca foi parte da Ásatrú Nórdica, ou da história, cultura e tradições nórdicas. É meramente uma ideia baseada em normas de moralidade cristã, e/ou neo-nazismo.

Nos tempos Vikings, a homossexualidade só foi estigmatizada durante a cristianização forçada da Escandinávia. Por uma questão de fatos, não havia um termo em nórdico antigo para a orientação sexual. Embora a falta de masculinidade ou a exibição ou não de características femininas em um homem (como mostrado em muitos termos de insulto como mare, argr, ou sansorðinn) foi definitivamente um grande problema na cultura Viking, ele não estava relacionado com a orientação sexual.

Além disso, era costumeiro aos Vikings estuprar inimigos que haviam perdido as batalhas, tanto homens como mulheres, e o controle sexual também era um método para manter os þrælar[2] na linha.

Liberalismo sexual, e um desrespeito generalizado para o conceito de orientação sexual também foi demonstrado em rituais de sepultamento nos tempos Vikings. Normalmente, um ou mais escravos seriam mortos para acompanhar um jarl depois da morte, e para ajudá-lo em todos os seus dias de pós-vida. Antes de ser morto, no entanto, vários dos hirðmenn[3] revezariam-se em ter relações sexuais com o(s) escravo(s) para que o sémen deles, um veículo para sua força, seria carregado no pós-vida para o benefício de seu jarl. Obviamente, os escravos eram ambos masculinos e femininos, e o mesmo ritual seria realizado em todos os escravos, sem levar em conta seu gênero.

Devemos também lembrar a todos que Loki se transformou em uma égua, a fim de ser fecundado por um garanhão, para finalmente dar à luz a Sleipnir! Enquanto Loki certamente não é o deus nórdico com as maiores virtudes, o fato de que Óðinn levou Sleipnir como seu amado cavalo, mostra claramente que o comportamento de Loki certamente não foi um problema para os deuses …

Como uma útilma observação, os Vikings evoluíram com o seu tempo, e, sem dúvida, desviaram dos caminhos de algumas tribos germânicas arcaicas que os precederam por cerca de mil anos. Na nossa sociedade moderna, temos nós mesmos evoluído a partir da era Viking: Nós já não estupramos os inimigos que derrotamos, já não invadimos outros países por suas mulheres e riquezas, e não mais escravizamos nossos vizinhos. Evolução das idéias e crenças é simplesmente um aspecto fundamental da nossa espécie.

No fim das contas, folkish “Heathens” são, naturalmente, livres para acreditar em qualquer coisa que eles queiram. Porque a sua liberdade termina abruptamente quando nossa liberdade começa, no entanto, devem abster-se de empurrar seus pontos de vista sobre as pessoas no NØRSKK, The Víkinga Order, Ásatrúarfélagið, ou quaisquer outras organizações que não compartilham seus pontos de vista. Nós, como indivíduos, decidimos aquilo em que acreditamos, e como vivemos nossas vidas.

[1] Pessoas ou grupos folkish são em geral aqueles que acreditam que apenas os descendentes genéticos e/ou contidos em um determinado espaço geográfico europeu é que podem praticar o antigo caminho dos deuses do norte. Nota do tradutor.

[2] Escravos. Nota do tradutor.

[3] “King’s men”. Pessoal mais próximo do jarl. Nota do tradutor.

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Publicado originalmente por NØRSKK, em inglês. Tradução para o português de Black Berserker.

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