Seidhr – Magia dos Nórdicos

Fonte: Artwork © Pollyanna Jones 2014

Fonte: Artwork © Pollyanna Jones 2014

Por Pollyanna Jones. Tradução enviada por Sonne Heljarskinn.

Todas as Volvas são
de Vidolf;
todos os vitki
de Vilmeidr,
todo o seiðrfolk
de Svarthöfdi;
todos os Jötuns
vêm Ymir” [1]

Magia popular do Norte

Nas sociedades sociedades nórdica e germânica, influências sobrenaturais foram muito temidas e respeitadas, pois eram as pessoas que poderiam manipulá-las. Haviam aqueles dentro da sociedade que poderiam comungar com os espíritos e divindades, prever o futuro, alterar ou influenciar a sorte ou destino de uma pessoa, abençoar, amaldiçoar, curar, influenciar o clima e encantar as pessoas. Alguns viviam dentro das aldeias e serviram em um papel semelhante ao de um xamã. Outros distanciaram-se da sociedade, preferindo viajar e oferecer os seus serviços.

Essas pessoas eram geralmente mulheres e foram descritos nas Eddas como Völvur (islandês, plural de Völva) ou Seiðkonur (islandês, plural de Seidkona). Outros termos foram dados a essas pessoas, incluindo Spákona ou Spækona (usado para aquele que “fala”, ou seja, dá profecias) e às vezes Vísendakona (mulher sábia).

Outros termos aplicados aos que trabalhavam com magia em toda a mitologia nórdica incluem Seiðskratti (um feiticeiro “do mal”), Galdramaðr ou Galdrakarl (homem praticante de galdr), Galdrasnót (mulher praticante de galdr) Gýgr, Fala, Hála, e Skaas (bruxa), Heiðr, Fjölkyngiskona, e Vitka (feiticeira), Tauframaðr (lançador de encantos), e myrkriða (um cavaleiro das Trevas) [2].

Então eles foram enviados para duas parceiras bruxas, Heid e Hamglom, e pagaram-nas para enviar sobre Fridthjof e seus homens uma tão poderosa tempestade que todos eles deveriam ser destruídos. Assim, as bruxas cantaram suas canções de feitiçaria, e ascenderam a fogueira com feitiços e encantamentos “. [3]

Cajados Assalariados
Fonte: Groa e Heid, por Carl Larsson

Fonte: Groa e Heid, por Carl Larsson

A função de um praticante de magia era visto de forma séria como qualquer outra profissão durante este período da história. Como tal, uma pessoa poderia “alugar” a si mesmo e oferecer suas habilidades por um determinado valor. Como qualquer mercenário, o praticante teria raramente direito escolher lados, mas ir para onde fossem requeridos.

O aparecimento de uma Völva seria motivo de grande entusiasmo, e também de preocupação, pois caso fosse ofendida, problemas poderiam ser causados para a família. Não era bom perturbar a mulher que tivesse o domínio sobre os espíritos. Alimento e repouso eram fornecidos antes da performance onde a Völva lançaria sua profecia [4].

Histórias descrevem como um grande trono será tomado, e a Völva, com a ajuda de um assistente (ou assistentes) entra em transe. Seu cajado pode ser batido contra o chão de uma forma rítmica, ou um tambor pode ser tocado (conhecido como “bater em um vett”). Cantos podem ser usados, particularmente um vardlokkur (ou vordlokur). O propósito desta canção é atrair e capturar espíritos, e também proteger a Völva de danos durante o seu ritual. Fusos e tecelagem também foram relacionados com magia, como estes ofícios estão associados às Nornir que tecem a teia do Wyrd, que conecta tudo e todos.

Já quando ela entrou todos se sentiram obrigados a oferecer-lhe cumprimentos formais e próprios, os quais ela recebeu estando de acordo que seus concessores encontrassem favores com ela. Mestre Thorkel levou a profetisa pela mão e conduziu-a para o assento que havia sido preparado para ela. Thorkel então pediu-lhe para correr seus olhos sobre os membros da família, o rebanho e do mesmo modo a casa. Ela tinha pouco a dizer a fazer sobre qualquer coisa. Durante a noite, as mesas foram postas, e aquele alimento que foi preparado para a vidente deve agora ser anunciado. Havia mingau feito para ela de colostro de cabra, e também a carne do coração de todas as criaturas vivas que poderiam ser encontradas ali. Ela tinha uma colher de bronze e uma faca feita do marfim do dente de uma morsa montada com um anel duplo de cobre, com a ponta quebrada. Então, quando as mesas foram limpas, Thorkel caminhou até Thorbjorg e perguntou o que ela achava daquela residência e o estado e condição dos homens, e em quanto tempo ele seria informado sobre as coisas que ele tinha perguntado a ela e que os homens queriam saber. Ela respondeu que não teria nada a anunciar até a manhã seguinte, quando ela teria dormido ali a noite inteira. Mas no dia seguinte, na parte final do dia, estava equipada com o aparato que ela precisava para realizar seus feitiços. Pediu também para trazerem-na aquelas mulheres que detinham o conhecimento necessário para a realização do feitiço, e eram conhecidas por Vordlokur. Mas nenhuma dessas mulheres foi encontrada, por isso houve uma pesquisa feita na própria casa para descobrir se alguém estava versado nestes assuntos. ‘Eu não sou versada em magia ‘, foi a resposta de Gudrid,’ e eu não sou uma profetisa, ainda que Halldis, minha mãe adotiva, tenha me ensinado na Islândia a tradição que ela chamou de Vordlokur .’…. As mulheres agora formavam um círculo em torno de todos, enquanto Thorbjorg tomou seu lugar em cima da plataforma de feitiços. Gudrid recitou o canto tão lindamente e bem que ninguém presente poderia dizer que já ouvira o cântico recitado por uma voz mais bela “. [4]

Um praticante de magia poderia ser contratado para ajudar a melhorar a fortuna de uma habitação, ou para amaldiçoar um inimigo. Não era incomum que fossem usados na guerra. Há relatos do começo do primeiro século antes da era comum que descrevem o Cimbri, uma tribo do que é hoje o sul da Dinamarca, usando magia em sua guerra:

Suas esposas, que iriam acompanhá-los em suas expedições, foram assistidas por sacerdotisas que eram videntes; estes tinham cabelos grisalhos, vestidas de branco, com mantos de linho presos com fechos, cingidos com cintos de bronze, e descalças; agora a espada na mão destas sacerdotisas se encontrava com os prisioneiros de guerra em todo o acampamento, e tendo os coroado primeiro com grinaldas iriam guiá-los a um recipiente de bronze de cerca de vinte ânforas, e eles tinham uma plataforma elevada que a sacerdotisa subiria e, em seguida, inclinando-se sobre a chaleira, iria cortar a garganta de cada preso depois de tê-lo erguido, e do sangue que derramou-se no vaso a frente algumas das sacerdotisas poderiam fazer uma profecia, enquanto outros ainda abririam o corpo para uma inspecção das entranhas para fazer uma profecia de vitória para o seu próprio povo, e durante as batalhas que iria bater nos couros que foram esticados sobre as estruturas de vime das carroças e, desta forma produzem um ruído sobrenatural”. [5]

Fonte: Freyja Desperta Hyndla, de Hyndluljóð (1908)

Fonte: Freyja Desperta Hyndla, de Hyndluljóð (1908)

Explicando o Seiðr

Rimando com “lathe” (torno), muitas tentativas foram feitas para traduzir a palavra Seiðr, mas parece difícil de definir com qualquer nível de satisfação. Os irmãos Grimm traduziram como “ferver” (to seethe) ou “por em ebulição” (to boil), enquanto outras traduções incluem “snare” (rede ou armadilha), “cord” (corda, cabo ou linha), “a sitting” (sessão), e “to shout” (gritar).

Edred Thorsson introduz Seiðr com a seguinte exposição:

No antigo Norte uma raça de deuses e deusas, chamada pelos escandinavos de Vanir, era adorada. Central para a sua teologia era a adoração do Senhor e Senhora, chamado em sua língua Freyr e Freyja. A “mágica” ou tecnologia operativa espiritual, praticado por essas divindades, especialmente a Senhora (Freyja) foi chamado Seiðr. Esta tecnologia mágica foi de certo intimamente relacionado com, se não virtualmente idêntica com, aquilo que era conhecido no mundo Inglês Antigo ou Anglo-Saxão como wiccecræft.” [6]

Thorsson também descreve Seiðr na forma mais simples; literalmente “magik”.

Katie Gerrard dá sua própria definição de Seiðr em seu livro, “Seiðr: A Porta Está Aberta” (“Seidr: The Gate is Open”).

“Minha definição do termo seiðr para este livro, portanto, torna-se: seiðr é um termo que denota ações sobrenaturais dentro das antigas sagas em nórdico antigo e é usado de uma maneira similar às palavras ‘sorcery’ (feitiçaria) e ‘witchcraft’ (bruxaria). Seiðr em uma prática moderna, portanto, torna-se rituais e ações que são inspirados pelos acontecimentos sobrenaturais chamados de seiðr na literatura nórdica antiga.

“Em muitos casos, os rituais eram provavelmente misteriosos para os próprios escritores das Sagas, que podem ter aprendido sobre eles a partir da história escrita ou narrativa oral” [7]

Forças Notáveis

Um praticante de Seiðr pode trabalhar com os espíritos locais em sua área. Conhecidos como os espíritos da terra ou Landvættir, esses espíritos podem ser influenciados para o bem ou para o mal por aqueles que têm um bom relacionamento ou sabe como trabalhar com eles. Espíritos ancestrais, como as matriarcais Dísir também pode invocados.

Fonte: Freya, Rainha dos Deuses Nórdicos,

Fonte: Freya, Rainha dos Deuses Nórdicos, “A Book of Myths” (1915)

Além do ritual do Alto Trono (High Seat), o ato de Útiset (“sitting out”, “aguardar”, “não participar”) poderia ser usado para conectar com o espírito de uma pessoa enterrada em uma montanha. O praticante normalmente passa a noite meditando sobre um túmulo, na esperança de receber uma visão ou uma mensagem.

Fonte:

Fonte: “Odhinn”, Wikimedia Commons

As divindades Freya e Odin são consideradas os principais patronos do Seiðr, embora outras deidades estejam associadas com a magia. Frigg possui o dom da vidência, embora ela não possa falar sobre o que ela vê. Também Sif tem algum dom com magia. Loki é dotado com a magia do Jotunns, enquanto Gullveig é considerada por alguns como a patrona Vanir da bruxaria.

De acordo com a mitologia, Freya ensinou a arte de Seiðr a Odin aparentemente em um ato de amizade após a guerra entre os Aesir e Vanir ter acabado.

Freya usa um manto de penas de falcão para viajar, o que é visto como uma metáfora do “trabalho de saída”, que um praticante de Seiðr usa para viajar enquanto está em transe para buscar uma visão.

Seiðr, Spá, e Galdr

Embora seja difícil de definir, a magia nórdica pode ser classificada em três categorias principais.

Eu prefiro descrever Seiðr como as habilidades que lidam com subconsciente. Isso pode incluir a arte de glamoury e confusão para atordoar, truques mentais e psicológicos, incluindo um repertório de algumas habilidades que agora estão sob o que hoje chamamos PNL, consciência alterada, espíritos, viagens em transe, e manipulação da energia.

Spá pode ser considerado como o trabalho de um profeta ou vidente e abrange profecia e a manipulação e influência do destino ou fado de uma pessoa.

Galdr abrange toda e qualquer prática mágica que usa o poder da vontade e da mente consciente, que inclui magia de runas e cantos mágicos, remédios de cura, encantos e maldições. É a parte da magia em que se foca a intenção em torno da palavra proferida ou canto. Odin é o principal padroeiro de Galdr, já que foi para ele que as runas foram dadas.

O que foi dito acima é muitas vezes interpretado de maneiras diferentes, e não há nenhuma definição consensual que prescreve uma disciplina mágica particular dentro de uma categoria específica.

Então, qual é a diferença entre uma Völva e uma Seiðkona?

Essencialmente, não há muita. Há vários termos usados para aqueles que praticam o caminho mágico do norte, mas a interpretação moderna resultou em certas pessoas categorizando a si mesmas dentro deste com certos títulos.

Se assumirmos que a interpretação de Thorsson de Seiðr é aplicada a “magia”, então, uma Seiðkona ou um Seiðrman é uma pessoa que pratica magia. Nos tempos modernos, vemos o termo Völva sendo usado tipicamente por mulheres que se especializam em adivinhação e mediunidade, com o uso do High Seat para seus rituais. Embora esta função é vista como tradicionalmente feminina, não há nada que impeça homens de fazer isso também, a despeito do estigma histórico do termo ergi.

O interesse renovado recentemente em práticas esotéricas das culturas europeias levaram a um ressurgimento no número de pessoas que estudam a espiritualidade e práticas mágicas nórdicas, germânicas e anglo-saxônicas. Como qualquer sistema de crença histórica, há muitas peças do quebra-cabeça faltando, com apenas alguns textos para atestar técnicas prescritas. Em certa medida a adivinhação, tentativa e erro, e empréstimos de magia popular local têm sido necessários para se reconstruir esse importante papel na precoce sociedade germânica.

Referências

[1] The Poetic Edda, The Lay of Hyndla (Hyndluljoth, Bellows Translation)

[2] The Viking Way: Religion and War in Late Iron Age Scandinavia, Dr Neil Price – ISBN 978-1842172605

[3] The Sagas of Fridthjof the Bold – ISBN 978-0557240203

[4] The Saga of Erik the Red – ISBN 978-1481241915

[5] Geographica, Strabo – ISBN 978-1173697082

[6] Witchdom of the True: A Study of the Vana-Troth and the Practice of Seiðr, Edred Thorsson – ISBN 978-1885972125

[7] Seidr: The Gate is Open, Katie Gerrard – ISBN 978-1905297528

[Esta tradução é passível de críticas, e foi feita apenas para facilitar a leitura de quem não lê em inglês. Está sujeita a imperfeições e aceita opiniões construtivas].

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