O Eu e a Natureza

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É tendência do mundo contemporâneo considerar o Eu uma “coisa” muito importante. Em alguns aspectos o pessoal/particular tem sim muita relevância (como em suas escolhas, que não podem ser feitas senão sob condição de autonomia espiritual).

Não quero me demorar nesse assunto, mas creio que a mensagem seja importante.

Quando estamos na cidade, existem sempre muitos “Eus” bem definidos. A propaganda nos oferece muitos produtos para, em determinado momento acompanharmos a maioria, em determinadas ocasiões aparentar alguma diferença externa.

Mas, quando de coração você deixa isso de lado um pouco, fora da cidade… Percebe o quanto esse “Eu” é um conceito frágil: mosquitos vêm e levam sem pedir um pouquinho do seu sangue, você apanha e se alimenta de uma fruta saborosa, admira uma abelha bebendo de uma flor enquanto a fecunda com o pólen de outra; você deixa seu suor cair, rala-se em alguma planta, e lá mais um pedacinho de você será engolido pela grande Mãe…

Da mesma forma que a Natureza é um organismo vivo, talvez dotado de alguma autoconsciência, e complexo, é o ser humano, é cada parte do ser humano, e é cada ser em particular da natureza (falando apenas dos entes imediatamente visíveis, a olho nu ou não), como uma bactéria, um inseto, uma planta, um cogumelo, ou um animal mamífero.

E todos esses entes estão trocando energias, trocando matéria entre si, o tempo todo… De forma que o que é sempre está em mutação permanente, e é muito complicado tomar uma parte destacada, seja no espaço, seja no tempo, ou na consciência (o “Eu”) e analisá-lo sem ter em nenhuma consideração tudo que está à sua volta…

Ou sem pesar tudo que faz parte de si, e tudo do que fazemos parte.

A Natureza vibra, e o humano, junto com ela.

Sábios eram os gregos, ainda: com a palavra phýsis eles, antes de Sócrates, falavam dessa Natureza enquanto totalidade homem-exterior, sem precisar recorrer a totalitarismos modernos específicos… E totalmente antinaturais: mas que sempre iludem muitas pessoas. Somente quando respiramos e sentimos conscientemente a natureza é que podemos dizer a nós mesmos: somos vivos.

{Black Berserker}

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