O Encontro dos Lobos

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Dois lobos se encontraram.

Um deles, de longe, parecia grande e robusto, e a cada vez que se aproximava mais do segundo, este sentia um receio, embora fossem ambos lobos.

À distância o grande lobo branco rosnava e uivava, enquanto o lobo negro permanecia atento e em silêncio.

– “Preciso lhe dizer uma coisa”, começou, com ar soberbo, o grande lobo. “Nós invadimos seus territórios, por longos tempos os fizemos prestar serviços a nós, enquanto subjugados, mas agora quero que saiam daqui. Quero que saiam pois os lobos brancos precisam de mais terra, quero que saiam pois agora temos um grande lobo redentor, que irá levar a glória à nossa raça de lobos brancos”.

– “Vocês vivem uma vida indigna, material e espiritualmente, não são como nós: grandes lobos brancos. Por não serem como nós e por nós termos adaptado garras mais nocivas, somos superiores. Assim diz a evolução”, continuava o lobo branco.

Um frio intenso cortou o ambiente. O lobo negro permanecia medindo cada uma das ideias expostas pelo outro, e o observava bem. Possuía muito mais em semelhança com ele, por fora, que com uma pedra, uma árvore, uma ave ou qualquer outro ser vivo, nas florestas ou nos locais longínquos.

– “Você, lobo branco, se reivindica superior por essa ou aquela razão; eu vejo mais motivos para sermos semelhantes aliados do que inimigos!”, respondeu calmamente o lobo negro. “Somos ambos filhos da natureza; filhos dessa mesma Mãe, criados pelos mesmos deuses. Há algum motivo para não sermos exatamente iguais: mas tanto eu quanto tu o ignoramos, embora suponhas que isso deva-se à sua superioridade”.

A lua brilhou serenamente através dos olhos do lobo negro.

– “Nossos deuses deveriam significar que devemos amar a natureza, e nos sentirmos o que realmente somos: parte dela”, concluía o lobo negro. “Mas eis que preferes usá-los como motivo para justificar a grandeza do teu ego e a inferioridade de todos os que não reconheçam isso”.

Mas o lobo branco não tinha paciência para aquela conversa. Entre seus rosnados ferozes podia se ouvir “eu quero sangue”, “batalha”, “morte”, se achando mesmo mais poderoso que o Enforcado ou uma de suas Cavaleiras. Virou então as costas; ainda não era o momento em que as Nornas haviam tecido aquela batalha no Wyrd de ambos.

Mas, enquanto ia-se, o lobo negro não deixou de reparar em um detalhe, que muito lhe chamou a atenção. Apesar do tamanho, sua pele era mal costurada nas pernas. Viam-se uns tufos de lã escapando sorrateiramente, denunciando a verdadeira natureza daquele que acreditava em eleitos e salvadores. Suas patas escapavam pelo couro; e denunciavam que o imponente lobo, na verdade, sustentava-se sobre cascos de ovelha.

 

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