A batalha do Heathenism contra os brancos supremacistas

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Opinião de Joshua Rood, especial da CNN

Tradução de Heiðinn Hjarta

A palavra Heathen é bem antiga e significava morador do campo, ou a pessoa que vivia nas áreas selvagens.

Eventualmente, quando o cristianismo veio para o norte da Europa, passou a tornar-se “aquele que continua a cultuar os deuses antigos”. Ainda significa que em algumas partes do mundo, como na Islândia, onde também atende pelo nome de Ásatrú (“crença nos Aesir”).

Aesir é só uma palavra bem antiga para os deuses tradicionais da Escandinávia. Você provavelmente já ouviu falar de alguns desses deuses: Odin, Thor, Freyr e Freyja.

O que você talvez não saiba é que muitas tradições, histórias e celebrações nunca deixaram de existir.

Isto pode ser tão simples como a crença escandinava nos vaettir (espíritos da natureza) ou tão complexas quanto os poemas e canções sobre os Aesir que foram escritas e ainda não cantadas e encenadas na Islândia.

Muitas dessas histórias foram preservadas nos poemas e sagas islandesas, escritas nos séculos 13 e 14. Outras foram preservadas nos contos folclóricos e nos costumes folclóricos.

 Atualmente, Asátrú, cujo qual pode ter muitas denominações, é a maior religião não cristã na Islândia e é oficialmente reconhecida na Noruega, Suécia e Dinamarca. Graças ao multiculturalismo, que existe em muitos países ao redor do mundo, incluindo E.U.A., Canadá e a maior parte dos países da Europa.

Há muitas organizações, grupos privados e indivíduos que aderiram ao Ásatrú. Embora a terminologia, festas e costumes possam variar de acordo com conhecimento e as tradições locais, na sua essência, Ásatrú é uma celebração dos deuses, histórias e costumes que foram passados adiante do Norte da Europa para o mundo moderno.

Infelizmente, há pessoas neste mundo que tentam usar essas belas histórias e tradições por razões egoístas e odiosas.

Todas as religiões têm sido usadas por pessoas para justificar o que eles sabem que é errado. Todos os mitos estão sujeitos a deturpação. Nós já vimos isso ao longo da história.

Ásatrú não é mais imune a isto do que qualquer outra religião. Mitos e símbolos não podem se defender. No caso do Ásatrú e os deuses e os símbolos do norte da Europa, eles foram forjados e usados por indivíduos e movimentos que tentam alavancar ideais racistas, nacionalistas e violentos.

É preciso entender que esses movimentos não evoluíram de Ásatrú. Eles evoluíram a partir de movimentos racistas (White Power) que se prenderam ao Ásatrú, pois a religião que veio do Norte da Europa é mais útil ao nacionalista branco do que aquela que aquela que se originou em outro lugar.

Mas isso não é o que Ásatrú é, e as comunidades religiosas, cujas crenças e símbolos estão sendo seqüestrados estão tentando fazer sua voz ser ouvida pela sociedade.

Deve-se saber que Ásatrú não tem nada a ver com ser algum tipo de “guerreiro” separatista.

Não é a religião dos Vikings mais do que o cristianismo é a religião dos cruzados. Não é a religião de nacionalistas brancos mais do que o cristianismo é a religião da KKK (Klu Klux Klan).

Ásatrú é a história de todos os do norte da Europa. Os agricultores, comerciantes, pescadores, você os nomeie.

Herança e não ódio

Herança e não ódio

Os Vikings são exagerados e romantizados pela cultura pop, bem como a condução dos objetivos dos indivíduos e movimentos. Podemos concordar que Cristo nunca teria tolerado as Cruzadas ou a KKK. Da mesma forma no Ásatrú o deus Freyr é um deus de paz e prosperidade que nunca perdoaria matança em seu nome.

A Ásatrú fellowship da Islândia é a maior e mais antiga organização Ásatrú e está aberta a qualquer um e a todos que vivem na Islândia. Se você fosse perguntar a uma pessoa aleatória nas ruas de Reykjavík o que é Ásatrú, independente de sua religião, eles provavelmente vão te responder alguma variação de “É a religião tradicional da Islândia.”.

Eles não iriam pensar em uma conexão com o racismo ou a violência, porque a conexão não existe. Da mesma forma, nos Estados Unidos, onde é reconhecidamente difícil representar o Heathenism, devido às leis federais sobre as organizações religiosas, as comunidades Heathen são muito multiculturais, formada por pessoas com uma variedade de origens étnicas.

Há grupos e pessoas que estão tentando usar símbolos pagãos para promover ideais de ódio, e eles são ativos, publicando materiais e tentando recrutar.

Isso significa que eles vão a eventos, eles tentam entrar em contato com as comunidades gerais Ásatrú, e eles tentam passar suas agendas por fora como sendo uma parte do Ásatrú.

Isto deixa-nos com o desafio de mostrar ao público em geral que, enquanto há pessoas deturpando nossos símbolos, há mais de nós abertamente contra. Os meios de comunicação e público em geral podem ajudar com isso.

 A minha esperança é que este artigo pode ajudar com o processo de fazer esta distinção ser publicamente conhecida e reconhecida.

Se conseguirmos isso, então o artigo ajuda a sociedade como um todo para neutralizar o White Power e outros movimentos extremistas, porque vai tornar-se mais claro para eles que eles não são bem-vindos em qualquer lugar na sociedade, incluindo na religião Ásatrú.

…………………………

Joshua Rood está estudando para a graduação do mestrado das artes na religião nórdica antiga na Universidade da Islândia. Ele é um membro da Ásatrúarfélagið (Asatru fellowship) da Islândia e fundador da revista Heathen. As opiniões expressas nesta coluna pertencem a Rood.

N.T. a palavra Heathenism não tem um equivalente preciso no português o mais próximo é o Paganismo, mas pelo histórico cristão e latino do uso da palavra muitos preferem adotar a primeira terminologia.

2 thoughts on “A batalha do Heathenism contra os brancos supremacistas

  1. Primeiramente gostaria de dizer que gostei do artigo, muito bem redigido.
    Em segundo lugar gostaria de confirmar uma duvida que tenho; Eu sou brasileiro, então sou uma mistura de etinías (alemão, holândes e principalmente português). Gostaria de saber em qual organização eu seria bem recebido para aprender mais sobre os deuses, os princípios e as tradições, pois realmente estou interessado em praticá-las.
    Obrigado pelo seu tempo e atenção.
    ps: eu tenho fluência em inglês, então não há necessidade de ser fontes em português.

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  2. “Eu sou brasileiro, então sou uma mistura de etinías (alemão, holândes e principalmente português).”
    Esqueceu de mencionar as etnias negras e indígenas creio eu.

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