Primeiros passos na Ásatrú: Introdução ou Iniciação ao Paganismo Germânico e Nórdico

Sonne Heljarskinn

Por onde começar? O que devo fazer? Como funciona a religião Ásatrú? Como ser um pagão nórdico? Com esse texto me proponho a apresentar, do meu ponto de vista, respostas e um norte para aqueles que estão tendo seus primeiros contatos com o paganismo nórdico.

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Então você está querendo conhecer o paganismo nórdico, e está cheio de medos, incertezas  e questionamentos, tais como: O que é a Ásatrú? Por que eu deveria me aproximar de uma religião “morta”? O que o paganismo tem a oferecer? São tantas e tantas perguntas no início, mas, ao final dessa nossa breve e superficial exposição pretendo responder, de maneira provisória, pelo menos essas três questões. Não sei como você chegou aqui, só espero que seja bem-vindo (pelo menos por enquanto). Você está lidando com uma religião reconstrucionista, o que significa que não existe uma instituição oficial reguladora e dogmatizada, mas bebemos nas fontes de estudos arqueológicos, literários, linguísticos etc, para construir um corpo de ideias que possamos seguir, em vista de restaurar, tanto quanto nossas lacunosas fontes permitam, um sistema de crenças, rituais, valores e visão de mundo o mais aproximado possível dos antigos povos germânicos, no nosso caso, em especial dos nórdicos islandeses. Continue reading “Primeiros passos na Ásatrú: Introdução ou Iniciação ao Paganismo Germânico e Nórdico”

Os Landvaettir

The Spirit of the Forest. Unusual tree found in the mountains of Bulgaria. Photo: Deyan Kossev
Espírito da Floresta. Árvore incomum encontrada em montanhas da Bulgária. Foto: Deyan Kossev

 

Por Sarenth Odinson em inglês. Tradução por Wander Stayner.

Pedi sugestões de tema sobre os quais eu pudesse escrever, e meu amigo Rhyd Wildermuth do Paganarch me pediu que escrevesse sobre os landvaettir.

Os Landvaettir são espíritos da terra. Podem ser tão grandes quanto uma cidade inteira, se extender ao comprimento de um vale, ou ser tão grandes quanto uma montanha. Podem ser árvores ou pedregulhos milenares, ou pequenas pedras e pedaços de terra. Eles são o espírito vivo da terra em si. Compartilhamos cada centímetro e cada momento de nossas vidas com os landvaettir. Eles estão nas fazendas, na selva e nas cidades. São o nosso lar, e a variedade de materiais nos quais eles se dividem; eu os chamo housevaettir.

Eu notei que os landvaettir podem se apresentar a nós através de interações próximas, íntimas, como mensagens diretas ou presságios. Costumo percebê-las em volta da minha casa e em parques locais. Os landvaettir também podem ser distantes, mal notando nossa presença, ou simplesmente não desejando interagir com os humanos, algo que percebi na cidade e na floresta. Também podem ser mais sutis que a messagem direta, como uma sensação de reverência e presença que senti ao estar de frente ao Mount Beacon, em Nova Iorque, ou ao lado de um carvalho ancestral na propriedade de um amigo. Os landvaettir, em um mesmo pedaço de terra, podem ser mais ou menos inclinados a interagir com humanos; nas terras do meu amigo, o carvalho ancestral é bem amigável, enquanto o salgueiro, nem tanto.

Ser bons aliados e vizinhos dos landvaettir é nosso maior interesse. Quando vivemos bem sobre e na terra, vivemos bem com os landvaettir, e então, o ambiente e nossas vidas se tornam melhores por isso. Viver bem com os landvaettir pode ser tão simples quanto manter a terra livre de coisas como produtos químicos fortes e lixo, ou mais complicado como oferendas regulares que faço aos housevaettir. Do mesmo jeito que cada relação pessoal será diferente com um dado Deus, o mesmo vai acontecer com os landvaettir. Eles podem ser mais rápidos ao se afeiçoar, interagir ou abençoar determinadas pessoas, especialmente aqueles que vivem bem sobre Eles e vivem bem com Eles.

Quando chego numa cidade, eu tento encontrar o vaettr ou os vaettir (espírito ou espíritos, respectivamente) e fazer uma oferenda. Algumas vezes é algo pequeno, como uma pouco de tabaco ou artemísia, outras vezes pode ser um pouco de bebida, se estiver visitando uma cafeteria local. Isso é não só educado, como hóspede na casa dos vaettir, mas também significa que estou vivendo em consciência de que quando ando sobre a cidade, estou andando em meio a um vaettr, e que Ele está tão vivo quanto uma floresta, ou o solo embaixo da minha casa. Também existe o lado prático de uma boa relação com os landvaettir: Eles podem nos alertar, mesmo de forma sutil, como um arrepio na nuca ou uma sensação de agouro, nos avisando a não seguir por uma rua ou lugar. Uma vez estava perdido em uma cidade que não conhecia, e depois de mais uma menos uma hora vagando, eu fiz uma oferenda de café para os landvaettir da cidade. Pouco tempo depois, eu encontrei o caminho. Quando me abri a uma boa relação com os vaettir da cidade, e então levá-la adiante, ouvindo-Os, consegui encontrar meu caminho.

Vivo numa área semirrural; as bençãos dos landvaettir são visíveis nas fazendas e em nosso próprio quintal. A temporada de aspargos começou, e na primeira semana de maio, os talos cresceram bastante, e alto o suficiente para corte. Antes de ir para a colheita, faço uma pequena prece, dizendo: “Obrigado, landvaettir. Obrigado, Freyr. Obrigado por esta colheita”. Daí, posso dizer “Ves heil!” ou “Hail!” antes ou durante a colheita. Os landvaettir permitiram que minha família comesse bem na noite passada, e deram o suficiente para que eu pudesse comer hoje à noite, no trabalho. Como associo aspargos a Freyer, eu O saudei, também, pois Ele os abençoou, assim como os landvaettir o fizeram, ajudando-os a crescer bem.

A velha máxima de “toda política é local” muito se aplica à minha própria quanto aos landvaettir. Porque eles não têm voz na sociedade dominante atual, parte de nosso papel é ser sua voz, advogado, e/ou ativista. Isso mesmo, todos que trabalham com eles se alistaram para serem o Lorax (personagem infantil criado pelo Dr. Seuss, na década de 70, com um perfil ambientalista). E como não? Se esses vaettir, esses parceiros de nossas vidas, devem perpetuar e crescer, e continuar como ecossistemas vivos, é nosso dever ajudar a protegê-los de nós mesmos, seja catando lixo no parque, evitando elementos químicos em nossa grama, cultivando plantas nativas onde for possível e/ou agindo diretamente no sentido de proteger os landvaettir selvagens.  Reprogramar nossa relação com a terra em si, não apenas como um ecossistema e um habitat, mas também como uma relação bem real com a terra (como a que existe entre nós e outros seres espirituais bem reais e presentes) será necessária uma atitude que a mantenha e a ajude a crescer.

Essa relação se extende, quando a desdobramos, em decisões diárias, como aquilo que compramos, e como lidamos com o que sobra do que compramos e consumimos. Quando voltei a morar na minha antiga casa novamente, e realmente lidar com os landvaettir alguns anos atrás, comecei a transfomar em adubo todo lixo orgânico que podia em nossa casa. É impressionante a quantidade de lixo orgânico que produzimos, e como ele enriquece essa terra negra argilosa, que então ajuda as plantas a crescer. O que é bem interessante é como isso me faz bem, quando levo o balde de quase 20 litros para o composto e saúdo os landvaettir, Niðogg, e Hela. Isso me deixa feliz, deixa os landvaettir felizes, e ajuda a minha família a ser mais autossuficiente. Agora que eu tenho meu próprio veículo estou preparado para coletar carcaças de animais e preservar seu couro e ossos seja onde for, devido à quantidade de animais à beira da estrada que não são comidos por animais necrófagos. Comecei a aprender a trabalhar com couro e em vez de comprar de um fornecedor, na medida do possível, gostaria de produzi-lo eu mesmo. É uma longa estrada (sem falar de transporte, abate, e outras coisas a partir de uma única vaca) a percorrer, desde um distribuidor como Jo-Ann Fabrics ou diretamente da Tandy, só para conseguir fazer uma bolsa. Assim como a pilha de compostagem que começamos com um simples balde, cada decisão que tomamos para melhorar melhora nossa relação com os landveattir.

Conviver com os landvaettir não é uma questão de apenas fazer oferendas e cultivar plantas nativas, é toda uma consciência com a qual Os abordamos, a terra sobre a qual moramos, o jeito que vivemos nossas vidas. Por isso mencionei antes as pessoas que moram sobre a terra e as pessoas que convivem com a terra. Conviver com os landvaettir requer engajamento com esses seres em Seu nível, física e espiritualmente. É entrar em uma relação viva, na qual haverá um empurra e puxa, e que definitivamente exigirá Gebo, prêmio por um prêmio. Os landvaettir oferecem Sua generosidade com a colheita de aspargos; que presente posso Lhes dar em espécie? Qual o melhor presente que posso Lhes dar em retorno pelo Seu presente na forma de boa comida? Quando minha capacidade de sobrevivência vem do chão, através da água e da comida (temos um poço artesiano), que presentes posso dar em retorno por tudo que dá sustento à minha vida? Se eu estivesse apenas vivendo bem sobre a terra, essas questões seriam objetivas e práticas, como cuidar do solo, usar métodos naturais de controle de pragas, manter a água limpa, etc. Uma vez que convivo com os landvaettir, esses pontos ainda são importantes, e trazem um significado adicional e um peso espiritual. Eu também tenho que considerar, ao conviver com Eles, o que Eles querem. Até então, Eles estão felizes com o composto, as orações, e as oferendas que deixamos perto de Suas árvores. Podem ter outras necessidades no futuro, e para manter uma boa relação com Eles faremos o possível para attendê-Los. Afinal de contas, somos hóspedes o que é e sempre foi Deles, e Eles mesmos.

Pertencemos aos landvaettir muito mais do que Eles pertencem a nós. São os Seres a partir de cujos corpos podemos comer, respirar, beber, nos abrigar, e viver bem. Vivemos sobre Eles; Seus corpos são o meio pelo qual nos vestimos e construimos nossos lares. Seus espíritos ressoam à nossa volta, seja debaixo de nossos pés no tapete, concreto ou pó, o vento nos salgueiros, as páginas de um livro, ou os compostos plásticos e metais que formam seu computador ou aparelho móvel, e lhe permitem visualizar essa publicação.

Ao entender isso, podemos também entender que somos Ancestrais em formação, assim como landvaettir em formação. O lich (corpo) é uma parte de nossa alma, e fica para trás, enquanto outras partes da matriz de nossa alma segue adiante. Nosso corpo, então, se torna parte da terra, onde quer que acabe ficando, no fim. A terra da qual faremos parte, o que fazemos com essa terra quando nos tornarmos parte dela, deveria ser algo a se pensar. Quando morremos nos encomporamos à terra e somos colocados sobre e/ou dentro dela.

Tornar-se um com os landvaettir é inevitável; como vivemos e se morremos bem com Eles é uma decisão nossa.

Honest cheesemongering (or the perils of shopping for knowledge).

Written by Einar V. Bj. Maack skáld of Hvergelmir International

Today’s society is far different from what it was a millennium ago, a century ago or even just a couple of decades ago.

The free flow of information has made it easier for us all to share our thoughts and knowledge at the flick of a finger.

At the same time we have, at the tips of our fingers, access to the accumulated knowledge of our species through the centuries. Well. Aside from knowledge that was suppressed, books that were burned, or the verbal folklore of people that were burned.

This is where the reconstruction of Heathenry meets a problem, as knowledge of pre-Christian religion is riddled with holes like some sort of a particularly airy Jarlsberg cheese.

People that subscribe, or rather, wish to subscribe to their ancestral faiths and folkways have a lot of work put out for them, and even then, sometimes the details are simply not known.

However, given that one can afford oneself the luxury of time to study, accumulating knowledge on any subject is relatively easy.

But, there are holes in the lore, and depending on the area and period one looks for knowledge about. Nobody knows for certain the name of Njörðr’s wife or whether the eagle on top of Yggdrasil had a name.

There are theories. But there’s no certainty. There are holes in the Jarlsberg cheese.

Our holiest of cheeses.
Our holiest of cheeses.

In modern society, everybody has the opportunity to share their ideas or sell their wares. The information revolution of the passed two decades has made it possible to share our thoughts, as I mentioned before, at the flick of a wrist or the shaking of a finger.

But in this modern world of instant gratification there are and will always be those that are not willing to put in the work to accumulate knowledge or hone the craft of cheese-mongering. Those not willing to put in the work to make a quality product.

By cheese, I’m of course talking about heathenry, and not, as it were, an actual dairy product, for those of you upon whom metaphors are lost, and by cheese-mongering, I’m talking about the distribution and sharing of knowledge, of lore. Of Heathenry.

The Cheese-shop of knowledge.
The Cheese-shop of knowledge.

Not everybody is meant to be a cheese-monger and not everybody wants to.

However there are those that do want to run their own cheese-shop, yet are not willing to put in the work it takes to sell genuine quality products, but it doesn’t stop them presenting their unverified and frankly unauthentic ideas disingenuously as selling canned spray-cheese as Jarlsberg.

So, I intend here to list out the most common contaminants or fake produce sold as Jarlsberg Heathen, whilst decidedly not.

Cottage Cheese.

Home made!
Home made!

There is nothing wrong with Cottage-Cheese. Home made theories based on what you’ve studied, as long as you’re willing to better your recipe with more knowledge as you grow.

I’m talking about UPG. Almost everyone has UPG. Some theories based on connections you make when you read, when you study.

There’s nothing wrong with that, and it’s actually quite healthy. Just as long as you remember to mark it as your home-made cottage cheese.

Spray-cheese.

One of the most common cheese stuffed into the holes in Heathen lore seems to come from modern entertainment rather than anything else.

Ideas from the Marvel universe, Lord of the Rings, Game of Thrones, J. Cameron’s Avatar or the inaccurately named History channels Vikings.

I can't believe it's not spartl!
I can’t believe it’s not spartl!

Some of these things are quite alright or even excellent as entertainment and if you like these things, all power to you, enjoy. I enjoy all of these things for what they are. But it still doesn’t mean that these things are accurate or even relevant to Heathenry.

There’s nothing wrong with enjoying artificial cheddar on the side, or even melting Jarlsberg and cheddar together on your toast.

It’s just that canned cheddar and Jarlsberg are not the same thing and shouldn’t be conflated.

Limburger. 

Some people see the holes in lore as an opportunity to insert their political agendas into Heathenry.

Whilst people would notice this German cheese that smells like feet that have been kept in wehrmacht boots on a particularly long hike in the rain inserted into a mild cheese like Jarlsberger, there are still people that are able to sell their political agendas stuffed Heathenry.

Smells like Wehrmacht boots.
Smells like Wehrmacht boots.

The people that do this obviously have their reasons – no matter how strange they may seem to the rest of us, but never the less, these politics are not relevant to the reconstruction of Heathen practice and is frankly detrimental, as it sheds the unpalatable and frankly nausea inducing scent of White Supremacism over Heathenry.

Babybel Cheeses.

Sweet Baby Cheeses. For the past centuries the majority of the western world has adhered to some sort of Christianity.

Some people put all their faith in baby cheesus.
Some people put all their faith in baby cheesus.

It’s not my intention to use this list to criticize or slag that religion. That’s not the purpose even though the holes in Lore are more or less due to the entrance of said Cheeses (Christ) on the market of divinity.

The influence said religion has had on the world is however immeasurable and therefor it’s understandable, that such a mass- marketed products influence is somewhat present. 

People that think that Baldur is a savior or that Óðinn is an ever-loving sky-daddy have decidedly been influenced by Christianity in the tradition of its cultural imperialism.

Which brings us to…

Smegma.

Other people see these holes as an opportunity to insert their genitalia into the holes in the Jarlsberg of Heathenry.

It goes without saying that most people would not buy something with such a musty odor and color so vastly different from the mild, airy Norwegian breakfast favorite as Jarlsberg or a Jarlsberg with something so noticeably different stuffed into it’s holes.

However, there are people that feel the need to insert Heathenry into their sexual organs, or their sexual organs into heathenry, and these people get support.

Very unrealistic depiction.
Very unrealistic depiction.

I can not even pretend to understand why people feel the need to act as if they regularly have sex with gods or are married to gods. Maybe said people are very, very lonely. Maybe they didn’t receive enough attention in childhood, but aside from the obvious Abrahamic nun/monk implications and possibility of genuine mental issues such as delusions of grandeur/adequacy/relevancy.

I’m not saying that you’re not allowed to fantasize sexually about the gods.

It’s just that your sexual fantasies have nothing to do with Heathenry.

In conclusion.

Whilst there are international laws prohibiting presenting products from one place as another, or indeed selling some diluted and polluted version as the genuine pure article not everyone seems to understand the importance of authenticity when it comes to cultural or religious knowledge.

You are not allowed to sell your home-brewed sparkly wine as champagne.

You are not allowed to sell brandy as Cognac unless it’s made in that province.

I want to appeal to your common sense my dear readers.

You shouldn’t, and hopefully wouldn’t buy Jarlsberg that smells funny

– if it does it’s mislabeled.

Why would you treat your heathen lore differently?

Ēostre, Ostara, Páscoa

Escrito por Andreia Marques
Publicado originalmente em Heathen Brasil

Todo ano, mais ou menos nessa época, inevitavelmente aparece alguém do meio pagão associando a celebração da Páscoa com a deusa saxônica Ēostre (e agora, mais ou menos frequentemente, à deusa Ishtar). Daí surgiu a ideia desse post, para esclarecer algumas coisas.

Primeiramente, é fato que na língua inglesa o que chamamos “Páscoa” se chama “Easter”, e é quase certo que “Easter” vem de Ēostre, significando “aurora”. É fato que havia um mês do ano, Ēosturmōnaþ, que supostamente seria dedicado a esse deusa. Sabemos disso única e exclusivamente através do relato do Venerável Bede, do século VIII, em seu De temporum ratione. Neste relato, Bede diz que os pagãos anglo-saxões celebravam a deusa no mês de Ēosturmōnaþ:

Eosturmonath tem um nome que hoje é traduzido como mês pascal, que já foi chamado assim devido a uma deusa deles, em cuja honra celebravam-se banquetes durante este mês. Agora eles chamam as celebrações pascais por seu nome, nomeando as graças do novo rito, pelo celebrado nome da tradição antiga.

E só. É a única menção associativa feita entre a deusa Ēostre e a Páscoa. Observe que neste contexto não se diz quais são esses banquetes e ritos celebrados à deusa. Não há menção nenhuma a coelhos, ovos ou qualquer outra coisa do gênero.

Séculos depois, Jacob Grimm, em sua Deutsche Mythologie, associa Ēostre à deusa germânica Nerthus, deusa da terra e da fertilidade, ou a uma suposta (e igualmente desconhecida) deusa Ostara, cujo nome, assim como o de Ēostre, seria lembrado através de um mês do ano: Ostermonat. Grimm faz a associação desta deusa com ovos e lebres, e especula que a tradição pascal de ovos e lebres vem dessa deusa. É certo que na Alemanha, até hoje, a Páscoa chama-se Ostern. São os únicos idiomas a estabelecerem essa relação. As línguas escandinavas adotam termos similares ao nosso: Påsk (sueco), Påske (norueguês), Pasen (holandês), Påske (dinamarquês), Páskal (islandês).

A existência de Ēostre como uma deusa recebedora de honrarias ainda é questionada. Existem algumas evidências na forma de topônimos (nomes de locais específicos fazendo referência à deusa), tanto na Inglaterra quanto na Alemanha, a existência de alguns nomes pessoais derivados desses termos.

Em 1950, entretanto, encontrou-se mais de 150 inscrições na Alemanha, em Morken-Haff, referindo-se a Matronae Austriahenae — inscrições votivas em estilo bastante romano, mas que pareciam referir-se a uma deusa ou entidade local, datando do século II. Estas inscrições, em latin, referem-se à deusas Matronas — quase sempre deusas tríplices, representadas juntas, em altares e oferendas votivas.

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Altar para as Mães (matronas, matronae) de Aufania, encontrados sob uma igreja em Bonn, Alemanha. Exemplo de matronae romano-germânicas. Fonte: Wikicommons.

Conclui-se, então, que sabemos muito pouco sobre Ostara, Eostre e as matronas que poderiam estar associadas a elas.

Então, de onde vem a conexão dessas deusas com ovos e coelhos? Simplesmente, de Jacob Grimm — o único a fazer esta associação. Note que Jacob Grimm, folclorista e linguista, traça essa conexão em 1835.

Ovos pintados, decorados e coloridos eram bastante populares desde antes do cristianismo. Ovos de avestruz eram usados como frascos para carregar água desde tempos pré-históricos no Kalahari, o que faz perfeito sentido, pois são de um tamanho adequado e resistentes o suficiente para transportar. Um dos remanescentes mais antigos de tal uso data de 60.000 anos (!), encontrado aos pedaços, mas claramente colorido e decorado.

Da mesma forma, ovos coloridos foram encontrados em tumbas egípcias e sumérias, geralmente ovos de avestruz, de mais de 5000 anos. A tradição de colorir e decorar ovos animais certamente não nasceu com o cristianismo, mas, também, nunca foi exclusiva de um culto ou outro, ou sequer associado especificamente a algum culto. O costume já se encontrava presente entre os cristãos mesopotâmios, que provavelmente continuaram ou adotaram um costume mais antigo.

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Ovo de avestruz decorado com motivos púnicos. Fonte: Wikicommons.

Assim, é bastante provável que esse costume cristão, muito antigo, tenha se espalhado pelo resto da Europa junto com o cristianismo através das igrejas ortodoxas. O ovo também apresenta uma conexão específica com o período de quaresma, que precede a Páscoa, em que o consumo de carne, ovos e leite era proibido, proibição essa que terminava na Páscoa.

Ovos também são associados à celebração de Nowruz, o ano novo iraniano, que existe há pelo menos 3000 anos e era celebrado por vários povos ao redor, nas Bálcãs e no Cáucaso, e por sua vez também é associado ao Zoroastrismo.

A tradição de decorar ovos espalhou-se pela Europa e pelos países eslavos, provavelmente através das igrejas ortodoxas russas, e o ovo foi oficialmente associado com a ressureição em 1610, através do Rituale Romanum; texto esse que continha textos bem mais antigos.

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Ovo de Farbergé, ricamente decorado. Fonte: Wikicommons.

E o coelho? Bem, coelhos ou lebres são símbolos de fertilidade desde muito, muito tempo, por motivos óbvios: coelhos se reproduzem rápido e em grande número. No passado antigo, filósofos como Plínio acreditavam que coelhos eram hermafroditas, e que se reproduziam sozinhos; noção essa adotada pelos cristãos, que associaram o animal à Virgem Maria. É bastante comum ver coelhos representados em iluminuras e outras formas de arte cristãs.

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Nem sempre essas ilustrações eram sérias. Ou faziam sentido.

A menção mais antiga relacionando coelhos com Páscoa vem dos luteranos alemães, do próprio Martinho Lutero, e aparentemente o costume, a princípio puramente alemão, espalhou-se pelo mundo e tornou-se bastante popular, suplantando costumes associados a outros animais.

Também não existe nada em específico que associe coelhos a Ostara/Ēostre, além da menção de Jacob Grimm.

Assim, é bastante errôneo dizer a tradição de coelhos e ovos deriva destas deusas, principalmente considerando que a tradição de ovos coloridos pré-data o contato com os povos germânicos, e a tradição de coelhos é antiga e ampla na tradição cristã (e, de forma diferente, na tradição judaica), e especificamente a associação do coelho à Páscoa é muito posterior ao fim do paganismo germânico nestas regiões.

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Ticiano, A Madona do Coelho, 1530, óleo sobre tela. Fonte: Wikicommons.

É bastante provável que, se existia realmente uma deusa com o nome Ēostre (ou uma com o nome Ostara), algo que ainda é questionado, ela era exclusivamente saxônica ou anglo-saxônica, já que não há nem menções nem sinais de sua presença em outros lugares. Não há nada que diga que ovos e coelhos são associados a ela(s), e nem que eram deusas de fertilidade, e não apenas da aurora, como Eos (embora não seja improvável; Rudolf Simek acredita que eram sim deusas da fertilidade).

Eu, pessoalmente, não vejo mal em tal associação, pois o simbolismo do ovo e dos coelhos realmente se presta a isso, o mês associado à deusa era realmente o princípio da primavera (ou do verão, já que os antigos raramente dividiam o tempo em quatro estações, mas em apenas duas: verão e inverno), e ovos e coelhos realmente são associados à fertilidade, renascimento e primavera. Devemos ter em mente que, relativo a qualquer celebração de Ēostre e/ou Ostara, já que não sabemos nada sobre tais celebrações, será uma inovação ou especulação moderna.

Mas, já que não sabemos de qualquer forma, por que não criar nossas próprias tradições (com embasamento, claro)?


Imagem por Annie Spratt, via Unsplash

Going to the land of the dead

Lēoht Steren, Þyle of Hvergelmir International

A lot of people have made the mistake of thinking that Valhalla (Valhöll – “Hall of the battle-slain” – in Old Norse) is a kind of “Heathen Heaven”, with Odin as a benevolent father-figure to those who come to his door. This is far from what we can discern from the extant lore and, to try and shift perceptions, we offer a short story of one who does not end up in the home of the Einherjar (nor, indeed, should we want them to!):

A young child, not more than seven winters of age, stumbles across Gjallarbrú, the bridge over the river Gjöll. Tears stain her cheeks, and fear marks her eyes. Móðguðr steps before her and, for a moment, the child recoils in terror from the dís. The battle-hardened one’s face softens and she crouches down to speak: “Hello, sweet child. Don’t be afraid, this is the entrance to Hel and you’ll not be harmed inside. Your family await you with love. Let me take you to them.” Móðguðr holds out a hand and the girl cautiously takes it.

The pair walk through the realm of the peaceful dead and, though it is warm as a summer’s morning, Móðguðr feels a chill as the child tells the story of a craven man. He drank too deeply, was miserly with gifts, and beat his wife and children. The marks of the last beating still showed raw on the young girl walking hand in hand with Móðguðr through Hel.

After a short time, the pair came to a meadhall, with many homes around it. The people who dwelled in this place saw the pair coming and paused in their chores to greet the girl with all the warmth of their hearts. Móðguðr left the girl with her family and returned to her vigil on the bridge.

An elderly woman led the girl into a home near to the hall and spoke: “Dearest one, I am your great-grandmother and, happy as I am to see you again, it saddens me that we meet so soon.” As she spoke, the woman gently took the girls soiled clothes off, wiped away her tears and her wounds and gave her freshly made garments to put on. The girl’s eyes lost their fear and shone with happiness. She now dwelled with loved ones in a land with no pain.

Some time later, Móðguðr returned to that village in Hel, leading a man. The man could barely stand from his injuries, but Móðguðr slowed her pace not a bit. When those that dwelled there saw the two approaching, they paused in their chores. The girl recognised her father and clang to her great-grandmother. This time, the people did not greet the man warmly. Rather, the men of the village took him with rough hands that he could not escape from.

They led him away from the village to the place where the land met the water at Nástrǫnd. Sharp bones cut the man’s bare feet and he cried out in pain. All at once, the ground writhed and the great dragon, Níðhǫggr, burst from the corpse-hoard. The men of the village cast the girl’s father onto the floor before the malicious one and returned to their homes and their chores, the sounds of chewing and sucking fading in their ears.

Irmandade e Visão de Mundo

Escrito por Andreia Marques e publicado originalmente em Heathen Brasil.

É bastante comum ver novos heathens (ou ásatruár, ou até mesmo pagãos em geral), empolgados com a descoberta de outros heathens ou pagãos, cumprimentá-los da maneira: “Hail, irmãos!”

Irmandade é uma coisa interessante. A visão de mundo dos povos germânicos pré-cristão é bastante fundamentada em irmandade, e nos laços familiares. Não é à toa que honramos nossos ancestrais e que quebrar um juramento é uma das piores coisas que se pode fazer. A visão de mundo desses povos era profundamente enraizada na comunidade e na solidariedade mútua intra-tribo, intra-clã, intra-família.

E quando dizemos família, dizemos no sentido mais amplo. Pai, mãe, irmãos, irmãs, tios, tias, primos e primas, e suas famílias associadas, formam a grande e interconectada rede de relacionamentos de um germânico antigo. Essa rede é seu ponto de apoio, onde sua sorte é compartilhada, onde sua reputação importa, onde sua vida e sua fama crescem.

Isso tem consequências. A principal delas é que pessoas fora dessa rede — da sua tribo, da sua família, do seu clã — não necessariamente irão importar muito. Ao contrário, elas podem ser prejudiciais à sua tribo, ou família, ou clã. Assim, respeitando-se as leis de hospitalidade, o estranho é tratado com, no máximo, uma polida desconfiança.

Não será maltratado, claro. Não era bem assim. Mas também não terá a mesma importância ou privilégio que o seu familiar, seu parceiro de tribo, àqueles a quem você deve, direta ou indiretamente, sua subsistência, reforçada pelo ciclo de reciprocidade.

Isso é típico de uma religião que é essencialmente tribal. A tribo é, de certa forma, seu universo.

E isso é também em oposição às religiões universais que, teoricamente, dentro de seu credo, declaram pertencer e abarcar a todos. Assim, todos que a ela pertencem são irmãos; ela é o grande traço unificador.

O que isso tem a ver com o início desse post? Simples. Assumir uma relação próxima com um desconhecido — chamando-o de irmão — é algo bastante contrário à visão de mundo heathen. Estranhos, mesmo que da mesma religião, não são seus irmãos, simplesmente em virtude da religião que professam, porque irmandade é mais importante que isso. É mais profunda que isso. É mais real que isso, dentro do paganismo germânico. Só porque você tem a mesma religião que eu, não significa que nós compartilhamos nada mais.

Isso quer dizer que é uma ofensa enorme chamar os outros de irmãos? Claro que não. As gírias, os informalismos da vida, levam a isso. Mas considerar estranhos realmente como irmãos — isso já apresenta problemas. Nós não somos irmãos sob Odin. Aqui não funciona como “todos são filhos de deus”. Não é assim que o paganismo germânico funcionava, e não há absolutamente nenhum motivo para criar essas relações artificiais — até porque, a diversidade cultural dentro das tribos germânicas existia, e por que não haveria de continuar existindo?


imagem: New Forest National Park, Reino Unido. Foto por Annie Spratt, via Unsplash

Pequenas reflexões sobre a Völva, o conhecimento, e o papel da mulher no heathenismo

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Texto por Sonne Heljarskinn
Postado originalmente em facebook

As völvas são mulheres que nas tribos nórdicas desenvolviam funções *semelhantes* mas não idênticas às dos xamãs. Elas tinham a liberdade de viajar e fazer oráculos, sendo bem recebidas e gratificadas por seu saber. Ainda assim, não nos interessa falar das völvas em geral aqui, mas de uma em particular, tamanha a sua importância: aquela que Óðinn foi buscar no mundo dos mortos, em sua sede de conhecimento.

Descrita na Völuspá, a passagem pode ser uma alusão a mesmo uma viagem “xamanística” – embora não estritamente xamânica – que o deus Caolho faz em busca de sabedoria. O próprio processo de seiðr envolve esse ato de ir ao mundo dos mortos com perguntas em busca respostas – e aqui abre-se uma brecha rápida para mencionar a GRANDE importância de Hel como deusa dos que morreram -, e existe uma grande identidade entre o que a Völuspá narra e aquilo que völvur ou seiðkonur praticam.

Isso dá-nos a oportunidade para uma coisa importante ser notada: é preciso compreender, ainda que ligeiramente, o papel da mulher na sociedade e na Heiðni, ou forn siðr, a antiga ritualística pagã do norte da Europa. Embora mulheres tivessem direito ao divórcio, à propriedade, e em alguns casos ainda pudessem se representar na thing, cabe lembrar que a maioria – mulheres pobres – ainda era forçada a se casar, o que só mudou ligeiramente com a entrada do cristianismo.

Todavia, se a mulher histórica da Escandinávia possui essa complexidade, a Völva que Óðinn chama dos mortos não tem tanta dificuldade em ser compreendida: ela conta a história do nascimento dos nove mundos até o seu fim. E, por que Óðinn a invocaria sem uma razão grande? Como o fato dela testemunhar os fatos que narrara? Essa Völva, essa grande völva, ao contrário das mulheres das religiões reveladas que possuem um papel misto entre o desastre, a irresponsabilidade e que contrastam com uma sexualidade desenfreada, é uma grande sábia fora de todos esses padrões e é procurada por Óðinn tanto quanto Mimir, para fins de aumentar o saber do velho Andarilho.

Essa völva que viu o fogo lamber o gelo primordial, que viu Ymir nascendo, que viu Auðumbla dando-lhe de comer, que viu o primeiro Aesir saindo do gelo a partir das lambidas dela, é a fonte de sabedoria desse poderoso deus, e chama a sua atenção por aquilo que tem a oferecer. Óðinn, como um seiðmann, busca esse poderoso espírito para se instruir.

Assim, a Völva, e aquilo que ela aprendeu mexendo com espíritos é muito útil. Sonhos, viagens, tudo isso serve na hora de contar suas histórias para Óðinn; e ainda assim ela é conhecida só o suficiente para alguém poderoso, mas humilde procura-la. O que a Völva não viu seu conhecimento das teias passadas e presentes do wyrd a faz inferir com precisão cirúrgica do que está por vir.

Pois a Völva precisa ser manifestada naquilo que ela arquetipiza: a poderosa mulher livre, sábia, autossuficiente, dona de si e do conhecimento universal – e perante a qual até mesmo o Furor precisa partir em busca para chegar a um nível de saber superior.

Valhalla is not for anybody

By Shane Viljar Ward Hovedsmann at Hvergelmir International

As the title suggests this is going to be a little look into the ever growing culture of want to be Warriors going to Valhalla due to fighting off a cold or other such nonsense

Firstly I would like to address these would be warriors; When people look at Heathenism and all they see is “I am going to Valhalla” all over the internet, I actually wondered what they must think! Are we all nut jobs looking for (as my friends would put it) Valhalidation? I have been seeing (as have we all) this number of would be’s double and even treble. This is mainly due to the fact that everyone that wanders across Heathenism, usually stumbles over the various fractions such as Oðinism in its different forms, who only promote themselves as “warriors” when we all know that at some point when it comes down to brass tacks and end up in a battle or a war, would wet themselves and run.

I have seen posts and comments alike on the various social sites about how a man with cancer will go to Valhalla because he was a soldier. NO. Why? Well for a couple of reasons firstly he didn’t die in battle as is one of the prerequisites, but not just any battle or die any old way, you have to be giving it everything you have, I mean push yourself past any and all limits and be probably the most vicious you can be, mainly because Oðin…well he doesn’t take just anyone. Also he doesn’t take every soldier, a lot of warriors are not soldiers, and vice versa. So being a soldier is not a free pass. I you think Valhalla is a place for “Drinking and having sex with Valkyrie” like I have seen a lot of people seem to believe, then you are more than likely a moron…in Valhalla (as it states in the sagas and Eddas) “You will fight all day” (more than likely die again) then “raise back up and feast and drink all night, to get up in the morning and start all over again”. Not once in any saga or Edda does it say that the Valkyr are to be touched by mortals.
I have also read that Police and Firefighters believe they will go to Valhalla too. Wrong. Did you die a violent and dreadful death in battle, fighting even with your dying breath?
(It brings to mind a sketch from Monty python, the Black Knight)

On that note; I have seen post about children and babies going to Valhalla…REALLY? Come on a child or baby fighting all day everyday in Valhalla is that really what people think? What about as it should be them having a nice place in the afterlife where no harm would become them? That place is Hel….”OH no my baby won’t go to Hel”. Why not? Unless you are one of the scum that have been deemed unworthy to enjoy an afterlife or earned a place in Folkvangr or Valhalla then why not? Hel can be a nice place for those who have committed no wrong, or have died from an illness or old age, and have not died in battle. Oh right the fact that many modern Heathen’s (converts) are still holding to very Christian beliefs of good and bad Heaven and Hell….Well as I said if the souls have committed foul deeds like murder and oath breaking etc, then Naströnd awaits (that is the side of Hel nobody wants to see…) if they have done no harm to any or have not done any
foul deeds well they get to sit in a beautiful hall and sevrved good food and enjoy a great afterlife.

Okay so we covered the first reason you may not go to Valhalla….so now

Secondly maybe you died in battle Heroically and got the attention of the Gods, what happens if Freyja decides she wants you in Folkvangr? After all she gets the first pick of all whom have died in battle, she doesn’t want the psycho’s that Oðin takes, she takes the ones that died fighting especially hard against all the odds, not for glory’s sake but for something greater.
So put it in this context Oðin takes the insane cannon fodder, and Freyja well she takes the ones that do what they do for something other than themselves.

So to finish off and recap…..dying in your sleep, old age or illness will not get you into Valhalla no matter if you fought off a cold or cancer (I can be insensitive). Hel is not a bad place so long as you are a good and honourable person.

If you manage to go to Valhalla it is a personal thing, do not expect to meet family or friends there, you will probably be severed from all those burdens before hand, (there was a story of a man whom marked himself for Oðin so he would be seen in battle and taken by the Valkyr to Valhalla, his wife left him and his family said he was dead, even though he wasn’t. I can’t remember where I saw this or heard this story. Sorry) so Ol’ one eye will unburden you if you are to go there. Besides getting noticed by Ygg himself will end in your violent and mostly unexpected death….because as we know he is not that caring.